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domingo, agosto 27, 2006

Música para ouvir


Acabo de vir do Festival Contemporâneo RS, com música elétroacústica (seja o que isso signifique), no Instituto Goethe.
Sem fazer revisão bibliográfica...

Como dizer o que é bom depois que todos os conceitos caíram?
Se nem mais os conceitos de "agradar" e "desagradar" parecem soar adequados?
Nós percebemos quando algo "funciona".

É simplesmente incrível como qualquer pessoa leiga -ou a maioria- diante de um quadro, percebe se está sendo enganado. (A menos que também queira enganar. Miró dizia que Picasso fazia muita coisa "para vender". )

Sendo Aristotélico, há construção, é uma forma que está ordenada, há um objeto um "ser", porque é independente.
Imita os ritmos da vida, cheios de imperfeições, segue caminhos improváveis, diversos, contraditórios. Pode ter ruptura, irritação, mas não pode ser artificial.

É algo "sincero", que parte de uma reflexão-percepção concreta, algo que não foi feito em função de status ou de aprovação alheia.
diz algo sobre seu tempo, claro, fala de coisas sutis demais- e cada nota ataca uma parte do cérebro, lembrando um momento- para serem ditas, ou tão presentes que só a música pode concretizar.

Eu fui recentemente a outro concerto contemporâneo. Havia coisas simplesmente chatas, coisas como ruídos sem um contexto, simplesmente descuidados. Até mesmo o que desmancha deve ter um cenário, ou vira apenas lixo. Até mesmo Warhol tinha o cuidado de explicar sua obra, ou seja explicar a si mesmo- talvez mais do que ninguém- ou seria apenas mais ruído.

Veja bem, existe o bom ruído. Existe o ruído que significa, aquele momento em que sabemos que o caos e a ordem tem um casamento tênue. Parece que é assim também nos padrões da natureza, nos fractais e tal, a ordem e a desordem equilibradas criam.
Todas as peças eram sensacionais: usavam sons inusitados em um todo em harmonioso, enquadrado, interessante, significativo. É maravilhoso ver que tem gente usando a liberdade com verdade.
Como não sou da área quero apenas citar o diretor geral Januibe Tejera; o diretor dos concertos de eletroacústica, Rafael Oliveira, os autores (claro, nem todos gaúchos), José Mannis, Igor Stravinsky, Fernando Mattos, Bruno Angelo, Rodrigo Avellar, Takemitsu, Martinez Nunes, Rafael Oliveira.
Mais uma vez o Goethe tornando a cidade melhor!
É isso que se pode dizer da inovação resultado de uma elaboração interna: foi um prazer.

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