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segunda-feira, agosto 14, 2006

Fiquei sabendo esses dias que o banrisul mudou para Windows- êpa, mas não era as mil maravilhas o software livre? Fica no ar o gostinho de monopólio...

BANRISUL : Licitação, Software Livre, Preconceito e Discriminação
Publicado em: 26/09/2005


Baguete
Mario Teza

Coluna aborda os prejuízos que o Rio Grande do Sul terá em mantendo-se a nova orientação da Diretoria do BANRISUL por acabar com o uso de software livre na instituição.

"É interessante explicitar que preconceito segundo o Dicionário Houaiss é uma "atitude, sentimento ou parecer insensato, de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio, intolerância (por exemplo, contra um grupo nacional, religioso ou racial)".

Já discriminação é o "ato que quebra o princípio da igualdade, como distinção, exclusão, restrição ou preferências, motivado por raça, cor, sexo, idade, trabalho, credo religioso ou convicções políticas".

Fica claro portanto que o preconceito é uma atitude e/ou uma forma de pensar preconcebida, que pode levar ao ato de discriminar.”


1. BANRISUL : uma história de independência tecnológica.

“O BANRISUL é o maior banco do Rio Grande do Sul, com presença em 76,2% dos municípios e atendimento a 97% da população gaúcha. Sua rede de atendimento está composta por 1.002 pontos de atendimento, sendo 386 agências, 293 postos de serviços, um escritório de representação em Buenos Aires e 322 pontos do BANRISUL Eletrônico. Do total de agências, 357 estão localizadas no Rio Grande do Sul, 14 em Santa Catarina, 13 nos demais estados brasileiros - Distrito Federal, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo - e duas no exterior, em Grand Cayman e Nova Iorque.

O BANRISUL encerra o primeiro semestre de 2005 com um lucro líquido de R$ 174,4 milhões, 54,9% superior aos R$ 112,6 milhões obtidos no mesmo período de 2004. O patrimônio líquido chegou a R$ 1,1 bilhão, com evolução de 32,8% sobre o resultado registrado em junho de 2004.

O resultado do primeiro semestre de 2005 foi influenciado pelo crescimento das operações de crédito concedidas às pessoas físicas, principalmente na consignação em folha de pagamento, para aposentados e pensionistas, operações que têm reflexo positivo na economia gaúcha, movimentando o comércio e a indústria. Os números alcançados pelo Banrisul igualmente podem ser atribuídos à contribuição de novos produtos e ao aumento da base de clientes, que se refletiu na expansão das receitas de prestação de serviços.” [2]

Na década de 80 o banco investiu na sua automação, posicionando-se no início dos anos 90 na vanguarda da automação bancária. Durante o Governo Alceu Collares (PDT), o Banco preparou sua independência tecnológica. Esta foi consolidada no Governo Antonio Britto (PMDB).

No ano de 95 o Banco define que na área tecnológica a palavra de ordem era a independência de fornecedores. Para tal constroem um conjunto de definições para a compra de equipamentos, para o desenvolvimento de sistemas que tem por base padrões internacionais interoperáveis. No Governo Olívio Dutra (PT), o banco avalia tecnicamente a conveniência de adotar software livre nas agências e nos caixas eletrônicos. Depois de um minucioso estudo, a conclusão é favorável.

(...)

4. O Grande problema do Edital.

Mas o grande problema que até agora não foi questionado junto ao Banco, ao Governador ou ao DOCUMENTAÇÃO ORIGINAL DO SISTEMA OPERACIONAL TAMBÉM EM PORTUGUÊS/BRASIL.”

O Banco removerá 4.000 computadores que rodam Microsoft Windows- 95 e 3.500 computadores que funcionam GNU/Linux, sistema operacional livre, e no seu lugar utilizará 7.500 máquinas com Microsoft Windows XP Professional. Imaginava-se que o Banco aproveitaria a oportunidade para concluir a migração para software livre do restante do seu ambiente. A direção do Banco vai em outra direção.


