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segunda-feira, novembro 30, 2015

Duplos

Ele dorme. Derruba a jarra de água.
Uma caravana chega a uma torre no deseto.
Seja bem-vindo, amigo.
Somos chamados de o inimigo interno. Até inventaram histórias macabras em que sacrificamos crianças.
Somos os três filhos de Abraão. Eles dizem que somos essencialmente violentos, mas foram eles que derramaram sangue em nossa terra. Se formos maus, eles podem nos roubar.
Acolha-nos, somos perseguidos. Eles estão na escuridão, são miseráveis, e agora desejam tomar o mundo superior imaginando-se os escolhidos.
Assim como os judeus que viram o Trono de Deus, o Poeta, na Noite, encontrou os profetas anteriores e foi abençoado para dar a mesma mensagem às tribos que nunca haviam tido um profeta.
Deus abençoe a Recitação e as riquezas do califado.
A jarra de água cai no chão sobre o tapete.

Afonso Lima

Alcebíades


Entra o dono da companhia, com atores.
Dono – Senhores, eu, que vim de Siracusa, aqui trago esse mimo, com um flautista e um dançarino, para alegrar a festa que nosso nobre anfitrião oferece ao belo Autolico, seu namorado. Enquanto a taça é compartilhada, peço que reflitam sobre a cena e o quanto ela pode ser semelhante com os dias de hoje. Ao final, prometemos a visão de Dionísio e Ariadne
Narrador - Neste tempo, Atenas ia perdendo sua guerra contra Esparta. Esta guerra, que começara quando os espartanos pediram ajuda para derrubar os muros de Itome, e acabaram censurando os atenienses por sua demora, ia degenerando em bárbara mortandade de irmãos. Alguns precisavam encontrar uma culpa para estar sendo punida pelos deuses irados. Os aristocratas censuravam os novos filósofos por trazerem incerteza ao mundo, por ofender a piedade, e entre eles, Sócrates, a quem o jovem Alcebíades, sobrinho de Péricles, belo, rico, de inteligência finíssima, defendia dizendo que somente este homem o fazia envergonhar-se e querer se corrigir de suas imperfeições. Neste contexto, Alcebíades decide defender perante a Assembleia do povo que a cidade levante sua frota em socorro da pequena aliada Segesta, na ilha da Sicília, atacada pela sua vizinha Selinunte. O general Nícias, veterano coberto de glória, se opõe à ideia. Diz que poderia ser responsável por um trágico acontecimento que marcaria o início da queda de Atenas.

Alcebíades - Meus caros irmãos. Não deixai que a aparência os engane: também eu não teria derramado lágrimas ao ouvir Sócrates se não tivesse desejado ir além da sua imagem de bufão e bêbado, a alma do sábio. Eu sou jovem, mas tenho buscado a sabedoria e celebro ritos com os líderes dessa democracia desde a infância. Lembro do caro Filectetes, herdeiro do arco de Hércules, mordido por serpente enquanto iam os gregos à Tróia, abandonado em uma ilha deserta por um duro Odisseu, a quem vão resgatar este e Neptólemo, filho de Aquiles, depois que um oráculo anuncia que Tróia só cairá pela força de seu arco. Nem sempre a justiça é fácil. É a força moral de Filoctetes, velho, doente e magro, que faz o jovem, enviado para iludir-lhe, em nome do dever e do interesse dos gregos, depois de ter lhe convencido a entregar o arco, mudar de opinião e ceder à compaixão. É o dever ao bem que me faz promover entre vós uma campanha perigosa, em nome da amizade que une duas cidades. Porque, como diz Odisseu, "é a língua e não as ações que tudo conduz entre os mortais". Um oráculo nos profetizou a vitória.
Nícias - Não te deixo prosseguir, língua imprudente. O mesmo poeta diz que os planos concebidos por um espírito perverso, é pela palavra que se revelam.

Alcebíades - Não respeitas àqueles que, tendo chegado em idade adulta, têm o mesmo direito à palavra e à liberdade? Não respeitas a sagrada aliança de cidades irmãs?

