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terça-feira, março 29, 2016

Como fazer um homem mau

Para fazer um homem mau, tire-lhe os sapatos.
Para fazer um homem mau, tire-lhe o cobertor quente.
Para fazer um homem mau, tire-lhe os livros e a escola.
Para fazer um homem mau, prenda seu pai, pague uma miséria à sua mãe.
Para fazer um homem mau, prenda-o por um nada, dê-lhe companheiros maus.
Para fazer um homem mau, tire-lhe toda a esperança.

Para fazer um homem mau, nunca perdoe. 

Afonso Jr. Lima

domingo, março 27, 2016

A cidade vazia


Elisabete estava sobre o tapete, escrevendo.
Sua mãe disse que tinha de se arrumar, sua tia precisava de companhia para o baile.
Ela odiava os bailes.
Foram. Em frente ao salão, pararam os cavalos. Quando saíam, começa a chover forte. Dentro, já se vê alguns convidados. Elisabete volta correndo para a carruagem.
- Não posso me molhar. Você sabe que minha saúde é frágil.
Voltam sem aproveitar a festa. A tia vai quebrando tudo enquanto sobe as escadas. Elisabete tem um acesso de tosse e todos saem para acudi-la. Subitamente não consegue andar. Chamam o médico.
- Ela não tem nada físico, parece, mas não está fingindo – diz o homem de barbas cinzentas.
Quando a levam até seu escritório improvisado no sótão, restos de manuscritos ardem na lareira.
-
Era dia de Páscoa, mas nada parece ressuscitar. Uma nuvem escura cobre a cidade, o vento inclemente.
Praticamente não sai do sótão. Lê, escreve.
Chegam na cidade inspetores enviados da capital. Algo está errado, os homens morrem cedo, a fumaça invade as casas, mais da metade das crianças morrem antes dos seis anos.  
O pai recebe os inspetores. Precisam analisar o cemitério paroquial, milhares de corpos lá estão há séculos. 
Elisabete observa o movimento desses homens. São altos, carregam maletas. Um deles parece perceber seu olhar.
Ela quer lhes dizer para incendiarem as fábricas.
-

Ela foi carregada até o jantar.
Tia Elda trazia um jovem poeta seu amigo.
A tia parecia quase normal.
- Uma mulher deve saber falar, mas não à ponto de afastar um marido – disse pela milésima vez. Elisabete estava irritada.
A tia continuava sua filosofia de igreja. Perguntou, por fim, quando Elisabete iria casar. 
- Tia, nós não creio que o Criador nos tenha pensado para vivermos numa gaiola. Podemos ler somente até o ponto em que vendemos melhor no mercado?
- Essa sua filha será exatamente o tipo de mulher a quem me refiro. Nenhum homem suporta uma mulher que quer ler versos em latim.
O jovem poeta olhou para Elisabete com um sorriso no olhar.

-
Ele gosta de seus poemas.

- E sobre o quê a senhorita tem lido?
- Estou lendo a história de um príncipe oriental que se apaixona pela pintura de uma mulher. Ele sai pelo mundo e acaba conquistando um tesouro.
- Duvido dessa teoria burguesa de que todos que não conseguiram um certo nível de prosperidade e conforto são preguiçosos e têm algo de errado.
- Concordo. Não acho que metade dessas coisas sejam divinas ou naturais. Os que estão na base da sociedade são menos inteligentes? Tudo num homem é sua força para conquistar? Eu, por exemplo, acho que ninguém tem o direito de condenar as mulheres à eterna bondade.
- Você já leu sobre a Itália?
-
- Os túmulo terão de ser removidos. Árvores serão plantadas no solo – disse o pai.
- A água é que estava contaminada, disseram os inspetores.
A tia encontrara um namorado, desaparecia agora depois do jantar e só era vista chegando às escondidas pelo jardim à meia-noite. Dava um jeito de roubar moedas da mãe.
Ela lia sobre Belacqua, o músico e criador de instrumentos que esperava em uma rocha com outras almas dos mortos no Purgatório - por sua extrema preguiça. Mas afinal, o que o Eterno quer de nós?
Ganhara um livro ilustrado. Copiava cidades-fortaleza no alto de montes. Vales verdejantes, o mar. Pequenas igrejas de pedra. Arcos que davam acesso a cidades medievais. Brasões esculpidos nas paredes.  
Podia sentir o vento fresco, a luz e o cheiro das vinhas que vinham do sul.
Não importava que uma tempestade arrancasse agora raízes antigas. De repente aquela cidade parecia uma cidade vazia e seu coração sentia-se oprimido.
Quem sabe seu destino não era como fugitiva?

-

Afonso Lima 

Rio

Eu ando pela margem do rio
Tudo é cinzento, o horizonte
É uma chama, a glória partiu
Revolta e maldade, indo para onde?

Marcas de insanidade, crianças com medo
Meu coração lembra da aurora antiga
Dos campos verdes, mas o que eu vejo
navios naufragados, homens com medo

Canto uma canção amiga
Tento estender a mão, uma moeda
São os grandes da nação planejando a queda
Cães ladram, a noite cobre as coisas

Anjos, fogo e gritos, e estrelas no céu
O mundo sempre quer a liberdade
Eu ando pelas margens cinzentas
É uma lua pequena, luz escondida

Afonso Lima


A esperança

Caía a pátria
feito um pato
é a ordem
que partiu
os bêbados
sonhando ainda
não aceitam de novo
esse relato
a esperança, que nunca é finda
quem diria nessa linha estranha
avança e a multidão linda
quer outro rumo, em campanha
as estrelas, agora, são lei e papel
que estranha essa escuridão
não com irmão do henfil,
mas com silêncio


Afonso Lima








quinta-feira, março 24, 2016

Manifesto contra a palhaçada

Quero viver num país sem juízes que prendem para obrigar delação, que deveria ser voluntária.
Quero viver num país onde o presidente da Câmara não seja réu e possa pegar 184 anos de prisão.
Quero viver num país onde o Supremo não evite que o maior líder de esquerda ajude a mudar a situação do governo.

