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sábado, janeiro 28, 2012

Veja a entrevista concedida à Folha de São Paulo na edição de hoje sobre o Pinheirinho e a questão das remoções no Brasil.

Ação no Pinheirinho viola direitos, diz relatora da ONU

Eleonora de Lucena
São Paulo

(...)

Estamos numa situação em que um projeto urbanístico, que é o da Nova Luz, tem como principal instrumento a concessão dessa área integralmente para a iniciativa privada. A viabilização para a concessão dessa área é entregar essa área “limpinha”. “Limpinha” significa sem nenhuma população vulnerável, marginal, ambígua sobre ela. E, no máximo possível, com imóveis demolidos, para permitir que se faça um desenvolvimento imobiliário com coeficiente de aproveitamento muito maior, prédios mais altos etc. E, portanto, com muito mais potencial de valor no mercado. Isso está diretamente relacionado ao modelo da concessão urbanística.

No plano urbanístico da Nova Luz, um dos principais princípios é liberar áreas dos imóveis e das pessoas que ocupam hoje, para permitir que essas áreas sejam incorporadas pelo mercado imobiliário com potenciais de aproveitamento maiores.

Tenho uma crítica do ponto de vista dos direitos humanos, da forma como tem sido feito. Como no caso do Pinheirinho: uso da violência policial e incapacidade de diálogo com a população. Mas também como urbanista tenho uma enorme crítica a esse plano da Nova Luz, que desrespeita o patrimônio material e imaterial ali presente. O bairro da Santa Ifigênia é o bairro mais antigo de São Paulo. É o único que ainda tem uma morfologia do século 18. Uma parte dos imóveis que está sendo demolida, supostamente interditada, deveria ser restaurada e reocupada. A ação é duplamente equivocada –do ponto de vista urbanístico e dos diretos humanos.

Como a sra. resume toda essa situação? É um processo de expulsão dos mais pobres?

Exatamente. Eu me recuso a chamar aquele local de cracolândia, porque foi um termo forjado pela Prefeitura de São Paulo. O fato de essa área estar ocupada por pessoas viciadas, que estão no limite da inumanidade, foi produto da ação da prefeitura, que entrou nessa área demolindo, largando a área, não cuidando da área, deixando acumular lixo e transformando essa área em terra de ninguém.

Isso é fruto da ação da prefeitura e não da falta de ação da prefeitura. Para depois chamar de cracolândia e depois constituir um motivo para entrar dentro dessa área derrubando tudo, prendendo todo mundo e limpando aquela área como terra arrasada para que uma ação no mercado imobiliário possa acontecer.

Estamos caminhando perigosamente no sentido da hegemonia do valor econômico da terra como único valor, desconstituindo avanços importantes que a sociedade brasileira fez no reconhecimento do direito de cidadania. Isso é muito perigoso para o país. Espero sinceramente que a partir da comoção do debate gerado sobre o Pinheirinho se possa reverter esse caminho.

O Brasil tem a faca e queijo na mão para poder mudar radicalmente de atitude. O Brasil tem recursos econômicos. Tem um ordenamento jurídico que permite respeitar os direitos.

O Judiciário tem que acordar para aplicar não apenas o direito de propriedade nos processos que envolvam conflitos de propriedade, mas também o resto do ordenamento jurídico que temos.

Os Executivos municipais, estaduais e federais também têm que rever a sua ação no sentido de obedecer isso. Temos recursos e temos uma base jurídica para poder recuperar esse caminho.

O modelo hoje beneficia os mais ricos?

É muito genérico falar dos mais ricos. É preciso ver quais são os interesses beneficiados e que não estão sendo beneficiados. Qual é a coalizão de interesses que está promovendo esse tipo de ação.