Nícias - Não se eles creem, como Odisseu, que a mentira conduz à salvação. Mentes para ti mesmo que tua ambição é dever e compaixão. As palavras dos oráculos não são claras para um espírito leviano. Tens nobreza, não nego. Mas, tuas palavras enfeitiçam a ti mesmo. Odioso nos animais é seu eterno apetite e, se choramos por Édipo, é por ter voltado ao tempo sem lei. Também a um homem que quer viver no ilimitado da criança censuramos.

Narrador - A Assembleia perguntava se não se opunham à Alcebíades por inveja. Sete carros de cavalos numa corrida onde ganhou o primeiro, o segundo e o quarto lugar nos jogos olímpicos de 424. Patrocinador de coros em representações de tragédias em Atenas. Foi declarado strategós, general eleito pelos cidadãos. Conduziu uma política ofensiva contra Esparta e conseguiu juntar algumas cidades como aliadas, preparando-se para reacender a guerra do Peloponeso.
Nícias - Desejas prosseguir a política de expansão, contrariando os conselhos do teu falecido tio, Péricles. A diplomacia vai salvar nossa cidade. Não foi para isso que fiz a paz com os espartanos.
Narrador - Tucídides narra seu discurso: "Não deixem que a política de passividade que Nícias defende, ou o seu esquema de colocar os mais velhos contra os mais jovens, vos leve a modificar o vosso propósito. Mas ajamos à maneira dos nossos antepassados, que, mais jovens e mais velhos em conjunto pelas suas decisões nos deixaram a herança que dispomos. Será que vocês estão empenhados em prosseguir desse modo? Lembrem-se que nem a juventude nem a experiência podem fazer alguma coisa, uma sem a outra. Resumindo, a minha convicção é que uma cidade naturalmente ativa não pode escolher um caminho mais rápido para a ruína se repentinamente adotar uma política de inatividade, e com certeza que de modo mais seguro vivem as cidades que menos se afastam dos costumes e das leis do seu tempo…”

Nícias – Para vencer, seria preciso gastar muito.
Alcebíades – Se Atenas fosse atacada, que dirias tu?
Nícias – Qual o motivo que o move? Seria agradar seus iguais, alimentados por ideais arcaicos?
Alcebíades – Queres que acreditem que somente o ouro e a política me fascinam?
Nícias – Não haveria razão em incendiar o ódio de Esparta.
Alcebíades – Meus amigos, vejam como ele muda de estratégia quando percebe que perde.
Nícias - Tudo para os novos sábios é achar o tempo oportuno
e a justiça depende da necessidade do dia
aprendeste de Górgias, a quem Olímpia dedicou estátua de ouro
que o real é uma batalha de contradições
e a língua encantada deve acalmar o espírito
tomando posição qualquer no eterno combate
possibilitando a vida, ainda que ilusória
essa ilusão curadora tu a aprendeste, e outras
magias perigosas que à juventude envenena

Alcebíades - Quem te ouve assim não imaginaria que deitaste o lado de Sócrates tantas vezes

Nícias - Amante do vinho, bem sabes que para nós
os deuses deram sua imagem apenas em belos corpos
como o teu, jovem brilhante, de bela linhagem,
mas o meio corrompe até o mais fino adorno
tua imensa capacidade carrega o mal ou o bem

Alcebíades - Também nós temos de superar os antigos
e marcar nosso tempo como Aquiles ao seu
como Minos, que dominou o mar e criou as colônias

Nícias - De que nos servirá uma fama da destruição? O que queres, no fim, é tentar que a Sicília fique sob o controle de Atenas.

Alcebíades – (para si) Maldito que sou, tomado pelas ondas do desejo
incapaz de conter-me, escravo da fome
confundido pelo corpo, amigo do ilimitado
instruído na infâmia por homens vis
desejando acima de tudo ser apreciado
quero fazer grande o nome de minha casa
como fizeram tantos combatentes nobres
mas duvido de mim mesmo e desejo desistir

Narrador - A cidade foi tomada de entusiasmo guerreiro. Havia guerra entre os comandantes da expedição. As estátuas de Hermes que Atenas, foram mutiladas, causando pânico. Alcebíades foi chamado de volta da Sicília para ser julgado e fugiu. A frota ateniense foi aniquilada. O maior desastre militar da sua história. 40 mil gregos foram presos. Um terço da população foi perdida e metade da frota destruída. O imperialismo de Atenas enraiveceu seus inimigos. Uma facção pró-espartana derrubou o governo democrático.

