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domingo, março 04, 2012

Performáticos

O que Duchamp queria afinal?

Ele estava farto de uma arte visual, queria uma arte de ideias.

Mas, afinal, é apenas um objeto de louça, não?

Não importa o quê, mas quem e onde.

E Yoko Onno? E aquela cama branca?

Viver a diversidade e não falar sobre ela ou confrontar-se pela paz.

E o neodadaísmo?

Volta ao concreto, ao cru, à indeterminação e ao improviso. A própria vida é arte.

Artaud?

Sim, as pessoas eram basicamente reprimidas – pela Igreja, pelas normas do trabalho e do Logos. Hoje, vivemos de impulsos - compre, compre! Os reprimidos viraram os sádicos! Os impulsos orgânicos – gritos, sangue, suor - dessa santidade secular ritual podem esquecer os problemas lá fora.

Você busca uma certa transcendência secular?

A arte é religião, diz Gerhard Richter: um objeto concreto não tem valor de uso. É espantoso.

Uma de suas obras é um tomate podre. Que isso significa?

Não significa. Eu quero dar às pessoas novas sensações - as pessoas só reconhecem as emoções que já vivenciaram. Só reconhecem as emoções que já vivenciaram: vejo o roxomas como só conheço o vermelho, entendo vermelho.

Ser inteligente não é tudo, ser inteligente não é quase nada. Um computador pode ter toda a informação do mundo. É, claro, cria diversidade, ocupa o tempo.

Agora, se estiver em uma ilha cercado de pessoas inteligentes, jogue-se aos tubarões.

E a lebre dentro do aquário gigante de formol?

Uma lebre é um animal do sangue e da terra- nas lendas, auxilia os humanos com o sangue - transforma o pensamento em algo terrestre e revolucionário.

Antes era o artista copiando um modelo mental - o artista do Timeu de Platão olhando uma Ideia perfeita. Modelo mental.

Quero apenas colocar uma lebre em um líquido e ver o que ocorre. No silêncio, é fácil a harmonia.

Um manifesto contra o intelectualismo?

E o seu oposto. Se o conhecimento não servir para você entender e aceitar o novo, por quê?

Somos democráticos, mas não há tempo para mudar de ideia. Então, ficamos com a nossa. O passado.

Está falando sobre o que leva uma obra a ir parar na parede? Ou - seja onde for no museu?

Ninguém está discutindo o que é isso - trata-se de estar na linha teórica de alguém influente. Você não será ninguém se não for a coisa certa.



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