Temos que entender que sempre existiram forças conservadoras no país. Por que hoje elas têm mais força, mais poder? As forças progressistas abandonaram essa pauta e essa agenda e precisam retomá-las. Existem forças progressistas no Brasil.

http://raquelrolnik.wordpress.com/


quinta-feira, janeiro 26, 2012



Manifesto em defesa do Cine Belas Artes - atualizado - 122 assinaturas!

(PS: tiraram o "Desde 1952 da fachada - parece algo que já foi visto?)

Manifesto em defesa do Cine Belas Artes, patrimônio cultural, artístico e afetivo de São Paulo e do Brasil

Amparados na Constituição Federal, que inclui as “edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais” entre os bens que “constituem o patrimônio cultural brasileiro” (inciso IV do Artigo 126), defendemos o imediato tombamento do prédio da Rua da Consolação, 2.423, esquina com a avenida Paulista, onde funcionava o mítico Cine Belas Artes. Também demandamos das autoridades que lancem mão de todos os instrumentos necessários para reabrir o cinema, inaugurado em 1967 pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) e Companhia Serrador no mesmo prédio que antes abrigara o Cine Trianon, aberto em 1952.

Desde sua inauguração, o Cine Belas Artes manteve as características que demarcaram sua singularidade no circuito exibidor e tornaram-no fundamental para a cultura cinematográfica no Brasil. Ao longo de 44 anos, operou mais como um centro cultural formador de público do que mera sala exibidora, como atestam dois de seus aclamados projetos, o Cineclube e o Noitão, que, diferentemente das salas de shopping, promoviam uma atmosfera propícia à interação. Contou para isso com a preciosa contribuição de Ancona López, reconhecido internacionalmente como um dos melhores programadores de cinema e que teve Leon Cakoff como seu assistente.

Soube, também, adaptar-se à nova tendência de complexos com salas pequenas e médias ao transformar seu espaço no mais significativo multiplex de rua do país.

O Cine Belas Artes promovia a diversidade cultural e a reflexão sobre dramas humanos, história, política e arte por meio de uma programação com filmes de alto padrão, brasileiros e estrangeiros, inclusive com elevado número de obras-primas procedentes de países pouco presentes no nosso mercado exibidor. Desempenhava papel fundamental no circuito cultural das ruas da Consolação e Augusta e Avenida Paulista. Nos fins de semana e feriados, recebia, em média, 1.800 frequentadores por dia.

As filas se repetiam e lotavam suas salas também às segundas e quartas-feiras nas tradicionais promoções com ingressos mais baratos. Esse sucesso era favorecido igualmente pela facilidade de acesso a pé e por transporte público.
Entretanto, pressões do mercado imobiliário provocaram a suspensão das atividades do cinema em março deste ano. O fato recebeu ampla divulgação na mídia.

Frequentadores realizaram protestos na internet e na rua contra o fechamento e organizaram o Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA). Centenas de depoimentos pró-Belas Artes, um abaixo-assinado com cerca de 20 mil assinaturas e adesões de quase 90 mil pessoas no aplicativo Causes no Facebook são apenas alguns exemplos do que é visto como uma das maiores mobilizações em defesa de um patrimônio cultural no Brasil.

Destacamos que este uníssono de vozes em São Paulo coincide com o movimento de resgate histórico dos cinemas de rua em curso no Rio de Janeiro, que contempla a reabertura do igualmente mítico Cine Paissandú (tombado em 2008), anunciada para julho de 2012.

Garantir o cinema de rua é valorizar um modo de vivenciar a cidade com seus bares, restaurantes, livrarias, as pipocas e as pizzas e os encontros com amores, amigos e conhecidos. É, acima de tudo, um exercício de cidadania – lugar de comunhão entre memória, cultura e afeto – que deve ser protegido e fomentado pelo Poder Público.

Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA)

LISTA PRELIMINAR DE ADESÕES AO MANIFESTO PELO CINE BELAS ARTES



Alberto Bandone - cineasta 
Alexandre Stockler - cineasta
Aline Elisabeth Bronkhorst - estudante de Arquitetura e Urbanismo na FAU/USP 
André F.G. Neves - cineasta 
André Fischer – jornalista
André Luís Kakuta – estudante de Engenharia e Arquitetura
Ângela Beatriz de Oliveira Roman - jornalista
Anna Marcondes - presidente do Via Cultural - Instituto de Pesquisa e Ação pela Cultura  
Antônio Moura Reis - jornalista
Antônio de Souza Neto - síndico da Galeria do Rock (São Paulo capital)
Antunes Filho - diretor do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) do Sesc
Benjamin Seroussi - curador e produtor 
Caio Plessmann - cineasta e diretor da seção paulista da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD)
Cândido Malta Campos Filho - arquiteto e urbanista e professor da FAU/USP
Cao Hamburger - cineasta 
Carlos Guilherme Mota - historiador e professor emérito da FFLCH/USP
Carlos Reichenbach - cineasta
Caru Alves de Souza - cineasta
Celso Antonio Bandeira de Mello - jurista
Celso Gonçalves - cineasta e vice-presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD)
Célia Marcondes - presidente da Sociedade Amigos e Moradores do Bairro
Celso Luiz Lasarim - jornalista
Clarice Bagrichevsky - professora universitária
Cláudia Leal - diretora da Cia Daqui “Teatro para Todos na Capital Federal”
Cláudia Mogadouro - coordenadora do Grupo Cinema Paradiso e pesquisadora do Núcleo de Comunicação e Educação da USP (NCE)  
Cleo de Paris - atriz do grupo “Os Satyros”
Cunha Júnior - jornalista e apresentador de TV
Dalberto Adulis - coordenador da Associação Brasileira de Desenvolvimento de Liderança (ABDL)
Daniela Thomas - cenógrafa e cineasta
Danilo Miranda - diretor do Sesc/SP
Débora Castro - socióloga
Debora Duboc - atriz 
Denise Carreira - coordenadora de educação da Ação Educativa e Relatora Nacional para o Direito Humano à Educação
Edgard Carvalho - professor titular do departamento de antropologia da PUC/SP, representante no Brasil da cátedra itinerante Unesco “Edgard Morin” e ex-presidente do Condephaat
Eduardo Suplicy - senador (PT/SP)
Eduardo Tolentino - diretor do Grupo Tapa de teatro
Eleonora Figueiredo de Souza - consultora ambiental
Eliseu Gabriel - vereador (PSB/São Paulo capital)
Evaldo Mocarzel - cineasta e dramaturgo 
Eva Wilma - atriz
Fábio César Delmório - publicitário
Fábio Yamaji - diretor de animação
Fernanda Pereira de Souza - arquiteta e urbanista
Fernando Alves Pinto - ator
Fernando Henrique Cardoso - ex-presidente da República e professor emérito da FFLCH/USP
Fred Ghedini - ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e diretor da Associação de Proteção dos Direitos Autorais dos Jornalistas Brasileiros (Apijor) 
Gerardo Fontenelle - cineasta 
Gero Camilo - ator e dramaturgo 
Gina Rizpah Besen - psicóloga, consultoria ambiental e doutora em saúde pública
Hélio Goldstejn - diretor de TV 
Henrique Costa – jornalista
Ivan Valente - deputado federal e presidente nacional do PSOL
Jane Casella - assistente social
Jeferson De - cineasta 
João Federici - produtor
João Signorelli - ator 
Jorge Rubies - presidente da Associação Preserva São Paulo
Jorge Mautner - cantor e compositor
José Osório de Azevedo - desembargador
José Otávio Lotufo - arquiteto e urbanista, doutorando na FAU/USP
Juliano de Fiore - sociólogo
Junia Sirqueira Soares - assistente de audio-visual 
Kiko Goifman - cineasta 
Laerte - cartunista
Laerte Késsimos - ator 
Laís Bodanzky - cineasta 
Laura Wie - apresentadora de TV 
Leandro Marques - radialista e cineasta
Lee Taylor - ator
Leonardo Castriota - arquiteto e urbanista, professor titular da UFMG