Dono – Se como dizem os antigos, o que segue a razão se opõe ao espírito, esperamos que essas diversões ligeiras aqueçam o fogo da inteligência. Alcebíades queria ser Aquiles e, por isso, destruiu sua cidade. Que Héstia nos lembre que proteger o fogo com atenção é o primeiro dever do cidadão. E agora, Dionísio e Ariadne.
Afonso Lima, nov 2015




domingo, novembro 29, 2015

Um muro

Antes, havia a restrição de não se aproximar do muro. Havia cercas e havia o bosque proibido, tiros e alarmes que soavam colocando as pombas desavisadas em pânico. Agora ninguém parecia disposto a alimentar uma pomba velha. Estava com frio e sua liberdade não ajudava. Então era assim? Os que estão bem estão bem porque combateram com mais coragem, foram mais fortes? Se tudo for difícil, os ganhadores ganharam. Ele não podia evitar a sensação de que alguém barrava seu caminho, de que podia ser muito mais, voar muito mais se tivesse um vento favorável. Encolhida perto da calçada, lembrava dos dias em que tinha comida, entregava mensagens para os ditadores. Agora os prédios estavam vazios, os homens pareciam marginais, as crianças não saíam de casa, não era seguro. A pomba fechou os olhos. 
Afonso Lima

sábado, novembro 28, 2015

As bestas

Maiorca, 1232. Nasce.
Agora seus pais têm uma terra, a reconquista.
Aprende árabe, estuda teologia cristã e muçulmana, prega.
Lê as fábulas das Epístolas dos Irmãos da Pureza Muçulmana, pensa em uma fábula.
Conhece Kalila e Dimna - versão árabe do Panxatandra indiano, duas versões: o livro que o rei Afonso X havia dado - traduzido ao castelhano - para a esposa do rei francês Felipe o Belo, que o traduziu ao latim, e a tradução de João de Cápua para o mais elegante latim, de 1278.
Decide ir até Paris pregar na universidade, escreve ao rei pedindo audiência. É recebido.
Após o fim cruzadas, em 1291, o cristianismo abandonou a Terra Santa aos infiéis, afirma, é preciso converter os tártaros para que destruam os Sarracenos. Pede a Felipe o Belo que envie embaixada ao Khã mongol da Pérsia, que simpatiza com a cruz, com ouro e presentes, expondo-lhe a necessidade de expulsar mamelucos da Síria e da Palestina. Também pede monastérios onde se aprenda a língua oriental.
Sua palestra é um fracasso. Tem um acento "arabista", dizem os doutores.
Ele retorna à sua ilha, funda um mosteiro, é chamado à Paris anos depois ("velho e pobre", como se descreve) para o grande Concílio, no caminho escreve um Livro no qual o mal conselheiro do rei, que o levara a prender o Papa e os templários, é retratado como raposa, o que lembra Kalila e Dimna. Morre aos 84 anos, quando suas afirmações sobre conselheiros fanáticos "não de Deus, mas do Estado" foram defendidas pelo jurista Pierre Duby, que escreveu Da Recuperação da Terra Santa.

Afonso Lima

quinta-feira, novembro 26, 2015

Bambee

Bambee sempre achara que Paraíso era imortal. Ele e toda a União da Estrela do Rio tiveram que subir para bem longe da lama que destruiu a cidade. As sereias e os seres invisíveis sentiriam muita dor. Seu pai está agora evocando, com o Sumo Sacerdote, os espíritos dos cervos ancestrais. Eles os aconselham a subir até a grande Torre e pedir ajuda ao deus das tempestades. Comem as folhas sagradas. As almas dos animais mortos se levantam do chão brilhante de restos metálicos para assombrar os homens gananciosos. Sobem até o castelo. O deus prepara raios. O pai se despede do filho, se transforma em nuvem negra e parte carregado de raios para dizimar a raça humana. 
Afonso Lima