Quero viver num país onde a oposição perdedora não paralise o Congresso criando crise.
Quero viver num país onde os mercados não festejem uma quebra institucional.
Quero viver num país onde a “base aliada” não vire a casaca procurando a melhor negociata.
Quero viver num país onde o jogo não seja jogado na arena sigilosa de vazamentos ilegais sem debate público.

Quero viver num país onde os monopólios de mídia não possam ser usados politicamente e exista pluralidade.
Quero viver num país onde o cidadão não seja grampeado e seja levado de sua casa às seis horas da manhã de modo arbitrário.
Quero viver num país onde a educação não permita que as pessoas agridam as pessoas que pensam diferente.

Quero viver num país onde ladrões não julguem uma presidenta eleita.
Quero viver num país onde um juiz supremo não sente em cima de um projeto que ataca a fonte da corrupção mais torpe.
Quero viver num país onde a concessão pública não prepare a queda dos eleitos falando de crise e corrupção.

Quero viver num país onde a Polícia não faça campanha política.
Quero viver num país onde a lei valha para todos e a justiça não tenha partido.
Quero viver num país onde a palhaçada seja feita no circo e não por membros da Polícia, Ministério Público, juízes, PGR ou qualquer outro poder supremo.
Quero viver num país onde a presidenta eleita continue no cargo até outra decisão popular.


Afonso Lima 

30 dias antes da vergonha

Depois de um giro pela rede, TV e rádio a sensação que se tem é de que a crise existe: falta inteligência no Brasil. É a rádio do estado praticamente dizendo que Dilma é histérica e o processo de Curitiba uma normalidade plena. É o comentarista advogado na TV mais imparcial dizendo: “olha o que esse cidadão (juiz Moro) está fazendo pelo Brasil... é fácil ser pedra, difícil é ser janela”. Então, por que jurista andou pedindo a prisão dele?

Uma rápida olhada no passado colonial nos lembraria que tem coisa que vem desde Brasília:

“Na rodada seguinte de expansão, que é o Programa Grande Carajás, ainda na ditadura... vão construir uma ponta de organização do setor, o lugar em que você pode trazer as construtoras, que vêm para o Maranhão para tocar as obras. Você tem o esquema das construtoras, das licitações pra conseguir esses contratos, e a contrapartida em termos de financiamento de campanha”. (Dória, Palmério. Honoráveis bandidos. São Paulo: geração editorial, 2009)

O que garante uma estabilidade democrática?

Entre outros fatores, a imparcialidade da lei e a publicidade dos fatos discutidos com pluralidade. Ambos parecem em falta. A operação Lava Jato só na aparência tem a ver com corrupção; parece - ainda mais depois desse ato desesperado de evitar a posse de Lula como Ministro cometendo crime - um plano de "impeachment preventivo" Lula-2018.

Imparcialidade – Alguém se lembra que Youssef foi que operou com Mr. Big ou Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro das campanhas do PSDB, o coletor de contribuições milionárias para os tucanos e depois – como diretor da área internacional do BB, indicado por FHC - ajudou a usar recursos públicos para as privatizações?

“Em quatro anos, entre 1996 e 2000, Mr. Big teria remetido uma montanha de dinheiro com a altitude de R$ 20 milhões (para contas de Alberto Youssef e Dario Messer, doleiros, na agência nova-iorquina do Banestado). (Ribeiro Junior. A privataria tucana. São Paulo: Geração Editorial, 2011, p. 93).

Mas a operação só foca na Petrobrás, certo e naquela fase na qual os aportes à estatal aumentaram, ou seja, depois de Lula.
Se agora o Brasil parou é porque também o PSDB ajudou sendo uma oposição intransigente. Chegaram ao cúmulo de parar qualquer votação enquanto não fosse votada a comissão de impeachment.

Ainda: “O ex-tesoureiro das campanhas do PSDB recebeu propina de Jereissati, um dos vencedores no leilão da privatização da Telebrás”. Ou: “O dinheiro público financiava a alienação das empresas públicas... a gratidão expressa-se zelosamente nas campanhas eleitorais do PSDB”.
(Ribeiro Junior. p. 65).

Um economista vem dizer que “se esse governo não cair”, “em permanecendo esse governo”... (A crise da China jamais foi lembrada como causa; que, em 2015, um em cada cinco portugueses estava abaixo da linha da pobreza). 

Então são os donos de ações que decidem se um país cai ou não num estado de exceção? A vergonha internacional de ser uma república das bananas onde a oposição não gostou e não deixou governar é desculpável porque “o mercado” ficou contente?
Até o pobre amigo Kotscho, cansado de guerra, chega a dizer que é melhor uma saída, qualquer saída. Qualquer não, amigo.

Um deputado da suposta base aliada, do PMDB-aquele, vendo cifrões já afirma: “Com tanta corrupção e crise. Se trata mais agora de defender nosso país”. É um Maluf de 30 anos.
Nosso diretor geral do golpe, digo, comissão, assegura que tudo está muito dentro da legalidade, pelo rito, etc. Ah, bom.

Até o presidente da Associação dos Magistrados Conservadores de Primeira Instância vem dizer da grandeza e bravura desse sujeito curitibano, de quanto é normal levar pito por “comprometer a segurança nacional” vazando a presidenta.
É uma vergonha que a OAB, que já foi a luz da consciência pública, pareça ter embarcado numa onda conservadora apoiando o impeachment risível.

O pior de tudo é que, se em 13 anos conseguiu-se acabar com a fome, construir casas, criar cotas, criar universidades, as togas, como se dizia na família Sarney, não são “nossas”. O PMDB como partido nacional, mesmo que fragmentado, ainda assusta por poder subitamente, tornar-se um furacão neoliberal como o governo Sartori no RS. A população opta por partidos nanicos com discurso moralizante e simplista, dada que a estrutura do ensino, estadual e municipal, ficou na mesma e o grau de informação da população é baixíssimo. Junto a isso, as Seis Famílias Irmãs mandam em 200 milhões de corações e mentes com suas verdades.

O último que elegeram com esse discurso eletrônico confiscou a poupança de todos os brasileiros e teve gente se matando.
A vida é outra nas redes, é claro. Houve, por fim:

"O Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo protocolou nesta quarta-feira, 23, uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz federal Sérgio Moro."

