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terça-feira, julho 26, 2011

Caro e contra a população

A Operação Urbana Água Espraiada previa túnel de 400 metros em 2001. Em 2007 Kassab apresentou projeto de túnel de 4,5 km e custo de R$ 2 bilhões, o qual preenche a mesma função de ligação que o túnel inicialmente aprovado, da Roberto Marinho até a Imigrantes.

Nessa proposta as desapropriações aumentaram exponencialmente e já se percebia que o foco era a liberação de terrenos faltantes aos agentes imobiliários. Em 2008 o traçado foi reduzido para 3,7 km e o custo aumentou para R$ 2,7 bilhões.

Agora, em 2011, o projeto final prevê redução de traçado para 2,7 km e aumento de custo para R$ 3,7 bilhões. Em cinco anos da perversa administração Kassab, apoiada por vereadores que traem seus eleitores, temos aumento de custo linear do túnel de 208%.

E a Câmara Municipal, ainda assim, o aprova! Já há superfaturamento? Temos aqui mais uma manifestação do urbanismo kassabista de extrema-direita, sempre em benefício dos agentes imobiliários - custe o que custar em valores monetários e em direitos dos paulistanos. Isso tem de acabar já!

SUELY MANDELBAUM, arquiteta urbanista

São Paulo

segunda-feira, julho 25, 2011

No dia 27 de julho próximo, quarta-feira, será o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI contra a lei da Concessão Urbanística (L.13.917/2009) que permite ao particular fazer desapropriações com o pretexto de implantação de um plano urbanístico para depois fazer empreendimentos imobiliários nos imóveis desapropriados e lucrar muito com isto.


Os proprietários dos imóveis ficariam fora deste processo. Seria um precedente terrível e colocaria por terra o direito de propriedade, uma vez que a desapropriação é prerrogativa exclusiva do Poder Público, com exceções muito delimitadas.

Esta Concessão Urbanística está em vias de ser aplicada no Projeto Nova Luz de interesse da Prefeitura e do mercado imobiliário.

O julgamento é público e será no prédio do Tribunal de Justiça que fica na Pça Clovis Beviláqua, ao lado da Catedral e da Praça da Sé.

Iremos vestidos de preto para marcar nossa presença.

Quem ajuizou esta ADI:

Autor: Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos No Estado de São Paulo - Sincoeletrico
Advogado: MARCELO KIYOSHI HARADA
Réu: Prefeito do Município de São Paulo
Advogado: Celso Augusto Coccaro Filho

Haverá manifestação na rua a partir das 10h.

domingo, julho 24, 2011

São Paulo na UTI

JOSÉ RENATO NALINI


Não é só o poder público o responsável: a cidade é de todos, e nenhum cidadão está liberado de se empenhar no processo de sua recuperação


A cada manhã, o paulistano acorda com notícias terríveis.
Mortes no trânsito, explosões de caixas eletrônicos, tão fácil obter material explosivo! Arrastões em restaurantes, sequestros, furtos e roubos de carro. Chacinas de jovens recrutados pelo tráfico, homicídios a esclarecer e vinculados a "queimas de arquivo".

Vive-se um clima de insegurança, a gerar difusa sensação de desamparo. Adicione-se a deturpação do esforço da Justiça Criminal com os "mutirões carcerários".
Explora-se a desconfiança no retorno do egresso ao convívio social e reforça-se a convicção de que aumenta a impunidade.

Não são os únicos dados em desfavor da vida paulistana. Há também o exagerado aumento dos moradores de rua. São milhares, a ocupar todas as regiões da cidade. Acena-se com o seu cadastramento, paliativo insuficiente. A legião é heterogênea: há os desempregados, os portadores de anomalia mental, os drogados. Não há como sustentar o direito a "morar na rua". Via pública se destina à circulação.