6. O BANRISUL destacou-se no cenário bancário brasileiro e internacional pelo uso de software livre.

O coordenador de automação bancária do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (BANRISUL), Carlos Eduardo Wagner, declarou em 2004 para o jornal Gazeta Mercantil:

“Hoje, das 3,5 mil máquinas de auto-atendimento do Banrisul, 3 mil operam com o GNU/Linux. As demais estão em processo de conversão. De 2001 para 2002, iniciou-se o processo de instalação do software livre nos servidores e nas estações de trabalho. Todos os 400 servidores do banco estatal gaúcho já operam com o GNU/Linux, assim como 3 mil das 4 mil estações de trabalho - as restantes são máquinas mais antigas, que deverão ser substituídas ou ainda passarão por um processo de conversão."

Além do GNU/Linux, todas as estações de trabalho têm instaladas o OpenOffice?, software livre que congrega editor de texto, planilha de custos, software de apresentação, de desenho e outros. "De 2000 até agora, a economia com licença e memória foi de R$ 18 milhões", calcula Wagner. "Mas a questão não é só custo, mas custo e qualidade", afirma, ressaltando as vantagens de estabilidade e também de segurança. [6]

Em 2003 escrevi um pequeno trabalho sobre o uso de software livre no Rio Grande do Sul. Ele foi publicado pelo Institute for Connectivity in the Americas - ICA. [7]

O BANRISUL, primeiro banco no mundo a utilizar intensivamente software livre, economizou R$ 9 milhões.

No BANRISUL os valores são R$ 9.206.200,00 conforme comprovação abaixo:

(...)
1. Total economizado = R$ 9.206.200,00 [8]

7. A pergunta que fica no ar: Por quê?

Os dirigentes e técnicos(as) do BANRISUL envolvidos(as) na licitação são pessoas honestas. Por isso, minha tese é que estas pessoas discriminam software livre por terem preconceito a esta opção. Salta aos olhos que este preconceito leve o Banco a gastar o que não precisa.

A atual Diretoria do BANRISUL resolveu quebrar a orientação histórica de garantir a independência da instituição frente aos fornecedores de software. Sua decisão traria enormes prejuízos para o banco. De imediato, um gasto desnecessário que pode chegar a casa dos vinte milhões de reais.

A partir desta decisão o banco gastaria mais alguns milhões por ano com as renovações de softwares que são o padrão do fornecedor único que o banco está escolhendo. No longo prazo, será o fim do padrão tecnológico do banco mantido desde dos anos 90.

Preconceitos em relação ao uso de software livre fazem parte do dia-a-dia de quem defende esta opção. Em alguns casos até compreende-se, afinal, quem desta área tão concorrida gosta de arriscar o “pescoço” numa “aposta”? Sempre existe a dúvida, software livre tem suporte? Tem continuidade? Porém, este não é o caso do BANRISUL, que foi pioneiro no uso desta tecnologia. Bancos privados como o HSBC, BRADESCO, tem adotado software livre. A Caixa Econômica Federal [9] está provendo todas as lotéricas do Brasil com uma solução livre. O Banco do Brasil tem seu programa de migração em pleno andamento, com software livre.

O Banco HSBC foi destaque no jornal Valor Econômico por usar software livre:

“Quem utiliza os serviços bancários dos 16 mil terminais de qualquer uma das 1,7 mil agências e postos do HSBC no Brasil é atendido por sistemas baseados em GNU/Linux, software de código aberto - pode ser copiado, modificado e instalado sem pagamento de licenças.

No fim de 2004, o banco concluiu um projeto que reduziu os 840 servidores (computadores de grande porte) presentes na maioria das agências a apenas 92 máquinas centralizadas em Curitiba. Os programas proprietários foram substituídos pelo sistema de código aberto.

Pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) mostra que 60% do setor no país já utiliza GNU/Linux. Na edição anterior do levantamento, o número era de 40%."