Pensando bem, com tanto massacre sobre crise e corrupção é incrível que a maior inteligência esteja nas ruas, com as pessoas dizendo: “Não vai ter golpe”.
Em 30 dias uma presidente eleita pode ser destituída por um corrupto histórico e seus aliados.


Mas quem se importa? 

Afonso Lima

Maranhão amanhã?

Maranhão Maranhão
Eu te amo minha paixão
Se não estrela e manhã
Pelo menos Academia de Letras

Maranhão Maranhão
Povo imigrante sem pão
No horizonte um projeto
Maranhão exportação

Tudo tem lado de cá
E de lá, assim é Maranhão
Brasil, Carcará
Brasil, cachaça louca

Maranhão Maranhão
Sempre na vanguarda
Tenho a terra, o mar e o jornal
E até toga comprada

Maranhão Maranhão
Sempre uma inovação
Até golpe judicial
Tem que exportar Maranhão





Afonso Lima

domingo, março 20, 2016

NYT, o grão de areia e a corrupção estrutural

É interessante notar como os gringos têm dificuldade em entender a complexidade e especificidade da política brasileira - o NYT diz que os argumentos de Dilma para sobre o documento da posse de Lula como ministro são ridículos.

Nossa democracia não chegou ao ponto de que o controle social tenha se efetivado e a lei valha para todos. Nosso Parlamento simplesmente não representa a maioria, mas minorias de grande poder econômico. 

a) o que ocorre está dentro de um contexto de mais de uma década de distribuição de renda. O plano de Dilma de incentivar o capitalismo ajudando as indústrias falhou; agora eles ajudam no golpe. (A disseminação irresponsável de suspeitas de corrupção enfraqueceu o PT - seu partido de base (PMDB, composto de feudos) afiou as unhas e desistiu de um projeto de distribuição de renda (com raras exceções); venda a Petrobrás e nós seguramos (ou não) o impeachment, com ou sem fundamento). 

b) A corrupção do sistema partidário é maior que o PT e não temos dúvida de que cada município pode esconder muito. Não se pode admitir tamanha omissão dos agentes da lei. 

c) estamos num momento de insegurança jurídica e de partidarização do judiciário. 
A ver:

2012 - Cunha recuou, por exemplo, nas sugestões de indiciamento de cinco jornalistas e no pedido de investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel (Carta Capital) 
2013 - Procurador entra com ação contra chefe do MPF alegando prevaricação ao engavetar inquérito da Operação Vegas, cujos desdobramentos levam à prisão de Carlinhos Cachoeira (Carta Capital) 

20/3 - O nível de fanatização cresce. Nas redes, ódio e mais ódio. Houve sedes de sindicatos e partidos de esquerda atacados. Sintomático que um comentário em grupo de FB apresenta erros grosseiros como "vau", ao invés de "vão", mas tem muitos outros.


Rubens Kiko Vc deve ser beneficiado dos bolsa família e outras tretas deste governo de merda  Tu só podia ser uma bichinha vinda do teatro com mente comunista 
Vai trabalhar como as pessoas dignas o fazem


Esse fanatismo surge também da invasão permanente da mídia, sem pluralidade, quase sem regulação. 
Lembro:
- 1982 - Escândalo Proconsult - “O verdadeiro fiasco em que se envolveu a Rede Globo de Televisão durante a fase inicial das apurações no Rio de Janeiro torna ainda mais presentes as inquietações quanto ao papel da chamada mídia eletrônica no Brasil […]. Houve uma tentativa grave e inédita, posta a efeito pela maior cadeia de TV do país, no sentido de turvar o resultado das apurações e enfraquecer politicamente o candidato da oposição pedetista ao governo fluminense” (Folha de S. Paulo, 1982).
http://www.viomundo.com.br/denuncias/o-fim-do-jb-nas-bancas-relembrando-a-batalha-de-1982.html


Um amigo me comenta algo interessante. Sua mãe, mulher "simples", lhe disse: "Estão querendo prender o Lula por uma casa de pobre que dizem que pagou em três vezes? O preço é o mesmo das casas aqui no bairro".
É a sensação de muita gente. 

O STF já engavetou coisa maior. 

- STF engaveta denúncia contra Renan há 3 anos

O lobista de uma grande empreiteira (Mendes Junior) entregava à jornalista Mônica Veloso, em dinheiro vivo, recursos para custear a pensão da filha que tivera com o senador, num relacionamento extraconjugal. 
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2016/01/22/stf-engaveta-denuncia-contra-renan-ha-3-anos/

- Segundo Ferreira Júlio, o objetivo do esquema ia além dos contratos com o governo de São Paulo. Em um dos grampos, o lobista diz que o deputado Baleia Rossi queria ser ministro da Agricultura. A nomeação seria como ganhar na loteria: “Podem fazer muita coisa”.

http://www.cartacapital.com.br/revista/889/merendao-tipo-exportacao

Cada dia mais visível a inconformidade com uma eleição inconveniente para o sistema financiado pelo poder econômico. 

- Toda a crise atual, em parte verdadeira e em parte fabricada, decorre da revolta conservadora devido ao fato de a Presidenta Dilma ter cometido dois “pecados mortais” à luz dos interesses do “mercado”... e seus representantes na mídia, no Congresso, no Judiciário. O primeiro “pecado” foi a redução, ainda que temporária, das taxas de juros; o segundo “pecado” foi o apoio, ainda que tímido, à democratização dos meios de comunicação.
http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FImpeachment-golpe-de-Estado-e-ditadura-de-mercado-%2F4%2F33003

Fica pior, porque muitas ações foram tomadas nos governos Lula e Dilma para ampliar a autonomia da Polícia Federal, aumentar a transparência... 

- As medidas do governo Lula para enfrentar a corrupção tiveram início em 2003, com aprovação da Lei 10.683/2003, que criou a Controladoria Geral da União (CGU) e, em seguida, em 2004, a criação do Portal da Transparência. Em 2005, foi regulamentado o pregão eletrônico e em 2008 foi criado o Cadastro de Empresas Inidôneas (CEIS). Ao longo dos últimos dez anos muitas outras leis, decretos, portarias, foram instituídas. Em 2012 foi aprovada a Lei de Acesso à Informação. 

http://cartamaior.com.br/?%2FOpiniao%2FCombate-a-Corrupcao-nos-Governos-Lula-e-Dilma%2F30283 


E pior, porque muitos parlamentares da comissão de impeachment estão sendo investigados pela lava Jato.

