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terça-feira, abril 11, 2017

poesia pós-industrial

à mão as peças da modernidade quebradas
minha arte não tem propriedade definida
a metáfora está em pedaços
a poesia brasileira assim tão pouco brasileira
srta. krupp agora casa-se com o pilar nazista

meu olhar busca o corpo, as flores pintadas
eu ainda acho que temos de viver
com alguma liberdade no tempo de liberdade

sr. krupp gosta de um olhar produtivo
mas a indústria dorme, camponeses escravos
minha época materialista
crime contra a humanidade
é sair das coisas práticas 

roubo uma canção de água em rocha
populismo digital, trabalhador
sai do consumo e se torna apenas produção
o dragão Ying e a inutilidade de um dia incerto

meu olhar busca o passado, o fruto caído
eu ainda acho que temos de sonhar
com alguma verdade no tempo da certeza
das nove às cinco para ser respeitado
as fronteiras devem ser fechadas ele diz

meu olhar busca o invisível, as flores esperadas
eu ainda acho que temos de viver
com alguma suavidade no tempo do medo

comprar suas roupas
comprar sua saúde
comprar sua comida
comprar seus filmes
comprar seu colchão

havia um tempo em que se podia decidir o espaço
os direitos humanos não cabem no orçamento
a metáfora está em pedaços
os direitos do consumidor

meu olhar busca o que não sei
eu ainda acho que temos de viver um novo tempo
com alguma humanidade desconhecida

Afonso Junior Ferreira de Lima

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