Em junho de 2003 a INFO CORPORATE destaca:

"A grande novidade do mercado é a adesão pesada do Itaú. No ano passado, após uma conversa com a IBM, o banco resolveu testar um projeto piloto em seus mainframes para avaliar a performance de algumas aplicações de internet. O teste durou oito meses, mas o Linux acabou sendo tirado da produção. "Concluímos que ele é um sistema sério, mas, nesse instante, não pretendemos colocar mais uma plataforma", disse na época Arnaldo Pereira Pinto, diretor de sistemas de internet do Itaú.

Quando todos esperavam que o banco abandonaria de vez o software livre, uma nova empreitada foi iniciada. E de forma inusitada: nos desktops. "Resolvemos testar o Linux nos desktops com serviços fechados, ou seja, nas estações que só podem ter duas ou três aplicações de uso controlado. Temos muitos computadores com essas características no banco, máquinas que nós sabemos exatamente o que possuem, sem mais, nem menos", diz Arnaldo Pinto.

A escolha dos ambientes fechados serviu para evitar que os usuários tivessem problemas em lidar com a instalação ou o uso de aplicações no Linux. "Sabemos que o Linux ainda não está maduro para os desktops, por isso o colocamos em ambientes fechados. Ao mesmo tempo, formamos uma base de usuários que passará a conhecer o sistema", diz ele. A migração já começou, mas o Itaú deve rodar o sistema para valer no fim de junho, quando escolherá entre a Red Hat e a Conectiva. A idéia é que o piloto chegue até os caixas eletrônicos.

Antes do Linux, as estações de trabalho rodavam em Windows. "O que nos interessa, agora, não é o preço, mas sim utilizar algo estável e que as pessoas conheçam. No começo devemos até gastar mais, mas estamos conhecendo o Linux, vendo como ele se adapta. Nossa missão é se aproximar de uma tecnologia nova. Não podemos pagar um preço alto na hora de uma eventual migração no futuro. Somos um banco, temos escala. Nós não temos a necessidade de mudança de servidores agora, mas, e se tivermos? Vamos correr o risco? Eu acho que não", afirma o executivo do Itaú." [13]

Agora que o mundo [*] vira-se para o exemplo do Rio Grande do Sul, a Diretoria do Banco resolve ir na contramão!

8. Se eu fosse presidente do BANRISUL ...

O Banco vai jogar algo como R$ 20.000.000,00 pela janela. Logo no melhor resultado semestral, ele está queimando 17,60 % das operações de débito em conta-corrente aos aposentados, na modalidade INSS/Fidelidade, foram contratadas 53,8 mil operações, com alocação de R$ 88 milhões de recursos no período.

O BANRISUL também alocou R$ 5 milhões, através da linha de crédito BNDES Hospitais, destinada a garantir o saneamento e ampliar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o dinheiro das licenças de software proprietárias poderia quadruplicar o dinheiro para o SUS ou manter o valor de R$ 5 milhões até o final do mandato do Governador Rigotto e pelos três anos seguintes do próximo governo.

O Banco destinou R$ 32 milhões que foram aplicados no Programa de Financiamento para Capital de Giro (Promicro). Com o gasto desnecessário em licenças de software proprietário poderia financiar mais 64 % de micro crédito.

Na área de Desenvolvimento Agropecuário, o BANRISUL liberou, via repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento e Social - BNDES, o montante de R$ 19,5 milhões em 753 operações, sendo R$ 4,5 milhões em 481 operações no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF. Com o dinheiro das licenças, poderia quase quintuplicar os recurso do PRONAF.

O BANRISUL esteve presente em 53 feiras e exposições agropecuárias, financiando R$ 9,3 milhões, destinados para financiar os produtores rurais para a aquisição de animais, máquinas e equipamentos agrícolas. Com o dinheiro das licenças que a Diretoria quer gastar o Banco poderia participar de 113 feiras, dobrando o apoio aos produtores rurais. Como incentivo aos setores industrial, comércio e serviços, foram destinados R$ 20,4 milhões, voltados a investimentos de capital fixo, desenvolvimento tecnológico e capital humano em 71 operações. O Banco poderia dobrar o número de operações com o dinheiro das licenças.