Será o impeachment na Câmara uma forma de barrar investigações?


- Maioria da comissão do impeachment recebeu doações de empresas da Lava Jato

Segundo as prestações de contas entregues ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram R$ 8,9 milhões doados aos candidatos à Câmara ou a diretórios dos partidos que repassaram a campanha do parlamentar. Em valores atualizados, esse valor chega R$ 10 milhões.
http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/03/18/maioria-da-comissao-do-impeachment-recebeu-doacoes-de-empresas-da-lava-jato.htm 


O ex-governador Brizola disse em entrevista a Jô Soares uma vez que o que a TV fazia era focar num grão de areia numa praia. A corrupção mais perigosa para mim é a que destrói os países acabando com o investimento (em SP, a "oposição" do PSDB, que brinca de "perdi, não brinco" e parece pronta incendiar o país com a crise, investe 0,46 % do orçamento em cultura, e isso foi reduzido esse ano), entrando num sistema de dívida que remunera apenas juros, que acaba com a educação e cria castas de trabalhadores com salários baixos. É a corrupção estrutural.

Afonso Lima

http://hqdapaz.blogspot.com.br/



sábado, março 19, 2016

Sereias

o que é um poema
num dia como hoje
meu verso é desfazer
as trevas
com as armas que eu tenho
que eu não aceite tudo
que eu queira cuidar do mundo
que eu possa aceitar meus erros

eu renego o acordo
renego a certeza, segurança da isenção
renego tua lei que não é justiça
o poder do verbo empalhado
renego o verde e amarelo de fachada
quebro o decoro, grito pelo direito
de seguir o rio
de uma nova beleza inimaginada
impossível mar

o que é um poema
quando meu povo ainda rima com miséria
ainda na rua, ainda, esmola e
em pedra fria na grande cidade
apanhando da polícia
vendo a lei levá-lo à prisão injustamente
e sai lentamente dessa lama
ouvindo o escárnio dos velhos senhores

o que é um poema
sem uma posição e minha sede
novas palavras, de vida para todos
eu invoco a força de Pagu
eu invoco a força da floresta
toda a utopia que não se realizou
esperança sem trabalho é loucura
e o oposto é tolice

o que é um poema
num dia como hoje
em que damos as mãos cheios de esperanças
e sonhamos sonhos conquistados lentamente

o samba não pode morrer
o fruto tem que explodir
não quero o canto da sereia
outra nossa amizade na dança
quero aliança, as flores da matemática
quero a revolução da cabeça

Afonso Lima

quarta-feira, março 16, 2016

Noite e Neblina - golpe, ilegalidade judicial e a delação premiada de Delcídio do Amaral

O que mais a direita precisa agora? De crime de responsabilidade envolvendo a presidente para começar o impeachment e do nome de Lula para que ele não se eleja. Chegamos a um nível máximo de factóide: o que diz Delcídio sobre Dilma? Que "tentou interferir nas investigações da Lava Jato".

Lewandowski já negou. "O presidente do STF esclarece que sequer teria poder decisório sobre o caso, que estava sob relatoria do ministro Teori Zavascki." (Brasil 247)

Parece completamente contraditório com o que sabemos dela até agora. "Dilma convoca Mercadante para dar explicações sobre gravação de Delcídio" - (Folha) - por que ela chamaria se fosse culpada?

E o Aécio Neves? "Delcídio do Amaral afirma que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), recebeu propina em um esquema de corrupção em Furnas, empresa subsidiária da Eletrobras." (CC) Então estão superfaturando obras e desviando recursos para financiar partidos políticos (na melhor das hipóteses).

"Para ganhar a adesão dos grupos de mídia, o pacto tácito incluiu a blindagem dos políticos aliados. Explica-se por aí a decisão de Janot de isentar Aécio Neves das denúncias do doleiro Alberto Yousseff, sem que houvesse reclamações do Grupo de Trabalho." (CC)

E o Serra? "Segundo o delator, a empresa do "primo" de Serra ficou com um valor entre 500 mil e 700 mil dólares por ter direcionado parte da propina de Pasadena. Preciado foi sócio e doador de campanhas de José Serra (PSDB-SP)."

O caso do Procurador Geral (PGR) é assustador. Estará participando de uma manobra para tirar uma presidente eleita?

"No caso petista, o dinheiro teria ido para a campanha de Dilma Rousseff, enquanto no caso do PMDB teria ido para o "grupo de José Sarney", que incluía o próprio Silas Rondeau e os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Valdir Raupp e Jader Barbalho."

Será que o PT, depois de tudo, ainda usaria caixa 2 para sua campanha?

O mais triste e que a justiça aparece como muito seletiva, em espacial o MP.

"Estranhamos não haver interesse da PF ou do Ministério Público Federal. Imaginávamos que, assim como na Lava Jato, iriam montar uma força-tarefa em razão do grande número de políticos envolvidos. Mas até agora não houve contato algum”, observa um dos investigadores" (CC)

Quem é o Delcídio?


"Por que dizem que Delcídio é “o mais tucano dos petistas”?

Por dois motivos: uma tentativa de filiação ao PSDB nos anos 90 e pela baixa simpatia dos seus colegas petistas em relação a ele. Em 1998, Delcídio assinou sua filiação ao PSDB, mas esta acabou não sendo homologada. Apesar disso, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Delcídio foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 2000 e 2001, quando trabalhou com Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, dois dos delatores da LavaJato. Em 2001 Delcídio se filiou ao PT, mas nunca foi muito querido por seus correligionários. Exemplo disso é a dura nota divulgada pelo presidente do PT, Rui Falcão, afirmando que o partido " não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade [com o senador]". (CC)

Vingança? "No final, o senador disse que concluiu achar melhor firmar o acordo de delação premiada porque "conhece o governo por dentro" e, por isso, "não sentiu qualquer firmeza nas promessas de solidariedade e de ajuda política que, eventualmente, receberia". O parlamentar cumpriu a promessa de vingança que anunciou, em dezembro do ano passado, ao não receber ajuda do PT.