segunda-feira, novembro 16, 2015

Depois da reconstrução

Estou vindo da reconstrução. Não merecia receber estilhaços e ver pratos e mesas voando durante o jantar.
Você está bem, deveria agradecer. Espero que o J. saia logo do hospital. Acalme-se, vou acender o aquecedor. Um jazz. Não podemos sair de casa.
Será que aquele inferno todo. Eu me sinto mal.
Mas os ideais por trás disso. Era uma ditadura, tinha a existência de armas, o terror jihadista.
Um governo opositor nacionalista. Nós lutamos sem saber ao certo.
E a tortura. Quem poderia imaginar que... um milhão de soldados.
Nós fudemos tudo. Acabamos com tudo. Desmoronou, eles não ia aguentar. Uma moça disse que antes não usava véu, agradeceu ironicamente. Sem tratamento de água.
Não se pode prever o mal antes. O mundo está mais inseguro, fazer o que. Marcas de sangue no chão.
E não teria sido um pouco propaganda? Gastamos mais com isso, gastamos bilhões.
A incerteza moderna. Prefere sushi ou pizza?
E nós estávamos lá, falando em contratação em meio ao caos.
Era uma reforma terceirizada. Pizza de quê?
Um milhão de dólares para deputados e senadores.
Vamos tomar um vinho. Você tem de ser menos radical. Você viu o que está passando na TV?

Afonso Lima

A jornada

você pode ficar aqui em casa.
estava escuro e. ótimo, estou cansado, obrigado.
e esse corte?
tive de passar pela cerca.
o homem louco. em nome de Deus.
sim, sim. sabe, estava tudo bem, até que fui preso sem motivo.
sem motivo, sem motivo mesmo?
sim, e meu amigo desapareceu.
agora está tudo bem. você sabe, nossa família respeita muito as refeições em família.
ok, tem uma fila ali embaixo.
o banheiro, pode usar na padaria.
naquele caminhão, morreram alguns que reclamaram da água.
você vai superar. eu fico louco com eles, simplesmente doido mesmo com eles, quem pensam que são dizendo não aceitamos mais ninguém, só espero que não nos faça pagar essa conta. sua cidade não existe mais, espero que não seja deportado, mas pode ser que. não use símbolos religiosos, somos laicos. seja forte e não tenha medo do spray de gás. você pode ficar aqui em casa.

Afonso Lima

domingo, novembro 15, 2015

Em perigo

Período de mudanças. A polícia secreta cria um documento, editando trechos de um romance de 1835, acusando o grupo de "semear o ódio de classe, o ódio de raças". Eles querem invadir, destruir nossa identidade, penetração com planos de domínio. O racista cria a raça. A crise do czar ganha novas causas. Perseguições, incêndios, fuga em massa. Eles compraram uma casa na serra, depois do oceano. Eles criaram galinhas. Mas uma janela é quebrada. Um bilhete ameaçador. Notícias de parentes desaparecidos. Um dia, a mulher encontra na parede do galpão escrito com sangue: "Morte aos comunistas do demônio". Uma nuvem negra sobre a casa. Eles se dão as mãos e dormem para sempre.  