O BANRISUL aplicou no primeiro semestre em crédito imobiliário o total de R$ 94,7 milhões em 1,6 mil operações, destinadas à compra de imóveis novos e usados e à construção de unidades residenciais e comerciais, inclusive com a utilização do FGTS à vista.

Os recursos alocados no segmento da construção civil possibilitaram a geração de 1007 empregos diretos e 6.588 empregos indiretos, bem como a movimentação de toda a cadeia produtiva do segmento com a construção de 289 novas unidades. Com o dinheiro das licenças poderia ter realizado mais 337 operações gerando mais 211 empregos diretos e mais 1.390 empregos indiretos, construindo mais 61 unidades.

A BANRISUL S.A Administradora de Consórcios comercializou 1,4 mil cotas no primeiro semestre de 2005, com um montante aproximado de vendas no valor de R$ 25,3 milhões. Com o dinheiro das licenças o Banco quase dobraria as vendas de consórcios.

A modernização tecnológica envolveu um montante de R$ 53,3 milhões no primeiro semestre deste ano. O BANRISUL lançou, em maio passado, um produto inédito na América Latina: o Cartão Internet BANRISUL, um “smart card” que abre uma agência virtual na tela do computador em qualquer parte do mundo onde o cliente estiver. O exclusivo cartão é o primeiro “smart card” utilizado em transações de Internet Banking. Com ele, o cliente tem a certeza de que, mesmo que sua senha seja descoberta por alguém, ninguém poderá operar no seu Office Banking. O cartão é munido de um microprocessador (“chip”) capaz de armazenar uma Certificação Digital emitida pelo BANRISUL. Ao mesmo tempo, realiza cálculos criptográficos que validam a própria senha do cartão, reconhecendo-a como válida ou não, estando preparado, inclusive, para auto bloqueio em caso de erros consecutivos.

O Banco vai jogar pela janela quase 50% de tudo o que investiu em desenvolvimento tecnológico neste ano se mantiver o gasto com licenças de software desnecessárias.

Nas ações de responsabilidade corporativa foram investidos R$ 11 milhões em projetos educacionais, culturais, esportivos e voltados à saúde. Com o dinheiro das licenças poderia dobrar esses investimentos beneficiando projetos como os Concertos BANRISUL para a Juventude que desde a sua implementação já beneficiou cerca de 30 mil alunos; o Programa Criança no Esporte, este contempla 200 crianças de 7 a 14 anos, em situação de vulnerabilidade social, matriculadas na rede de ensino regular, proporcionando atividades educativas, sociais e culturais nas escolinhas de futebol dos clubes gaúchos;

o Projeto Pescar BANRISUL, que é a primeira instituição pública do País a ter uma unidade de ensino dentro dos padrões do Projeto Pescar, teve sua segunda turma iniciada em maio de 2005, com 22 jovens. Além desses, programas voltados ao meio ambiente como: o Programa Energético BANRISUL - Progeb, que busca a adoção de medidas necessárias à conservação, redução de consumo e gastos do sistema elétrico e a minimização do impacto de medidas de racionamento de energia. Este programa proporcionou economia de 88.136 Kwh, que equivalem a R$ 212 mil, admitida uma tarifa média de R$ 0,40/ Kwh.

Já o Programa Reciclar, recuperou durante este semestre 56 toneladas de resíduos secos e orgânicos, além de direcionar de forma adequada mais de 17 mil unidades de material entre lâmpadas florescentes, pilhas, disquetes, madeiras, reatores e embalagens plásticas. Este é um projeto do BANRISUL que engloba aspectos sócio-ambientais, colaborando na geração de emprego e renda e no resgate da cidadania para promoção do desenvolvimento sustentável, beneficiando aproximadamente 3 mil pessoas no Estado e em Santa Catarina.

