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quinta-feira, maio 03, 2018

Minhas namoradinhas - 1871 - versão do poema de Arthur Rimbaud

Um destilado lacrimal lava
os céus verde-oliva
sob a árvore em broto que baba
vosso látex

Branco de luas particulares
de rótulas redondas
nas almofadas em que me ajoelho
minha feia

Nós nos amávamos naquela época
feia azul
comíamos os ovos quentes
na casca

Um dia, me sagraste poeta
loura feia
desce aqui, tenho chicotes
deita no meu colo

Desarrumei tua cabeleira
negra feia
você quebrou meu bandolim
com tua testa

Ah! minhas salivas secas
ruiva feia
infectam as trincheiras
do teu seio

Ó pequenas amantes
eu vos odeio!
algemas dolorosas
mamilos feios

Roubar minhas vasilha antigas
de sentimento;
- pule assim! ser bailarinas
por um momento!

Arthur Rimbaud
- versão Afonso Jr. Lima

Mes petites amoureuses

Un hydrolat lacrymal lave
Les cieux vert-chou
Sous l'arbre tendronnier qui bave,
Vos caoutchoucs

Blancs de lunes particulières
Aux pialats ronds,
Entrechoquez vos genouillères,
Mes laiderons !

Nous nous aimions à cette époque,
Bleu laideron !
On mangeait des oeufs à la coque
Et du mouron !

Un soir, tu me sacras poète,
Blond laideron :
Descends ici, que je te fouette
En mon giron ;

J'ai dégueulé ta bandoline,
Noir laideron ;
Tu couperais ma mandoline
Au fil du front.

Pouah ! mes salives desséchées,
Roux laideron,
Infectent encor les tranchées
De ton sein rond !

Ô mes petites amoureuses,
Que je vous hais !
Plaquez de fouffes douloureuses
Vos tétons laids !





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