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quinta-feira, abril 13, 2017

Porto Alegre antiga

Porto Alegre cidade aberta

na luz vermelha da ponta do rio

mergulho com um finlandês perdido

clarões de um céu inteiro fonte invisível

menino tropeçando nos degraus

mercado marcado explodo a bolha dourada

recebo todos os deuses com minha espada

nas árvores da Redenção

ele odeia comida indiana, ela usa turbante azul

vento na rua solitária de pedras

no sofá com Legião, a geometria judaica

hormônios florescidos na dança da metrópole

rambô toma chimarrão na grama

a sombra do aço lembra

1752 açorianos um rumo novo âncoras 

protesto contra o fluxo dos tiranos de ar

Porto Alegre a paixão descendo a lomba

onde canta o sabiá do samba

e o punk à cavalo Noll de memórias

só eu sozinho solidão simulada sussurros de mata

artista perdido refletido em vidro

na roda do dia da festa 

a água se enfeita de lua

o beijo no cruzamento do Ocidente roubado

o sol do verão me ensinou filosofia 

Buda nos campos do exército imperial e farrapos 

aqui morou o capitão érico, ecoa um riso de poeta

desenho anjos no cais e colo flores fantasiadas

minimalismo e choro naquele banco transfigurado

o alemão grita com a bandeira 

telefonemas suicidas e paixão impossível mais uma

debates e terra, chamado da floresta

jogo de branco em preto e contar moedas pra estudar

a indústria francesa nos degraus, escadas da 24 onde nasci

Porto Alegre cidade vermelha

Porto Alegre os índios do Pará

a árvore milenar da esquina, casario baixo

amor que não dura, o eterno, a separação

o meu mundo interior clarões

os mortos em cada fachada colorida e rococó

nunca adaptado, acreditado herói trovador

espelho caminhando no Beira-Rio

ninguém pode parar 

essa tempestade em que falo com o céu

olhando os aviões e a saudade calculada

coloco a máscara que diz a verdade

Porto Alegre na rua da praia

águas levam à todos os mares

louca fria sereia do inverno

Ofélia afogada, lembrança desregrada 

Porto Alegre cidade sonhadora


Afonso Junior Ferreira de Lima

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