9. Conclusão

Normalmente minhas conclusões são longas. Mas neste caso, socorro-me somente de uma frase: "Que tempos são esses, em que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito!" Albert Eistein. [12]

http://www.baguete.com.br/coluna.php?id=1876&nome=marioteza

terça-feira, agosto 08, 2006

The New York Times


Maureen Dowd, do The New York Times

WASHINGTON – Quem esse velho pensa que é, ficando entre Dick Cheney e sua indefesa presa?

O azarado advogado de 78 anos do Texas, Harry Whittington, está em tratamento intensivo depois de um ataque cardíaco, com até 200 projéteis perfurando seu rosto e corpo – um parou em seu coração – vindos da espingarda feita sob medida para Dick Cheney. E ainda seu amigo, o vice-presidente, está atirando nele.

(...) Não deveriam esses caras trabalhar nos fins de semana até nós descobrirmos como consertar o Iraque, Nova Orleans, Serviço de Saúde e os preços do combustível?

Esta versão de “O Jogo Mais Perigoso” organizadamente segue o ciclo de quatro passos de Bush-Cheney:

Passo 1: Sair para derrubar o que você acha ser um alvo fácil, como codornas – em 2003, ele foi atrás de faisão estocado e aprisionado – ou de um certo ditador iraquiano enjaulado em sanções.

Passo 2: Na corrupta companhia de amigos lobistas-fornecedores, danifique as coisas. Ignore o perigo perto – como, oh, Osama em Tora Bora, ou Katrina, ou a ocupação do Iraque – e com determinação de aço, conceda sua extrema incompetência. (Oops.)

Passo 3: Parede de pedra. Resista em dar informação ao Congresso sobre o 11/09 ou o Katrina; não diga ao público como você está grampeando telefones em casa, estabelecendo prisões no exterior e fazendo guerra e políticas de energia em segredo. Por que dar aos pagadores de impostos, os quais estão contribuindo para essas viagens de caça de fim de semana, a extraordinária notícia de que o Vice atirou em seu companheiro de caça no rosto e no peito?

Scott McClellan sabia antes do resumo de terça-feira da Casa Branca, ao meio dia, que Whittington estava pior, mas não disse aos repórteres. Ele deixou isso aos médicos do Corpus Christi, que falaram do ataque cardíaco como “uma resposta inflamatória a um estranho projétil metálico”.

Passo 4: Não admita erros. Expresse simpatia. Culpe a vítima sem deixar impressões digitais ao terceirizar a mancha para o setor privado.

Trent Lott brincou em um encontro, terça-feira, que Cheney era agora o “atirador em exercício”, enquanto outras sacudidas notaram que Quayle foi sempre um problema para Bushes.

Membros do gabinete presidencial e legisladores especularam, terça-feira, sobre se o Atirador renunciaria e deixaria lugar para Condi se Whittington não sobrevivesse. Sua morte engatilharia uma mais completa investigação de polícia e provavelmente um grande júri.

“Você está louco?” disse um senador Republicano a um repórter. “Ele nunca sairia”. (Aaron Burr presidiu o Senado depois de matar Alexander Hamilton em um duelo).

O atirador em exercício não pode desistir porque ele É a administração. Quem ao menos diria a ele para desistir? Se necessário, ele provavelmente faria W. levar o tombo.

Apesar de esforços de McClellan para fazer piadas e encorajar repórteres para voltarem às “urgentes prioridades do povo americano”, a caçada fracassada mostrou mais uma vez Cheney comandando o show imperial.

Ele não conversou com o xerife por 14 horas, ou mesmo ligou para o presidente para notificá-lo depois do acidente das 5 da manhã. O Vice deixou isso para Andy Card, que chamou Bush às 7:30 da manhã para dizer que houve um acidente de caça, sem mencionar que o Vice era o artilheiro. Pouco depois disso, Karl Rove retornou a Bush e contou esse pequeno detalhe.

Um repórter, surpreso, pressionou McClellan: “O vice-presidente não ligou para o presidente para dizer a ele foi o atirador?”.

Freqüentemente, quando há algo para cobrir na Casa Branca, o presidente está nele.

http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/nytimes/2275501-2276000/2275918/2275918_1.xml
Artigo de José Dirceu

personagem ambíguo, acusado de comandar corrupção no Congresso. Mas bom analista.