Outro indício de cidade enferma é a sujeira. Se a produção de lixo é maior do que a de outras urbes de análoga dimensão mórbida, como deixar de concluir que o paulistano está em deficit de consciência ambiental? Fealdade transparece ainda na pichação, sintoma de metrópole mal amada. Não é reconhecida qual instância de acolhimento.
O vilipêndio com agressões estéticas é próprio a quem não nutre o sentimento de pertença.
Esgarçados os laços de solidariedade, prolifera a violência. O trânsito é o fenômeno mais típico. Além dos acidentes, o estresse de caótica paralisação e congestionamento, algo provável a qualquer hora.

Tudo sinaliza a situação agônica do convívio na megacidade. O otimista dirá não ser assim. Muita coisa ainda funciona, a despeito das disfunções. Todos os dias, milhões acordam longe do trabalho, servem-se de péssimo transporte público, perdem horas no trânsito, ganham mal e, a despeito disso, se comportam com civilidade.
A capital bandeirante paga por seus erros. Fez escolha equivocada ao mutilar sua paisagem, ao sepultar seus rios, canalizar seus córregos, impermeabilizar seu solo, arrancar suas árvores, secar suas várzeas. Nada poderia resultar de bom dessa política de arrasa-terra.

Persiste na vocação ecocida e dendroclasta, desrespeita sua história. Elimina marcos arquitetônicos. Desestimula a preservação, demole parâmetros e torna a população carente de referenciais.
A opção preferencial pelo automóvel desprezou o pedestre, ser miserável, posto a respirar gás carbônico e partículas cancerígenas. O ciclista é também insultado, ameaçado, atropelado e morto.
Tudo vai desaguar em apatia e resignação. Fraturados os laços simbólicos, descrê-se da política e das instituições. Presságio de uma sociedade enferma. Tribos distintas disputam o exotismo do insólito.
Algumas perseguem e espancam minorias. E pensar que São Paulo já foi uma cidade civilizada.

Quem a conheceu há poucas décadas o testemunha.
Hoje está na UTI e precisa de cuidados urgentes. Não é só o poder público o responsável. A cidade é de todos, e ninguém está liberado de se empenhar no processo urgente de sua recuperação.

JOSÉ RENATO NALINI, mestre e doutor em direito constitucional pela USP, é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de "A Rebelião da Toga", 2ª ed., editora Millennium
MENSAGENS DE CONTEÚDO EXCLUSIVO RELATIVO AO PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO E SEU PROCESSO DE REVISÃO. GRUPO DE DISCUSSÃO E ARTICULAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL.

sábado, julho 23, 2011

Adeus, Amy

Esses tempos eu li uma crônica, quando da visita da cantora ao Brasil. Elas ironizavam sua maquiagem ruim, seus cabelos, sua pinga. O que mais me chocou foi que tratavam a cantora apenas pelo aspecto cômico, a maluca, a sem-noção.
Essa, para mim, é a essência do provincianismo.
Eu levei um susto o dia que ouvi sua voz: uma linguagem própria, um swing, um vozeirão...
Agora que não haverá mais manchetes, ela brilhará como o gênio que é.




sexta-feira, julho 22, 2011

Suspeita paralisa compra de megaterreno pela prefeitura

Área declarada de utilidade pública foi comprada em maio por R$ 15 milhões

Administração Kassab planejava desapropriar o mesmo terreno pelo valor de R$ 62 milhões; Promotoria apura caso

ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

A Prefeitura de São Paulo interrompeu ontem o processo de desapropriação de um terreno de 175 mil m2 na zona leste que pretendia ceder para a construção de uma unidade da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
A paralisação ocorreu após o Ministério Público Estadual descobrir que o imóvel, declarado de utilidade pública pelo prefeito Gilberto Kassab em julho de 2010, foi arrematado por uma empresa privada num leilão público em maio deste ano por R$ 15,4 milhões, e a prefeitura planejava pagar R$ 62,1 milhões pela desapropriação.
O que se tenta descobrir agora é: A) Por quais motivos a Prefeitura de São Paulo não disputou o leilão público e pagou os R$ 15,4 milhões?; B) Qual o interesse da Mon Fort Administração de Bens Próprios Ltda. em comprar uma área tão grande se já era de conhecimento geral que o terreno seria desapropriado?
O terreno fica na avenida Jacu-Pêssego, em Itaquera, e já foi sede da falida Gazarra S.A. Indústrias Metalúrgicas.