Chegou a dizer que "se fosse outro o Governo", ele "poderia pensar de modo diferente" e não aceitar a delação.

E o sistema político?

"No ano passado, quando já estava sob a mira do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o chamado “clube do bilhão” repassou R$ 438 milhões para campanhas eleitorais... Para o juiz Márlon Reis, este crescimento representa uma tendência de aproximação mais efetiva das empresas com o universo político, independentemente de partido político. “Doações eleitorais já são uma corrupção por si só. A situação irá se agravar caso esse modelo de financiamento perdure”, argumenta o idealizador da Lei da Ficha Limpa e coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

Márlon admite que a Justiça terá dificuldades em distinguir quais doações foram legais e quais podem ser enquadradas como propina. Para o juiz, o financiamento eleitoral por empresas privadas, cuja proibição é julgada no Supremo Tribunal Federal (STF), é nocivo ao país. “Este sistema dificulta a condenação dos culpados, pois é preciso demonstrar a ilicitude do dinheiro e ainda o conhecimento prévio do candidato sobre o crime. O financiamento por empresas é uma verdadeira máquina de lavar dinheiro público”, conclui o magistrado. (Congresso em Foco)

A SMPB, uma das agências de Marcos Valério, recebeu também dinheiro da Petrobrás - na gestão de Fernando Henrique.

Ou seja, não eram apenas estatais mineiras envolvidas nos esquemas de Valério. As principais estatais federais, Petrobrás e BB, que sobraram das razias privatistas do governo, sempre fizeram "negócios" com o publicitário.
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Volto do almoço assustado com a TV e as conversas de senso comum.

Penso: qual o grau de nossa alienação? a) Usam o respeito que a população tem pela Polícia e Judiciário para esconder atos temerários. "Sérgio Moro rasga a Constituição e queima a Convenção Americana" - “Bandidos do colarinho branco devem ser rigorosamente punidos pelas suas pilhagens ao patrimônio público, mas tudo deve seguir rigorosamente as regras do Estado de Direito, sob pena de a Operação Lava Jato morrer na praia” (Luiz Flávio Gomes) b) Só o PT desviou algum dia nesse país (outra hipótese é aquele 30% do partido) e MP tem lado. c) massificação de opiniões jornalísticas que beiram a irresponsabilidade
A direita não dormiu nesses dez anos: a) ataca a corrupção, para paralisar a esquerda b) ataca a Petrobrás para poder privatizar c) Não deixa que haja debate, com vazamentos de trechos de processos sigilosos, com seu monopólio de mídia avassalador e aproveitando-se que a zelite não se preocupa com detalhes e a maioria ainda não teve acesso à educação. Mesmo assim, tenho esperança. "Todo mundo tenta, só Aécio é Penta" - Um povo que cria um slogan desses, nunca desiste.

Um post anterior:


Dá um google juiz Moro. Superfaturamento, cartel e financiamento do cimento são a cultura política? Vocês imaginam outra narrativa? O que nos vendem é que o Lula ameaçou a OAS pedindo uma mala de dinheiro, do contrário não haveria contrato...


- Ele disse que o cartel, chamado por ele de "clube" de empreiteiras que atuava nas licitações da estatal existe desde meados da década de 1990, período que abrange a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).


O documento registra, ainda, que a empresas investigadas na Lava Jato se "reuniam, ainda que inicialmente de uma maneira não estruturada, com o objetivo de discutir e tentar dividir os pacotes de licitações públicas 'onshore' da Petrobras no Brasil". (BOL)

Outro envolvido no esquema seria o ex-presidente do PSDB, Sergio Guerra, morto em março deste ano. Segundo Paulo Roberto Costa, ele teria pago propina a Guerra em 2009, para que o então presidente do PSDB esvaziasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretendia esclarecer as denúncias de corrupção na Petrobras.

Segundo Costa, Guerra o procurou e cobrou 10 milhões de reais para que a CPI, aberta em julho de 2009, fosse encerrada. O pagamento, que teria sido feito depois do encerramento da CPI, teria sido feito pela Queiroz Galvão.

Além disso, Leonardo Meirelles, um dos donos do Labogen, laboratório usado por Youssef para lavar dinheiro ilegal, disse acreditar que "o PSDB e eventualmente algum padrinho político do passado e provável conterrâneo ou da região do senhor Alberto" foram beneficiados nos desvios de dinheiro da Petrobras. (Carta Capital)

Nas palavras de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e delator da Lava Jato, não há doações legais no Brasil, mas sim "empréstimos a serem cobrados posteriormente a juros altos dos beneficiários das contribuições quando no exercício dos cargos". (CC)

16/3 - "Juiz liberou gravações (de Lula e Dilma) mesmo tendo recebido material captado após sua própria ordem de suspender os grampos" -

É quase inacreditável que um juiz de primeira instância não eleito mire numa presidente eleita com 54 milhões de votos - quase uma vingança por não poder prender preventivamente seu alvo político principal, o sindicalista candidato (#ImpeachmentPreventivo). O representante da lei participando de um complô político é algo surreal e mostra a confiança na na alienação pela mídia.

- "O procedimento do magistrado, típico dos estados policiais, coloca em risco a soberania nacional e deve ser repudiado, como seria em qualquer República democrática do mundo". (OAB/RJ)

Eu já vi isso. Foi no stalinismo. Rovai - "Escândalo: o grampo foi na sala da presidenta Dilma e não no fone de Lula Escute com atenção ao áudio divulgado pelo Cynara do dia em que o Lula foi interrogado. Atente para o fato de que antes de a secretaria de Dilma ligar, a conversa já pode ser ouvida.


Moro não pode grampear Dilma em hipótese alguma. Ela tem foro privilegiado."