22/07/2006 19:00
A insegurança pública
(artigo publicado no Jornal do Brasil, em 13 de julho de 2006)

http://blogdodirceu.ig.com.br/materias/380001-380500/380299/380299_1.html

Menos de sessenta dias após a megarrebelião e os atentados promovidos pelo crime organizado em São Paulo, assistimos, novamente, à ação do PCC contra agentes do Estado e a mesma reação histérica e sem controle do governo estadual. O que chama a atenção é a incapacidade do poder público de reagir, com a adoção de medidas estruturais, nas áreas social e de segurança pública.

Depois do choque inicial, nenhuma medida de fundo foi implementada. A prioridade continua sendo a repressão pura e simples; ineficaz, porque inócua. E toda a filosofia continua sendo a do Estado penal – polícia, tribunais e sistema prisional – ou seja, justiça de classe, que discrimina pela renda e pela raça. Violência contra os pobres e negros, contra a periferia da sociedade.

Convivemos com um sistema prisional que nos lembra campos de concentração; as cenas da penitenciária de Araraquara, no interior de São Paulo, mostradas para todo o Brasil, são irrefutáveis. A polícia continua matando – mais aqui do que em qualquer parte do mundo – e atua de maneira semelhante à do crime organizado. O resultado, especialmente entre os pobres, é o medo generalizado da polícia e das organizações criminosas, o sentimento de insegurança coletivo e de injustiça.

Apesar da unanimidade, em todo país, de que o sistema prisional está deformado, de que a Justiça é ineficaz e os baixos salários dos policiais são fatores que fragilizam a instituição, nada foi feito para mudar o atual estado das coisas. Os governos continuam priorizando os gastos com viaturas e armas, ou seja, o policiamento repressivo, em detrimento de investimentos na polícia técnico-científica, ou seja, do policiamento investigativo.

O verdadeiro escândalo é a inércia e a paralisia dos governos estaduais, particularmente os de São Paulo e Rio de Janeiro, incluindo-se as prefeituras dessas capitais. Apesar do clima de conflagração social, não foram anunciados programas emergenciais na área social ou de emprego, ou medidas nas áreas de lazer, esporte e cultura, para os bairros da periferia.

O próprio governo federal que, pela primeira vez, assumiu seu papel no combate ao crime organizado e ao narcotráfico, não foi capaz de priorizar, no orçamento, os recursos necessários para o desenvolvimento de uma política nacional de segurança pública, tão necessária quanto a reconhecida política social implementada pelo governo Lula.

Em 2005, 27% das verbas do Ministério da Justiça foram cortados, prejudicando a implantação pioneira de presídios federais e o aparelhamento, treinamento e reestruturação das polícias estaduais. Entre 2003 e 2005, só foram liberados 38% das verbas para atender os jovens em conflito com a lei.

Mesmo reconhecendo avanços na área federal – construção de presídios, modernização e autonomia das perícias criminais, organização do Sistema Único de Segurança Pública (São Paulo foi o último estado a firmar o convênio) e constituição da Força Nacional de Segurança Pública – ainda há muito por fazer. Principalmente na área da vigilância de nossas fronteiras.

A constituição de uma Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada à Presidência da República, ou de um ministério, tem de voltar ao debate. E o Congresso precisa votar o pacote de leis antiviolência, em boa parte já aprovado no Senado, mas cuja tramitação está parada na Câmara dos Deputados, apesar da urgência das medidas.

Porém, todas essas ações, ainda que necessárias, não serão a solução para a segurança pública, se o Brasil não continuar no caminho do crescimento do emprego e da renda e se não houver um amplo e massivo programa dirigido à nossa juventude. Nesse ponto, o Prouni e o Fundeb, recentemente aprovado, são sinais de esperança.