PARTICIPAÇÕES
A Mon Fort Administração de Bens Próprios Ltda. está registrada na Junta Comercial de São Paulo em nome de Eric Cesar Briquet de Sylos, José Luiz Alves de Abreu e da Sampa Holding, empresa com sede em Amstelvenn, Holanda. Sylos aparece como procurador da Sampa Holding.
O capital da Mont Fort é de apenas R$ 10 mil. No auto de arrematação do terreno durante o leilão realizado em maio, na 32ª Vara Cível de São Paulo, a Mont Fort foi representada por Abreu, que tem participação de R$ 1 na sociedade da empresa.

OUTRO LADO
Na noite de ontem, a Folha procurou a assessoria de imprensa de Kassab para entrevistá-lo, mas a coordenação de imprensa da prefeitura informou que "ele já devia estar em sua casa" e, por isso, o único esclarecimento a ser prestado sobre sua determinação de suspender a ação de desapropriação da área era uma nota oficial.
Na nota, a Prefeitura de São Paulo informou que "a decisão foi tomada depois de o Ministério Público Estadual enviar ofício para a prefeitura questionando o processo de avaliação da área".
"Kassab determinou a suspensão do processo de desapropriação. A declaração de utilidade pública do terreno, no entanto, está mantida. Assim que a desapropriação for concluída, a área será cedida à Unifesp", continua a nota.
A reportagem não conseguiu localizar os representantes da empresa Mon Fort.
Caso queira sair do grupo, mande uma mensagem para fundador-plano-diretor@grupos.com.br ou para o moderador (moderadores-plano-diretor@grupos.com.br) 

quarta-feira, julho 20, 2011

ESTADÃO - 19/07

EM DEFESA DAS ÁREAS MUNICIPAIS

Mais uma vez o Estadão abriu espaço neste domingo para a luta dos paulistanos mais conscientes em defesa das áreas municipais e que o prefeito Kassab colocou à venda, com a desculpa de precisar do numerário para construir creches, uma balela que não se sustenta, pois o problema é de escolha de prioridades, em um verdadeiro crime de lesa município.

São moradores do Itaim-bibi, da Mooca, da Granja Julieta, além dos moradores da Zona Norte contra a derrubada de árvores da Serra da Cantareira. Eu ainda acrescentaria o imóvel da Rua Afonso Pena no Bom Retiro, que abriga a Defesa Civil da cidade e o da Rua Bresser com a Rua Itajaí, que abriga um importante depósito municipal.

As verbas utilizadas na ampliação das marginais do Tietê, ou na isenção de impostos ao Corinthians pra o seu estádio, a verba para a propaganda oficial entre outras tantas. Como bem disse o Sr. Pedro Felice Perduca, da associação de moradores da Mooca: "O sistema de captação de chuva é o mesmo, o de esgoto é o mesmo, as vias são as mesmas.

Só diminui o que precisamos, que são áreas que tragam qualidade de vida" A verdade é que o prefeito vem priorizando o transporte terrestre, principalmente o individual e o adensamento dos bairros, notadamente no entorno das estações do Metrô, que já anda trafegando com excesso de passageiros, perdendo muito da qualidade que lhe era peculiar.

O adensamento da população seria justificável se acompanhada de transportes públicos decentes, o que infelizmente não vem ocorrendo. Então faz-se necessário que essas associações de bairros se unam em uma cruzada única, inclusive com a participação de todos os paulistanos esclarecidos, saindo em passeata pelas avenidas, contra essas vendas prejudiciais à cidade.

As áreas que estão à venda são importantes não só no presente com o no futuro, pois se são desnecessárias para as unidades municipais, o que bastante discutível, deveriam ser transformadas em parques e não em mais espigões para aumentar os lucros das construtoras e diminuir nossa qualidade de vida.

Gilberto Pacini

São Paulo

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110719/not_imp746770,0.php

terça-feira, julho 19, 2011

Vitória da população: sem mais um espigão

Foi cancelada audiência pública do terreno da Rua Augusta x Caio Prado. Depois de repercussão...
Ou seja, o Parque, pelo qual lutam há 20 anos, ainda respira...