Moro, grampo no Aécio (PSDB) - "Na época do mensalão tucano, em 1998, quem governava Minas Gerais era Eduardo Azeredo. A Folha cita que, de acordo com informações da Procuradoria Geral da República, houve desvio de R$ 3,5 milhões de estatais mineiras para a campanha eleitoral de Azeredo." (R7)

A lição que fica é que a maioria da população ainda não se sente representada nos espaços de poder: academia, mídia, Judiciário, etc. Nossa democratização foi pela metade.
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Ato de juristas na Faculdade de Direito da USP -

Ontem (17/3), um ato histórico reuniu estudantes, juristas, promotores, defensores públicos, advogados, movimento sindical e movimentos populares no Largo São Francisco. Histórico porque personalidades que lutaram contra a ditadura falaram em "estado de exceção" e "ruptura da legalidade". Histórico porque é a elite dizendo que basta, que ninguém está seguro se forem descartadas a presunção de inocência, o direito ao devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório. Mas quer saber? Quem sabe? O que sai no jornal é outra coisa. O que chega na massa é a versão simplória que, de tanto repetir, vira verdade. É aí que está a novidade desse golpe. Depois de lutas por voto, por inclusão social, por universidade mais diversa, agora se percebe o peso do direito à informação.

Um amigo me exclui do FB porque começou a postar coisas veementes contra a Dilma, que o recebeu há dois anos. Questionei e fui expulso. Fui expulso de dois grupos da USP imagino que por levantar o debate. Uma amiga na Europa, a quem mandei o texto acima, responde que "Lula é ladrão". Envio a matéria do advogado de defesa e uma sobre a inconstitucionalidade de Moro. Pede para pararmos a discussão. A guerra de informação está sendo travada em cada salão de beleza, em cada restaurante, em cada lugar onde tem uma TV ligada. É o ataque para paralisar.

O teor das conversas vazadas (são sigilosas, lembremos) ontem teve esse papel. O Lula fala palavrão. O prefeito diz "cidade de merda". São fumaça, mas servem para deixar as pessoas impressionadas: "Você viu o novo vazamento do Lula?". Se alguém é grampeado significa que errou, não? Se o próprio juiz divulga, deve haver algo aí...

O jurista Fábio Konder Comparato lembra que a participação popular nunca foi devidamente reconhecida e aplicada no Brasil (plebiscitos, referendos, iniciativas populares, etc.) e os oligopólios de mídia deviam ter sido controlados há anos - as seis famílias controlam tudo. "Todos os poderes deviam ser controlados, inclusive o judiciário" - afirma. Ao juiz de primeira instância de Curitiba, de quem foi pedida a prisão, foi atribuído "desprezo geral pela lei".

Sérgio Salomão Shecaira, professor da USP, fala do STF pressionado pela mídia, deixando correr o caso em Curitiba, mesmo quando, como no caso de Lula, a tese nada teria a ver com a Lava Jato. Da juíza da vara criminal de São Paulo remetendo o caso ao Sérgio Moro, "todo poderoso", sem se preocupar com as ilegalidades cometidas. "Antes dos advogados de defesa saberem do processo, a imprensa já os divulgou". O juiz Marcelo Semer afirma: "Temos de lembrar que, dos nossos 600 mil presos, quase 40% não foram julgados em última instância. Criou-se uma nova forma de prisão, a "prisão preventiva para delação". Afirmou-se que muitos juízes de primeira instância já começaram a prender indiscriminadamente. "Eu não suporto essa constituição, é só pra defender comunista e bandido - quantas vezes vocês já ouviram juiz dizendo isso?" O vazamento de conversas privadas vai contra a "cláusula pétrea" que é o direito à privacidade.

A Associação Nacional de Defensores Públicos (ANDEP) lança nota dizendo que a situação em que o processo penal e a presunção de inocência são violados deve piorar em muito a defesa dos menos favorecidos. Os 240 promotores de justiça do MP de diversos estados, que assinaram uma nota, pedem a "defesa da ordem jurídica". Os diversos coletivos de estudantes falam da paralisação da economia, de prisões ilegais e derrubada de um governo eleito. A Associação Juízes pela Democracia diz que a figura do juiz foi deturpada, deveria ser alguém desinteressado e equidistante das partes. A CUT fala de uma sucessão de irregularidades, como juiz de primeira instância destituindo ministro, detenção arbitrária, presidente grampeada e vazamentos, agressões a sedes de sindicatos e à UNE, a venda do pré-sal como objetivo maior. A Frente Brasil Popular pede que os advogados estejam na marcha, pois pode haver repressão policial. "Eles estão revoltados por assinar carteira de trabalho para doméstica. Minha mãe criou dez filhos e nunca teve carteira assinada. O que esse povo não admite é ver negro pegando avião", diz o secretário adjunto de Igualdade Racial do Município.

"Nesse país, diariamente, os direitos são violados. A PM para as pessoas na rua, as mulheres são praticamente estupradas em fila em revistas vexatórias, invade-se a casa de morador da periferia, se um PM bater em alguém será dito que houve crime de desacato, crime de dano ao patrimônio, de desobediência. O Sérgio Moro não surgiu do nada. É uma cultura de descumprimento da lei e violação de direitos que foi se instalando entre os juízes."

Como a população vai receber essas informações?


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18/3 - Você já pode ser Angela Davis -


Censura Judicial na CBN -

- "Pessoal, infelizmente após duras críticas ao Moro e ao Golpe em minha coluna na CBN, um juiz pediu cópia do áudio para abrir inquérito. A censura está começando. Preciso urgente de um contato com algum advogado de João Pessoa. Temo por arbitrariedades."

(by DCM)


José Henrique Artigas
21 h ·

Pessoal, infelizmente após duras críticas ao Moro e ao Golpe em minha coluna na CBN, um juiz pediu cópia do áudio para abrir inquérito. A censura está começando. Preciso urgente de um contato com algum advogado de João Pessoa. Temo por arbitrariedades.

Afonso Lima



19/3 - A situação degringolou, mas o povo foi para a rua.


O Ministro do Supremo, Gilmar Mendes, impede que Lula seja empossado ministro e o envia ao suspeitíssimo juiz Sérgio Moro. Aquele que vazou conversas privadas de Lula para gerar tumulto no dia da posse. (A Lava Jato diz que foi o procurador geral, Janot). Pior, colocou lenha nas ideias bem delirantes sobre impeachment.


