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quarta-feira, junho 07, 2006

Será que eu ouvi direito? Arnaldo Jabor (uma espécie de ventríloquo que manipula “todos-dizem”) falou mesmo que “a esquerda invadiu com 40 mil cargos o governo?” Não será isso que chamam democracia? Ele falou mesmo que a culpa da depredação do Congresso é do Lula, emendou impropérios sobre a “culpa” por “não saber de nada” sobre o mensalão até a “culpa” por estar “tratando a pão de ló o MST”.

(Só agora ficou claro para mim quem é o Alcaemmim, que disse “falta autoridade a este governo!” Ele já havia dito no caso da Bolívia que o governo deveria ter sido “duro”- assim como as aves exóticas do PSDB, todas botando fogo no que já é explosivo- quem sabe, criando uma crise bem grande, descumprir até o que disse uma vez a consulesa de Bush no Brasil: a diplomacia serve para evitar a guerra; mas só agora percebi que se cair um meteoro no Brasil a culpa é do Lula e que “autoridade” significa algo bem sombrio como por exemplo, prever e reprimir um fato antes que aconteça; quero virar empresário!)

A própria abertura do telejornal dizia que o governo estava “autorizando movimentos fora da lei como o MST”.
Ora, faz anos que estamos assistindo o Jabor achar que é esquerda - pois é de uma época que mostrar mulher pelada era ser revolucionário - e falar senso comum que agrada a elite, mas com ar radical (houve um momento que criticar o Lula gratuitamente era algo como estar na crista da onda do radicalismo, da “oposição”- todos faziam isso); mas poucas vezes vi um editorial mais feroz, só equiparado ao problema envolvendo a Aracruzcredo. O que o MST tem a ver com o MLST, não fiquei sabendo.

É claro que qualquer movimento que se ache no direito de invadir o Congresso e machucar pessoas deve ser punido, mas seria bom pensar :
por que o povo estaria brabo? Em culturas mais antigas, que já cortaram a cabeça do rei, as vezes até estudantes são levados a sério...

até que ponto essas pessoas (alguns rostos de agricultores humildes) não estão a mercê de uma ocupação ideológica alienígena (o famoso não-vácuo do poder, se o Estado não provê educação e inserção na economia, algum poder o fará, seja o líder oportunista e desmiolado, seja o tráfico), que pode ser intelectualmente justificável perante a violência da pobreza, e pode mesmo ser baseada na visão democrática de direito a livre expressão, mas que não se pode saber de fato onde acaba, na execução.

(O próprio líder do movimento, senhor Bruno B. Bruno, disse que era para ser uma manifestação pacífica, mas, ao entrarem no Congresso, “a coisa pegou fogo”; imagina-se o preparo ideológico prévio, tipo “esses burgueses vão ver só”, aliado ao natural desespero da pobreza e a recente onda de repulsa que o Brasil sentiu diante da imoralidade e impunidade no Congresso).

Como, quando o problema é violência- violência do povo- surge na TV tempo; inúmeras personalidades se manifestam chocadas, inúmeros minutos de imagens, imagens, imagens, justo na Tv que nos fez crer que tudo tem de ser dito em 1 minuto, e comentarista é o Jabor...
Muito estranho...

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