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http://www.samorcc.org.br/281_parque_augusta2.html

PREZADOS,
CONFORME COMUNICADO QUE SEGUE FOI CANCELADA A AUDIÊNCIA PÚBLICA PARA APRESENTAÇÃO DO PROJETO DE CONTRUÇÃO NO PARQUE AUGUSTA, segundo informações, a pedido da pp. Empresa, que ao nosso ver foi sensata, diante da negativa repercussão que o caso traria.
Acreditamos que o País está vivendo um importante momento e descobrindo o verdadeiro significado das palavras SUSTENTABILIDADE E GREENWAHING  e que a população é consciente e está alerta. 

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COMUNICADO DE SUSPENSÃO DE APRESENTAÇÃO PÚBLICA SOBRE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LOCALIZADO ENTRE AS RUAS CAIO PRADO, AUGUSTA E MARQUÊS DE PARANAGUÁ.

A pedido da própria empresa proprietária do terreno, que havia solicitado apresentação pública para dialogar com os moradores interessados, está suspensa a apresentação pública prevista para - hoje - 13/07/2011, às 18h.

Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente

sexta-feira, julho 08, 2011

TENDÊNCIAS/DEBATES

Imobiliária Prefeitura S.A.

JORGE EDUARDO RUBIES


Com a venda do "quarteirão da cultura", os políticos de nosso município perderam mais uma chance de mostrar que estão realmente a serviço do cidadão

Em meio ao festival de leis absurdas, inconsequentes e patéticas de autoria do Executivo, aprovadas a toque de caixa pela Câmara Municipal de São Paulo às vésperas do recesso de julho, é difícil apontar qual é a mais contrária ao interesse público, mas a venda do "quarteirão da cultura" do Itaim Bibi desponta como uma das favoritas.
Votada na calada da noite (às 23h30!), essa lei oferece de repasto à farra imobiliária -que dá sinais de iminente colapso- um oásis de beleza e paz num dos bairros mais áridos e congestionados da cidade.
Concebido nos anos 50 de acordo com o conceito de escola-parque, revolucionário até hoje, o "quarteirão da cultura" é um terreno municipal de 20 mil m2 com a maior densidade arbórea do Itaim.

Ele congrega quase todos os serviços públicos da região -duas escolas, teatro, biblioteca, creche, unidade da Apae, posto de saúde e Centro de Atenção Psicossocial-, reconhecidos por sua excelência e que atendem diariamente a milhares de usuários, sendo que alguns dos prédios foram recentemente reformados e reinaugurados com fanfarra pelo próprio prefeito.
O pretexto para sua venda e consequente destruição é a construção de 200 creches, o que não passa de uma farsa pessimamente encenada, pois dinheiro é o que não falta para tanto, a começar por verbas federais e estaduais disponibilizadas para a prefeitura e não utilizadas.

Sem falar no fabuloso Orçamento municipal de R$ 35 bilhões, suficiente para cumprir essa e todas as outras promessas de campanha do prefeito, desde que utilizado com um mínimo de eficiência.
De fato, é inacreditável que a prioridade da prefeitura seja a venda do quarteirão, e não o corte de parte das cerca de 30 secretarias municipais, das centenas de cargos em comissão, da verba para propaganda oficial (superior a R$ 100 milhões em 2010) ou dos R$ 191 milhões gastos em consultorias (que a Folha noticiou nesta semana)...
A pá de cal na farsa foi dada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que esclareceu que a eventual venda desse e de outros nove terrenos municipais só pode servir ao pagamento de precatórios.

E apesar disso, da abertura de processo de tombamento do quarteirão pelo Condephaat -que reconheceu o relevante valor histórico, urbanístico, paisagístico, ambiental e social do local-, do repúdio de grande parte da população do bairro e da sociedade à iniciativa, expresso em abaixo-assinado com 12 mil assinaturas, de um abraço no quarteirão que reuniu mais de mil pessoas e de diversos atos e manifestações, a prefeitura e a Câmara insistem na ideia.
Enfim, estamos sempre prontos a debater com as autoridades municipais acerca de nossa convicção da lesividade da venda do quarteirão, convite por elas declinado nas duas audiências públicas convocadas para discutir o assunto.