Lia Acona de Faria - arquiteta e urbanista, filha de Dante Ancona Lopez, lendário programador do Belas Artes
Lucia Helena Vitalli Rangel - diretora adjunta da Faculdade de Ciências Sociais da PUC/SP
Lucila Lacreta - diretora do Movimento Defenda São Paulo  
Luiz Paulo Gerbassi Ramos - arquiteto
Luiz Carlos Merten - jornalista
Maisa Moura - guia de turismo
Márcio Debellian - documentarista 
Maria Margarida Cavalcanti Limena - diretora da Faculdade de Ciências Sociais da PUC/SP
Maria Zulmira de Souza (“Zuzu”) - jornalista, idealizadora do programa Repórter Eco da TV Cultura e diretora da Planetária Soluções Sustentáveis
Mario Monzoni - coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV
Maysa Blay - bióloga e ambientalista
Mouzar Benedito - escritor e jornalista
Nabil Bonduki - arquiteto e urbanista e professor da FAU/USP
Natália Santucci - designer
Newton Moreno - dramaturgo 
Olgária Matos - professora do Departamento de Filosofia da FFLCH/USP
Paula Arantes - consultora em turismo sustentável e fellow do programa Lead
Paul Heritage - produtor cultural e diretor de teatro
Paul Singer - economista, ex-professor titular da FEA/USP e Secretário Nacional de Economia Solidária
Paula C. Ferraz - assessora de imprensa
Paulo Cannabrava Filho - jornalista e presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas (Apijor)
Paulo de Tarso Chamon Schmidt - publicitário e jornalista 
Pedro Roberto Jacobi - sociólogo e presidente do Procam/USP
Rachel Biderman - consultora sênior no Brasil do World Resources Institute (WRI), de Washington D.C.
Raquel Rolnik - arquiteta e urbanista, professora da FAU/USP e relatora da ONU para o direito à moradia
Raul Teixeira - sonoplasta e coordenador do curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro
Regina Drummond - escritora
Regina Porto - compositora, designer de som, produtora e curadora de concerto 
Ricardo Ohtake - arquiteto e urbanista, diretor geral do Instituto Tomie Ohtake e ex-secretário de Estado da Cultura de São Paulo
Rodolfo Sant’Ana Gomes Álvares de Abreu - funcionário público
Rodrigo Faria - produtor cultural e cofundador do Movimento Ilha da Paulista (MIP)
Romeu Mizuguchi - estudante universitário
Rubem Barros - jornalista e diretor edtorial da Editora Segmento
Rubens Rewald - cineasta e vice-presidente da Associação Paulista de Cineastas (Apaci)
Sandra Maria Nunes - professora
Sandra Regina Cutar - socióloga e coordenadora cultural do Colégio Oswald de Andrade
Sara Silveira - produtora de cinema
Sebastião Milaré - escritor 
Sérgio Haddad - diretor-presidente do Fundo Brasil Direitos Humanos e socio-fundador da organização Ação Educativa
Sonia Barros - escritora infanto-juvenil 
Soninha Francine - apresentadora e ex-vereadora em São Paulo capital
Tania Ribeiro - jornalista
Tadeu Jungle - cineasta
Tatiana Theodoro Gasparini - estudante de Direito
Thunderbird - VJ, apresentador de TV, radialista e vocalista da banda Devotos de Nossa Senhora
Toni Venturi - cineasta
Vera Masagão - coordenadora geral da Ação Educativa e integrante da coordenação executiva da Abong - Associação Brasileira de ONGs
Vilmar Pellisson - designer e mestre em Desenvolvimento de Marcas
Vinícius Romanini - jornalista e professor de semiótica da ECA e FAU/USP 
Virgínia Murad - arquiteta e coordenadora da Fundação Centro de Defesa de Direitos Humanos bento Rubião 
Zé Celso Martinez Corrêa - ator, autor, diretor e líder do Teatro Oficina
Zuenir Ventura - jornalista 

terça-feira, janeiro 24, 2012

4.4.8
Para Raquel Rolnik, defensora da cidade viva.


Sampa você me espanta
Eu pulo aquela enxurrada
O pagode tá me enloucando
Um tiro contra o contrabando
A madrugada me chama

