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domingo, julho 01, 2012

D. João


- Vovó, conta de novo a história da família?
- Sim, sim. Sentem aqui. Era uma vez um Rei Magnífico chamado D. João, o Sexto. Ele estava melhorando o país, criando estradas, correios, embelezando as cidades, criando Tribunais. Mas havia gente ambiciosa e malvada querendo acabar com o Bom Rei. Em Caracas, Buenos Aires, em toda a América, todos queriam agora governar. Um bandido caudilho chamado Artigas, na Banda Oriental, acabou libertando os escravos. Louco! O Bom Rei do Brasil precisava de terras para plantar café. Havia ainda muitos índios na terra. D. João mandou que se fizesse uma guerra para limpar o país dessa gente selvagem. A avó da sua avó era uma jovem índia filha do cacique. Ela foi presa e trazida para a fazenda do avô do seu avô. O maior traficante de escravos havia dado uma quinta ao rei e ganhara um cargo importante. O negro dava muito dinheiro. Muitos escravos compravam escravos - nos dias de folga, trabalhavam para si. O avô do seu avô conseguiu um cargo também por intermédio desse homem. Cada dia aumentava mais o número de negros. Mas sempre há os dissolutos e desordeiros. O rei de Espanha foi preso pelo demônio de Napoleão e se criou uma Assembleia para os representantes da América Espanhola irem - a plebe rude no poder. Em Pernambuco, que vendia algodão à Inglaterra e aos Estados Unidos, surgiu uma rebelião contra a corte do Rio de Janeiro. Os malvados fizeram Assembleia para aprovar leis, fizeram governo deles por três meses, gente ingrata. Eles estavam perto de Portugal, mas agora estavam longe do Rio. Os mineiros uma vez haviam planejado uma República Mineira, por causa dos revoltosos norte-americanos; os bahianos haviam falado como os radicais franceses, que cortaram a cabeça do rei. Agora Pernambuco estava sendo atrevido, rebelde, muito mais radical. O avô do seu avô lutou contra eles comandando as tropas da Bahia. Todos parecem agora ambiciosos, ociosos e devassos. A Era de Ouro, na qual reinava a paz e os homens eram trabalhadores e disciplinados, terminou. Por fim o Bom Rei D. João tem de voltar para Portugal e se submeter aos rebeldes de lá: as Cortes queriam controlar o Monarca. Uma Constituição! São contra a lei natural, dizem que todos são iguais! Nossa família começa a lutar contra a abolição dos negros, que é contra a lei e a propriedade. Cabe a vocês defender a liberdade. 

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