Não entrarei nos detalhes sórdidos, como a pressão a funcionários municipais que aderiram ao Movimento SOS Quarteirão do Itaim, mas vale sempre lembrar que o prefeito e mais de 20 vereadores da cidade chegaram a ser cassados em primeira instância pelo recebimento de doações ilegais provenientes de uma entidade de fachada do setor imobiliário.

Com a aprovação desse e dos outros projetos, os políticos do município perderam mais uma oportunidade de mostrar que estão realmente a serviço do cidadão, e não dos doadores de campanha.
Isso num momento em que, no mundo inteiro, a paciência do povo com seus supostos representantes começa a se esgotar. Afinal, a Grécia, a Espanha e o Egito também são, ou haverão de ser, aqui.

JORGE EDUARDO RUBIES é presidente da Associação Preserva São Paulo, coordenador do Movimento SOS Quarteirão do Itaim e coordenador-geral da União de Movimentos contra a Especulação Imobiliária e pela Ética na Política.


Rondó zero grau

Noite fria, brilho azul
Os cavalões podendo...
Nós, cavalinhos, comendo...

Eu uso duas meias 
(pretas)
Arrumas tua cama
Os cavalinhos correndo...
Meus pés de márrmore, o vento
O que é uma cidade?
Saia azul, meias feias
Zero grau
e tua casa de papel

Os cavalões correndo...
Os cavalinhos morrendo...
Você estará viva amanhã?
Poesia das formigas
Minhalma — anoitecendo!

Afonso Lima
CENTRO SP
Dá pra acreditar?


Uma verdadeira tragédia, abandono e descaso com o dinheiro público. O empréstimo do BID não foi quase nada usado e o planejamento anterior foi paralisado e abandonado. A prefeitura teve que pagar multa para o BID, prevista no contrato, POR NÃO TER UTILIZADO OS RECURSOS POSTOS A SUA DISPOSIÇÃO. Todo o esforço foi dilapidado e o nefasto abandono voltou a se apossar do coração da cidade.


quinta-feira, julho 07, 2011

45 minutos de terror




Acabo de ver "45 minutos", com o Caco Ciocler, com direção de Roberto Alvim. (Eu respiro fundo, tento ser racional, abalado pelo pouco - ou muito - que vi). A peça tem muito a dizer (mas eu não estou em condições de filosofar agora), mesmo se declarando a arte da enrolação: será que interessa ainda o ator com sua "empatia", seu enredo, sua "dramaticidade"? É maravilho o trecho sobre "opções" brilhantes de entreter...

Caco usa um espectro incrível de formas de não dizer nada, modula seu tempo em ódio, agilidade, pausa... É um dos melhores atores que tenho visto. (E o cabelão ajuda a esquecer o rosto da TV...)

A direção sabe usar com precisão o mínimo, recortes e direções de luz, cores, baixa luminosidade.

Mas o que mais me marcou foi o público!

Há muito se comenta da falta de classe nas sessões, é verdade. Só que eu nunca ficara tão perturbado. Parecia que a peça toda ia naufragar. Sem perceber a diferença entre um texto construído e um stand-up, ELE, sua majestade, dizia: "tá sem graça!", "ô loko", "dança de sunga!" e respondia a cada palavra com palavras - "simpatia?", "compaixão?"... ) O ator faz um gesto de repelir, com as mãos próximas ao rosto, alguém grita: "uí!!!"

Sem falar no momento em que propõe 30 segundos de risada e o público ri de forma histérica, parecendo um programa de auditório. A própria comicidade do texto (entremeada de neurose e dor) pressupõe momentos de concentração - lembra aquilo que as pessoas tinham quando abriam um livro? (Será que a educação pública decaiu, será?)