E tudo vibra, tudo inflama
Tem gente jogada na lama
Essa cidade se reconta
Nas barbas da ditadura
Nas dobras, muita gente ama

Nós somos daqui
Desse meio de tudo
A gente veio antes
(fugindo) da morte
A gente quer o mundo
Acreditamos na sorte

Querem te derrubar
Querem meter a mão em você
Entupir de cimento
Tem sempre uma boa conversa
Para a maldade construir
Para te esquecer

Mas que força esse canto
Do pássaro no verde e da Luz
Que deseja e nunca deixa
Esse ódio santo

Agora, ergue a cabeça
Multiplux_idade
Com noite, alegria, com passado
Derruba a tirania
Do fato acabado
Abre as asas e recria
O viver em igualdade


Afonso Lima, 2012

sexta-feira, janeiro 20, 2012

São Paulo, Cidade sem prefeito

Até o Augusto Nunes já sabe, meu Deus!



A Luíza está no Canadá- e quem mais?

O bizarro "novo endereço da sociedade paraibana" com "quatro suítes" apresentado por um colunista em um tom tão "familiar" que levou à mistura hilariante de "comentário" e "publicidade" diz algo sobre o Brasil, claro, e lembra outros "brizarros".

(Uma amiga diz no Facebook que ela cansou disso aqui, também quer ir pro Canadá - esse quase deboche da alta sociedade ajudou a bombar o tema :) O sucesso do bordão -até no Jornal Hoje - talvez se deva a essa sensação de que todo mundo ficou no Brasil - menos a Luíza. E os nobres. Vide Programa Brasil sem miséria.

Ainda: ouvi comentários sobre o programa Mulheres Ricas da Band. Uma delas quer ser a Barbie e leva a boneca na mão, numa cópia fiel da Bruxa Malvada da novela (o que era chamado de, antes de virar "barraco do dia"). Assisti cenas onde duas socialites querem ser alguma coisa sem fazer nada para isso. São também excluídas: elas também não chegaram lá!

Mas quem mais está com a cabeça no Canadá?
Todo mundo? Os políticos paulistanos limpando a St. Ifigênia e mandando os moradores de cortiços pra rua para entregar a área às construtoras? Resolvendo saúde pública com cavalos e agora fechando lojinhas e paredes?

Nosso Secretário da Cultura do estado (que iniciou o projeto "Nova Luz") e disse, no Estadão, sobre um cinema que recebia 1.800 pessoas por dia, "os cinemas de rua estão acabando em todo o mundo"?

Tem muita gente "no Canadá", talvez até com boas intenções, que acaba tendo péssimas decisões.
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Melhores Imagens da Luíza!

http://www.paraiba.com.br/2012/01/13/20155-veja-as-imagens-mais-engracadas-falando-de-luiza-que-esta-no-canada-internautas-organizam-recepcao

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..." é preciso lembrar que a chamada “cracolândia” é produto da política municipal e estadual para o bairro da Luz. Onde existia um bairro, o poder público construiu uma terra de ninguém, demolindo uma parte e degradando a área. A Luz foi simplesmente abandonada pela prefeitura, que parou de recolher o lixo, de cuidar das ruas, da iluminação, fechou o shopping Fashion Luz, que gerava um grande movimento comercial, e com isso essa área, que ficou semi-abandonada, passou a atrair pessoas semi-abandonadas".
http://raquelrolnik.wordpress.com/2011/11/28/depois-de-degradar-a-regiao-da-luz-governo-de-sao-paulo-quer-se-livrar-dos-viciados-em-crack-da-area/