- Para os investigadores e para a oposição, a fala de Dilma comprovaria que o diálogo é uma tentativa de Dilma de evitar uma eventual prisão de Lula. Se Moro determinasse sua detenção, segundo essa interpretação, o ex-presidente apresentaria o termo de posse e poderia se livrar da cadeia – como ministro, Lula terá direito a foro privilegiado, e seu caso será analisado pelo Supremo Tribunal Federal e não mais por Moro. (Carta Capital)


No Congresso, a Comissão de Impeachment se articula.


- PRB, PMB e Rede Sustentabilidade ainda não decidiram como votarão. O deputado Édio Lopes (PR-RR) também não definiu posição. São 5 votos que, em tese, podem definir o resultado. (EBC)


Só essa massa nas ruas pode fazê-los parar. Mas tirar Dilma agora seria ótimo para o presidente da Câmara, investigado até o pescoço.


A OAB declarou-se à favor do impeachment. Mais um golpe na Justiça.


- Em miúdos, a representação máxima dos(as) advogados(as) no país trilha caminhos que refletem a escalada visível do conservadorismo crescente em nossa sociedade. Serão três anos de presidência que sinalizam um passo atrás para os direitos humanos e um embaraço para a democracia brasileira. Mas que certamente renderão frutos eleitorais para o futuro candidato da direita do país.

(Rodrigo Lentz, Carta Maior)


Ou seja, a sociedade mudou, mas ainda estão no Judiciário pessoas identificadas com o privilégio, que não se isentam de agarrar-se em minúcias e suspeitas para distorcer a vontade do povo. Ainda, a mídia, concentrada em monopólios, gera uma histeria de massa perversa. Desde 1988 esperamos a regulamentação da proibição constitucional aos oligopólios e monopólios de mídia.

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TUCA - intelectuais reunidos contra o golpe - https://www.youtube.com/watch?v=9IwmRlY4d70


Grampos ilegais - http://www.conjur.com.br/2016-mar-16/moro-divulgou-grampos-ilegais-autoridades-prerrogativa-foro


Manifesto do Tuca - já foi assinado por mais de 700 personalidades.

A nação brasileira lutou muito para construir um Estado democrático. Em uma ditadura, o poder de Estado é usurpado para perseguir, forçar depoimentos, prender e torturar cidadãos. Uma democracia não pode permitir que os representantes do povo e os guardiões da lei ajam fora da lei. O povo brasileiro já escolheu em que regime político viver.


Antes de todos os cidadãos, os guardiões da lei – juízes, promotores, policiais – devem se submeter ao princípio da legalidade de seus atos e são constrangidos por ritos processuais. Sob pretexto de defender o cumprimento da lei, não podem desrespeitá-la. A luta contínua contra a corrupção é fundamental para assegurar o caráter republicano do Estado, mas não se combate corrupção corrompendo a Constituição.


O juiz Sérgio Moro faz da exceção uma nova regra: com a justificativa de que investiga poderosos, abusa dos poderes à sua disposição e convoca espetáculos escandalosos na grande mídia em que cidadãos intimados ou investigados, às vezes sequer acusados, não são presumidos como inocentes.


Cidadãos são intimidados com exposição espetacular de suas conduções coercitivas e detenções ditas provisórias, em operações vazadas para a grande mídia. Prisões justificadas pelo suposto perigo à ordem pública representado pelo prisioneiro tornam-se pretextos para forçar delações extraídas sob ameaça da extensão da detenção e com o prêmio da liberdade em vista. A validade dos depoimentos não é prejudicada pelo uso de métodos que se assemelham à chantagem e à tortura psicológica?


Tamanha arbitrariedade reforça e ao mesmo tempo reflete a cultura de um Estado policial que trata ainda mais violentamente os cidadãos que não considera poderosos. É uma herança da ditadura contra a qual temos que reagir.


O abuso cotidiano ficou evidente com a condução coercitiva do cidadão Luís Inácio Lula da Silva, que não resistiu a uma intimação judicial porque sequer foi intimado. Todos os anos, milhares de brasileiros são conduzidos coercitivamente a depoimentos sem serem intimados pela justiça. O juiz Sergio Moro já determinou 116 conduções coercitivas cuja legalidade é questionável. A arbitrariedade só ficou mais patente neste caso por atacar os direitos de um ex-presidente que já se dispusera a depor voluntariamente na Operação Lava-Jato.


O argumento do juiz Sérgio Moro de que a condução coercitiva buscava proteger o cidadão público beira o absurdo. Se fosse para proteger a segurança, bastava uma intimação sigilosa. Ao contrário, o juiz Moro mais uma vez preferiu o espetáculo inquisitório ao respeito da lei. A arbitrariedade de seu ato induziu a violência que dizia querer evitar, além de ser abusivo em si mesmo.


Quem vai colocar um limite à arbitrariedade do juiz Sérgio Moro? Ele e seu padrão de comportamento estão acima da lei?


O direito de todos os cidadãos deve ser garantido e não atropelado pelos guardiões da lei. Os cidadãos, as entidades e organizações da sociedade civil abaixo, subscrevem este documento em defesa da ordem constitucional e contra o golpe às instituições democráticas.




http://www.m.vermelho.org.br/noticia/277760-1
https://www.youtube.com/watch?v=CQ4h5zt82kg&feature=iv&annotation_id=55a92e8a-0000-22d9-8071-94eb2c061b6c&src_vid=-KmNR2dJHPs
http://www.ocafezinho.com/2014/01/24/petrobras-de-fhc-deu-dinheiro-a-marcos-valerio/
http://jornalggn.com.br/noticia/lava-jato-tudo-comecou-em-junho-de-2013
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/221218/Lewandowski-nega-conversa-citada-por-Delc%C3%ADdio.htm
http://www.cartacapital.com.br/politica/como-a-lava-jato-foi-pensada-como-uma-operacao-de-guerra-5219.html
http://www.cartacapital.com.br/revista/892/agentes-caolhos
http://jornalggn.com.br/noticia/como-delcidio-do-amaral-se-vingou-de-mercadante


http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/217910/Nassif-%E2%80%9CO-MPF-se-tornou-um-partido-pol%C3%ADtico%E2%80%9D.htm

http://noticias.r7.com/brasil/investigacao-sobre-contratos-de-aecio-com-empresas-de-marcos-valerio-segue-sem-conclusao-diz-jornal-15032014