Caco ainda interage bastante, fugindo numa boa da forma proposta. Quando o ator aponta um revólver para a platéia, comoção geral, "Não faz isso!" Quando ele aponta para a própria cabeça, outros debates, acabou o medo. Parecia que Caco estava ali para realmente ser engraçado, e agora. Será que a culpa é da Rede Globo?


Lembrei de uma amiga comentando (deve ser exagero, amanhã) que a nova geração não sabe a diferença entre um enterro, um motel e um jogo de futebol (ou seja...) Chocado é pouco: quero a polícia!

Uns três celulares tocaram, depois de DOIS avisos, mensagens recebidas, uma moça comentou tanto a peça que praticamente foi um diálogo com o ator. Será que o público também é de atores, para me assustar ou provar a tese de que todo mundo virou hamburger? Parece um show infantil. Talvez agora só seja possível mesmo divertir.

Pode ser que amanhã seja outro dia. Mas eu não estou em condições de filosofar agora. Fica-se com a impressão de que era uma vez o teatro como o conhecemos, voltamos à época de Shakespeare, com seus tomates; só que nossa estrutura é ainda de uma "presença", "foco nessa nova realidade". Mais incrível porque o estilo "noir" de Alvim pressupõe já um público e uma etiqueta, de ouvir... ("Sei lá eu quem é Alvim?")


Talvez seja o ingresso popular, necessário, o que seria para educar, mas eu não vejo essas pessoas melhorando. Mesmo com o inevitável: "Ssss!" que veio lá depois do meio, a agitação não foi de forma alguma educada... É como se estivessem interagindo o tempo todo sem limites. Posso pensar que sem espaço público, a vida fica mais tensa, ficamos mais enjaulados, lutamos pelos poucos recursos, e, portanto, ficamos mais selvagens...

Por que motivo chamamos "comunidade" geralmente pessoas excluídas dos processos da modernidade? Ficamos só um "eu" frente a um "impessoal" (a peça usa essa palavra). O pequeno grupo - afetado nas duas pontas pelo capitalismo-sangrento, a produção infinita e o vício, a prisão a quem nada mais sabe vender - que regula, limita, inspira, sumiu, ficaram relações de troca rápida (aprendemos paralelamente, almoçamos juntos no domingo, trocamos bits, dormimos em quartos próximos...).

Que saudade do poder religioso que só queria reprimir! Será o Facebook, o fim da família ou a publicidade? Sei lá, quero meu ingresso de volta!

Afonso

A série que mostra sangue de verdade - vai ser vampiro no Estado mínimo... -
promete trazer de volta o Vampiro Bill - meio pálido na última vez - e fazer a protagonista (a ótima) ser mais que a Suckie. Quem sabe até fazer a Tara reviver (não vale o trucão do Egg, que parece história de última hora...)
Promete...

segunda-feira, julho 04, 2011

La máfia russa

Tudo começou há duas semanas - os começos tendem a ser lentos - quando minha professora deu um texto de Daniel Link, autor argentino, chamado "Fui um garoto de 8 anos" do livro "A máfia russa". Depois fui em uma palestra e ouvi de um inglês sobre "Mestre e Margarida", que comecei a ler. O tempo se acelerou: (fora o fato de eu estar num curso e conhecer uma pessoa que estuda Cortázar; na manhã seguinte uma amiga mostra o livro que está lendo -adivinha!- e outra quer que vejamos uma peça que acabou de ver baseada nesse livro! Eu leio um conto de Allan Poe e começo a ver o filme "Um bonde chamado desejo", quando a protagonista afirma nas primeiras falas: "Isto parece um conto de Poe"!) um professor conta sobre suas experiências na Rússia (adorou, principalmente as modelos disfarçadas de moças da limpeza), uma colega complementa (também adorou), na manhã seguinte, outra aula e uma amiga começa a contar as viagens para.... São Petersburgo! Então uma amiga, dois dias depois, manda um sms: "tem um programa bacana hj na bibl. s cult russa vc pode ir conosco?" Fui. Saí de lá com o frio da Sibéria.
Então, quando eu creio em bruxas, é empirismo.