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sábado, novembro 28, 2015

As bestas

Maiorca, 1232. Nasce.
Agora seus pais têm uma terra, a reconquista.
Aprende árabe, estuda teologia cristã e muçulmana, prega.
Lê as fábulas das Epístolas dos Irmãos da Pureza Muçulmana, pensa em uma fábula.
Conhece Kalila e Dimna - versão árabe do Panxatandra indiano, duas versões: o livro que o rei Afonso X havia dado - traduzido ao castelhano - para a esposa do rei francês Felipe o Belo, que o traduziu ao latim, e a tradução de João de Cápua para o mais elegante latim, de 1278.
Decide ir até Paris pregar na universidade, escreve ao rei pedindo audiência. É recebido.
Após o fim cruzadas, em 1291, o cristianismo abandonou a Terra Santa aos infiéis, afirma, é preciso converter os tártaros para que destruam os Sarracenos. Pede a Felipe o Belo que envie embaixada ao Khã mongol da Pérsia, que simpatiza com a cruz, com ouro e presentes, expondo-lhe a necessidade de expulsar mamelucos da Síria e da Palestina. Também pede monastérios onde se aprenda a língua oriental.
Sua palestra é um fracasso. Tem um acento "arabista", dizem os doutores.
Ele retorna à sua ilha, funda um mosteiro, é chamado à Paris anos depois ("velho e pobre", como se descreve) para o grande Concílio, no caminho escreve um Livro no qual o mal conselheiro do rei, que o levara a prender o Papa e os templários, é retratado como raposa, o que lembra Kalila e Dimna. Morre aos 84 anos, quando suas afirmações sobre conselheiros fanáticos "não de Deus, mas do Estado" foram defendidas pelo jurista Pierre Duby, que escreveu Da Recuperação da Terra Santa.

Afonso Lima

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