Afonso Lima

sábado, novembro 14, 2015

Preservar

Preservar a vida. Preservar toda a vida. Cuidar do pequeno, do detalhe, do tijolo e do tecido.
Celebrar. Eu celebro o labirinto da regra, o instante da rosa, o pássaro negro, a paz e o verde inseto. O primeiro amor de um átomo.
Incerteza. A nuvem pesada. O não esperado. Mutações do azul.
Um futuro para a vida. Um rio que corre, uma saída possível, uma luz na noite para doces amantes.
Preservar a dança, o beijo lento, preservar a erva e o erro. Celebrar o caminho de volta.
Perguntar. Descansar. Deixar entrar o ar. Correr pelo gramado verde até o lago.
Evitar que o bem seja imposto, não esquecer da necessidade de suprimentos.
Preservar a cor da vermelha lanterna, o chá, a temperança quando a brisa é suave.
Ler um livro e controlar o fogo, gato adormecido.
Financiar a vida. Planejar o espaço para a vida. Vê-la crescer. Controlar o medo. Amar o lodo, um querer de outro, o corpo que não habitamos. Nutrir, rever o caminho, aceitar a voz não pensada, o não ensinado, ir ao estranho. Não reagir pelas leis canônicas, não aceitar a tradição. Mar aberto.
O menino africano que vai para a escola, a mulher do deserto, a moça japonesa na janela.
Não esquecer o tempo de cada coisa, não sucumbir à hierarquia. O que é urgente para que tudo corra bem.
Não sucumbir às explicações fáceis, não deixar que o ouvido adormeça.
Preservar o translúcido, dar a mão, achar espaço para o que sufoca, pensar sobre o pensar em bloco. A raiva cega. A certeza medonha. Guardar no corpo o prazer da corrente, uma fábula sem força, uma fábula com o que não entendo. Preservar a mudança.
Com vulcões, com leões, com todos os tremores e raios.
Evitar as palavras de ódio. Preservar os sonhos mais loucos, as teorias mais profundas, o mais complexo sistema, fórmula ou painel, o inverno sem limite, o que é disso tudo, e tudo é caminho, matéria, tudo é celebrável. Achar um tempo para a célula, um passo com os pés no chão, uma noite de paz.
Preservar o frágil evento.

Afonso Lima


quarta-feira, novembro 04, 2015

A árvore

caminho pelo verde, a árvore grávida de tantos frutos grossos
pela estrada, folhas molhadas, o céu pesado
quero deixar aparecer o que existe
catálogo de nós cálculos primeiros a escada
listar botão de rosa lírio azul e carvalho
caveiras mexicanas barcos em Portugal uma manifestação em Paris
mensageira de simpatias mutabilidade canto o existente
a ti, poeta, tudo que não vistes, e cabe a quem duvida
desempregados britânicos, soldados russos de 1917, cidade destruída pelo fogo
Paris e Londres com palavras ameaçam
operações inexistentes corvos
dois impérios destruídos ossos
queimam as bibliotecas cada pensamento encontra seu nome
livre empresa num mundo em ruínas, povos famintos
cidade grande, arranha-céus, bondes elétricos, coelhos em Helsinki
e favelas onde brincam crianças, paz, caminhando nus perto do rio
o neon, o perfume, subclasse, imigrantes

o fogo adormece o velho da montanha ensina doutrinas cinzentas
que os homens medíocres são juízes e prosperam
não somos todos iguais não o mito da pedra
sonho de afirmação pura flor amarga
esperando serem transformados em homens de novo
enquanto acumula as coisas transcendência e por ser algo de belo
na madeira a escrita organiza a cidade
algo irrompe a sabedoria os homens santos unem palavra e força
à noite o rio atravessa tantas vezes o rio
o peso dessa alma eu deixe seja olhos
esqueça os signos que uma geração perdida observa
não julgo assisto à novidade e tudo de primeiro se torna grande e essencial
de meu tempo mergulhando nos sonhos sombrios
mas no sonho chapéu e guarda-chuva ouro e prata são Natureza
árvore dos céus, cada ramo um deus
silêncio esqueço o mundo que rola
mergulho e busco um mundo na infância
rumo à mitologia ao texto das eras
eu que amo o corpo das coisas que Eros une

a força de pensar busco reorganizar amor
quero fazer as primeiras perguntas, esquecer tudo
O lago cercado de árvores que nele mergulham
a névoa no parque que esconde o caminho
chove, a velha casa cai sob o fogo, e alguma música distante
ciganos, botas marcam o tempo
cavalo branco brancas dunas
que o vento move

Afonso Lima

terça-feira, novembro 03, 2015

The river

Land of castles, I look for my face
the ghosts in the streets, I want no power
Just a green, a free place
to revive my soul, naked flower
the river and the light I loose that I
If the trees, my loud music
If the clouds, I´m looking for me

Afonso Lima