OAB SP PROMOVE MESA REDONDA SOBRE A CRACOLÂNDIA
Ações do documento
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17/01/2012

No próximo dia 26 de janeiro, às 10 horas, em sua sede ( Praça da Sé, 385), a OAB SP realiza uma Mesa Redonda sobre o crack e a cracolândia, com representantes do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ministério Público, Governo do Estado, Prefeitura e Polícias Civil e Militar.


O evento é promovido pela Comissão de Estudos sobre Educação e Prevenção das Drogas e Afins da OAB SP e pretende analisar com profundidade as soluções e abordagens adotadas para vencer a preocupante e complexa questão da crack em São Paulo.

http://www.oabsp.org.br/noticias/2012/01/17/7606

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Interessante.
Há um tempo atrás, ouvi do presidente da ONG Valentes de Davi algo como: ele chegava com dez dependentes por mês e o órgão da Prefeitura dizia que só podia internar 2. Sendo em média 700 o números de pessoas na dita Cracolândia...
Agora o governo anuncia uma operação no local: logo depois que os desmandos da Nova Luz (a velha corrupção estrutural) foram definitivamente aprovados liberando espaço para empreendimentos privados (sem estudar-se as sugestões dos moradores).
Ou seja, agora que o mercado imobiliário ganhou o processo, não precisamos mais de viciados para degradar a área e "tornar urgente" a "revitalização", como disse a urbanista Raquel Rolnik em evento no ano passado na CDL da Santa Ifigênia.
Vide:
http://amsi.org.br/site/a-batalha-pelo-centro
http://raquelrolnik.wordpress.com/2011/12/07/nova-luz-reflexoes-e-alternativas-ao-projeto-da-prefeitura/

- atualizando...

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Fórum dos Leitores

19 de janeiro de 2012 | 3h 08
O Estado de S.Paulo


*
DEGRADAÇÃO URBANÍSTICA PLANEJADA

É muito suspeito o tal do adiantamento da operação policial contra os dependentes do crack, já que a data é a mesma em que a prefeitura espera licitar a concessão urbanística da Nova Luz para os agentes imobiliários lucrar com terrenos por valores irrisórios. Se haverá qualquer atendimento em março aos dependentes na amplitude necessária, veremos na data.

De fato, tal ação médica, assistencial e policial deveria ter sido feita desde que começou o problema de drogas no centro há uns 20 anos - e de forma continuada. Da mesma forma que existe a obsolescência planejada da vida útil de algumas linhas de produtos, nasce em São Paulo a nefasta Degradação Urbanística Planejada praticada pelos políticos em prol da especulação imobiliária e em detrimento aos direitos à propriedade e ao trabalho.

A dispersão dos dependentes de crack para a porta das casas e dos negócios nos bairros próximos significa a próxima etapa da degradação urbanística planejada que se desenvolve em São Paulo, através da omissão das administrações? Logo teremos novas concessões urbanísticas justificadas em sanar novas cracolândias – a exemplo do projeto Nova Luz? Logo teremos novas concessões urbanísticas para desapropriar outros bairros para os agentes imobiliários continuar a maximizar seus lucros?

O paulistano de outros bairros que equivocadamente festeja o projeto Nova Luz também terá, logo, logo, sua casa e seu trabalho desapropriados; e, aí, entenderá, talvez tarde demais, a necessidade de barrar as ações de Kassab e de Police Neto já. Paulistano, temos que clamar em uníssono os malfeitos deste executivo e deste Legislativo paulistanos que só agem em favor do mercado imobiliário, em detrimento dos direitos de toda a população da cidade.

Suely Mandelbaum, urbanista suely.m@terra.com.br
São Paulo