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terça-feira, setembro 01, 2009

Heliópolis quer falar

É realmente revoltante como o Jornal da Globo pode dar uma notícia como a queima de carros e ônibus em Heliópolis, devio a morte de uma inocente pela polícia: "Imagens sobre o vandalismo numa favela de São Paulo".
A jornalista Michelle Barros junta palavras como "selvageria", "confusão", "ônibus atacados", "vândalos" (mil vezes) e também conta o caso de uma mulher com deficiência visual em pânico (!) e dos católicos presos na Igreja por uma hora. "Entre atos de vandalismo uma palavra no chão: Justiça".
Depois fala-se longamente do pescado, de como o pré-sal será ma para quem usou FGTS para comprar ações da Petrobrás e da comovente despedida a um juíz, com "tristeza", "brilhantismo" e perda irreparável".

Lembro da manchete da Veja ironizando a responsabilidade social das Casas Bahia ao abrir uma loja:
"Pedágio para vender em Paraisópolis." No mínimo estranho considerando-se que a própria reportagem mostra famílias que perderam tudo e que receberam as doações através da associação de moradores. E também como foi preciso uma ligação da loja para iniciar os "planos" de saneamento...

A Folha anunciava, em fevereiro que "moradores faziam protesto em Paraisópolis" contra a morte de um morador e teve manchetes razoáveis como: "Favela está em zona campeã de desemprego." Já a Época falava em "baderna" etc. Muito da violência vem do não reconhecimento.
Um homem bem pobre e sujo, sem dentes, fedendo, falando alto, entrou no ônibus onde eu estava na região do centro. As pessoas ficaram ansiosas, ele dirigia-se a um e a outro. Perguntou sobre um ônibus. O rapaz oerto de mim respondeu, com a maior calma, que ele devia pegar outro etc. "Tá limpo. O que vale é o respeito. respeitou, tá limpo", ele disse, e desceu do ônibus.

Quem sabe algum dia nossos jornalistas e políticos persebam que somente o reconhecimento pode trazer a verdadeira riqueza, a criatividade humana. O resto, é apenas preconceito.

Vale a pena ver P.H.A

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=17352

PS: O Secretário da insegurança de São Caetano já tinha dito que "não se tinha certeza se a bala veio do policial ou do bandido", mesmo tendo uma testemunha dizendo que não havia troca de tiros. O Jornal Nacional entrou ontem falando "Ainda de não se sabe de onde partiu a bala que matou a jovem."

Serra fez gracinha: chamou-se de "amigo dos pobres" e, em outra ocasião, mesmo afirmando que a polícia "entrou atirando dentro de uma favela", arrematou que "direito de protesto é algo que nós defendemos"... mas "vandalismo é outra coisa." Pois é, é que as pessoas estão cansadas de ir na Roda de Debate entre Polícia e Cidade, nos Fóruns da Prefeitura no Seu Bairro e no Orçamento Participativo. Povinho estressado.
Em Belém, mais um protesto: "cenas de vandalismo." Por que o povo dinamarquês gosta tanto de briga?
Vale a pena a cronicazinha humorada do Blog com Fel e Limão sobre a notícia "atingida por um 'suposto' objeto. "

http://comfelelimao.wordpress.com/2009/09/01/suposta-news-o-maior-jornal-do-mundo/

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