sexta-feira, março 11, 2016

rota

Alguém em algum lugar
faz alguma coisa e tem
um motivo.
Os carros
velozes a noite,
chuva meus sapatos
molhados o duro mundo me
cerca

luta e a noite vazia de tudo
poesia porque existe
isso beleza?
um café quente
a minha é um tipo de incompreensão
ampla, o feio perde seu nome
é algo com três pontinhos

não posso com verso
quero abrir os átomos e ouvir o som
alguém se move no espaço-tempo
as ondas me pegam

agradeço
os mestres eles que me deram
imagens de viver rota
eu caminho pelas folhas
sim faço ver com linhas
não posso com o tempo
comum quero o belo nos dias
de guerra

alguém pula no espaço-tempo
e as ondas me
atingem beleza
é coisa de outra coisa
quando sinto o que entendo
perco o tempo, sonho o significado
quando a coisa se contempla
tocar as pobres coisas
com meu silêncio


Afonso Lima



terça-feira, março 08, 2016

Barca

Filha já com 11 anos é hora de conhecer o que teu pai pode fazer belas curvas é tanto rio tem aquela mulher que bate no menino que não vende as coisa dela mas eu não é o bingo da prefeitura é que tua mãe já fez isso é que chega o barqueiro pega teu papel anota o número de vezes e depois nós comemos é tanta curva tanto rio um dia você fica velha um dia você vai ganhar a vida sozinha. 

Afonso Lima

segunda-feira, março 07, 2016

Navio

árvores de pedra
floresta de pedra
caminha o homem até o alto
carregando as moedas no saco
trabalho vão, reinício

No templo San Giovanni o marinheiro chora
perdeu a bússola e a vela
as leis são escadas assombradas

A Rainha do inferno lhe passa a mão na testa
o mar negro no sonho
"Não tenho mais alma, eu a perdi na multidão

Paz significa cama quente e comida boa
paz significa lar, água limpa, sono tranquilo
significa a flor e a espada
não nascemos para a resignação
paz que brota com espinhos
a alma é morta quando o corpo é morto

Afonso Lima

Do deserto

Dia de chuva. Sentam no banco.
- Todos sabem que a mulher e o índio são puro sentimento, nada tendo de razão. Não podem participar da sociedade política.
- Mas o senhor acha certo levar a civilização pelo sangue?
- Eu quisera ter a confiança dos senhores de que educando a alma rude ela se civiliza...
- O tempo nos mostrou que a bruteza e a violência impedem a evolução.
- Expor doutrinas... A conversão vale a pena? Um esforço imenso.
- O índio, instável, não será convencido pela razão.
- Não?
- Antes, a ordem temporal, depois a alma.
- Imagina um cacique impedir a união do estado.
- Também nós pensamos que antes é preciso a sujeição.
- Alguns autores na capital acham que é preciso integrar. Não. Conquistar porque não há como. O deserto é uma missão.
- Muito espertos, eles têm alma. Dentro da selvageria há razão e a razão é ambígua.
- Queremos o fim dos caudilhos. Ainda desejamos a república.
- Nosso rei unificou nosso território.
- Dizem que é a raça anglo-saxônica que garantirá a civilização. Sempre carregaremos o fardo de mulheres, analfabetos e miseráveis.
Um índio corre de dois homens armados. Ele é despido e açoitado. Morre no sangue.

Afonso Lima

Drama

Você não pode me deixar. Nosso amor é maior que isso.
- Até quando eu vou aguentar? Eu faço sempre a mesma coisa.
Lembre dos momentos que vivemos. O por-do-sol na baía aquela tarde. Um amor eterno não pode acabar assim.
- Eu virei um estereótipo. Isso achatou minha vida. Todo dia, todos os anos, eu digo as mesmas coisas. Eu tenho o mesmo sentimento. Eu funcionei como um rosto bonito que desperta empatia, mas estamos reprimindo as pessoas. Estamos alimentando sua inércia. Eu quero acordar e não quero.
Seu lindo rosto, tão meigo. Somos uma só alma. Eu fui um idiota. Eu tenho ciúmes de você. Você é meu sol e minha lua.
- Escondemos algo, escondemos o conflito no âmago da vida. À noite, nós fabricamos as pessoas, a unanimidade na sala de estar. Nossos conflitos, nossos gritos, nossas lágrimas subestimam, criam uma falsa paz, não incorporam a sombra real, não ajudam a vencer, são pré-fabricados. Eu podia tomar uma coisa. Eu podia comprar outro apartamento. Eu queria uma tempestade de verdade, raios de verdade, talvez uma vida mais improvável.
A chuva nos seus cabelos. Você é uma deusa. Case comigo vamos esquecer o passado, nosso amor é para sempre.

Afonso lima

sábado, março 05, 2016

verdade

a nobreza nasceu ontem
ela suou, conquistou, tem casa própria
e defende a moral
a nobreza não quer perder tempo
a nobreza quer diversão, um copo na mão e mulherada
a nobreza quer ver GNT
aprende sobre a vida em séries de TV
é complexo demais esse lance de direitos
a nobreza acredita em vilões e mocinhos
a nobreza gosta quando se confirmam suas crenças
a nobreza não tem paciência para dados de distribuição de renda
o mapa é chato, melhor é o inseto
a nobreza pensa que tudo pode continuar como está
a nobreza tem preguiça de ver a violência mecânica
a reação é um ato de desrespeito
pax urbana, pax americana
está disposta a ceder à força para atingir a paz
a nobreza acha que merece estar tão bem
é preciso levar a civilização aos bárbaros
a nobreza não quer perder tempo com a verdade

Afonso Lima

sexta-feira, março 04, 2016

Nas trevas

os bichos azul
geométricos
e as laranjas sol
não
um café
terra e tradição
nas pinturas das igrejas
ouro preto e ócio do
luar
entre as pessoas
não há diferença
o verde segregação
do condomínio
aço-art contra
parede-pixo
quero meu direito
a digerir letras
imaginar paisagens
objeto não-desejável
instinto intelectual
de relacionar

mas em algum lugar
em algum mar alguém
a música dos bichos
o ócio como linguagem

Afonso Lima