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domingo, agosto 06, 2017

A festa da coruja

- Numa jangada vamos pela mata
Disse a coruja Jane, que ficou acordada
Pra falar com a onça-pintada
- Vamos ver o deus das águas

Também se interessa o boto palhaço
Pra o saguá-coleira deram um telefonema
- Estou nessa, vou chamar o acari-zebra
O arco-íris foi convidado

Era uma festa colorida, o karaokê não para
O coro dos jacarés fazia companhia
A harpia era um Apolo tocando a guitarra
Sapo ao piano, o mico-leão guia

A doutora real, de chapéu amarelo:
- Não é legal! A lei invisível proíbe invasão!
- Vacas demais, deixem em paz o solo!
Canta Ana, a serpente soprano

Bee Gees das aranhas boca de sino
- Sai, vampiro, sai!
Trator não é destino
Stayin' Alive!

Muito romance teve nessa jornada
As estrelas deixaram cair uma lágrima
No casamento da anta com a garça
Chegaram na fronteira, chuva na entrada

- Você está vendo? Vende-se o verde
Da oração pela pele, do respeito
Já vai longe o tempo, o rei medonho
O deus das águas vestiu seu manto de sonho

Os deputados sentiram os ossos gelados
Se os olhos fechavam, o coro dos jacarés
Mordia os pés, a formiga picava
A harpia colocou as cabeças numa estaca

Meio mês sem ter dormido, saíram fugindo
A coruja Jane e a onça-pintada
Executando bem e dando deferimento
Os papagaios presidiram o Parlamento

Sapo ao piano, o mico-leão guia
É uma alegria os jacarés cantando ABBA
A harpia era Queen tocando a guitarra
Festa colorida, a tal democracia

Afonso Junior Ferreira de Lima

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