As mudanças evidentes na melhoria da distribuição de renda da população mais pobre e o aumento do emprego têm de ser seguidas de um vasto programa de obras sociais e urbanas nas grandes cidades do país, que mudem o atual cenário de abandono e pobreza. Só assim poderemos dar, aos brasileiros, segurança pública, com mais justiça e igualdade social.
O resto é a fuga, de sempre, de nossas elites, para o vazio do discurso de mais repressão e mais prisões, ou seja, de mais violência e mais opressão.
Tudo bem que você não concorde com o MST, mas aí já é demais... filosofia e sociologia são "ideológicas" ? Simplista, se 1 bilhão passam fome no mundo... Será desinformação ao maldade?


A REVOLUÇÃO SILENCIOSA

por Diego Casagrande, jornalista

Não espere tanques, fuzis e estado de sítio. Não espere campos de concentração e emissoras de rádio, tevê e as redações ocupadas pelos agentes da supressão das liberdades. Não espere tanques nas ruas. (...)

Não espere porque você não vai encontrar, ao menos por enquanto. A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida.

Ela é bem diferente. É hoje silenciosa e sorrateira. Sua meta é o subdesenvolvimento. Sua meta é que não possamos decolar. Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas. Corrói a valoração do trabalho honesto, da pesquisa e da ordem. (...)

Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser “humano” e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros. Ter é incompatível com o ser.Esse é o princípio que estamos presenciando. Todos têm de acreditar nesses valores deturpados que só impedem a evolução das pessoas e, por conseqüência, o despertar de um país e de um povo que deveriam estar lá na frente.

Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio a partir do ano que vem. (!!!!!!) A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público. Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara.

A constatação que faço é simples. Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental (filosofia e sociologia!)- que é óbvio faz parte da revolução silenciosa - as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário. (: 0 !!!!!!)

Elas vêm sendo submetidas ao lixo pedagógico do socialismo, do mofo, do atraso, que vê no coletivismo econômico a saída para todos os males. (;) !!!!!!)

E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população. Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos.No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo. São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa. Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes vermelhos.

Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo freis betos e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que “tem” e é “dono” de algo, enquanto outros nada têm. Como se houvesse relação de causa e efeito.(!!!!!!)

(...) O antídoto para a revolução silenciosa? Botar a boca no trombone, alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da Stazi silenciosa. Não há silêncio que resista ao barulho.

http://www.blogdodiego.com.br/index.php?flavor=lerArtigo&id=419

domingo, agosto 06, 2006

THE CORPORATION,

de Joel Bakan, M. Achbar, J. Abbott
www.thecorporation.com


Muita gente pode ter visto, mas é fundamental para
esclarecer o poder das Corporações na democracia, sua
influência e sua índole.

25 prêmios internacionais!
10 prêmios de juri popular!
Ganhador melhor Documentário Genie Award!
+ de 40 críticos, empresários e especialistas!

Alguns pontos:

- empresas americanas costumam pagar de US$0,08 a
US$0,18 a hora nos países como Bangladesh e Honduras,
o que equivale a 0,3% do produto final. Quem compra um
rádio Alpine paga US$0,31 a hora ao empregado que o
fez. Isso significa moradias de 2,5 m², gente que mal
come três vezes por dia, crianças trabalhando e sendo
espancadas em fábricas, casas de chão batido.

- A empresa Bechtel está processando em US$ 20 milhões
de dólares o governo da Bolívia porque seu povo se
rebelou contra a privatização da água em pagamento às
dívidas externas, famílias que ganham US$ 2 dólares por
dia e que gstavam 1/4 de sua renda comprando água (até
a água que caía do céu era propriedade da Bechtel).

- Nos anos trinta, nos Estados Unidos, um grupo de
empresários liderados por PJ Morgan, família du Pont e
Goodyear, tentou dar um golpe de estado, para instalar
uma ditadura comercial. Mas o escolhido para
comandá-la, gen. Butler, os denunciou.

- A Monsanto ameaçou a Fox caso fosse exibido um
documentário contando que seu hormônio para aumentar
a produtividade do leite, o Posilac, deixava resíduos
de bactérias e antibióticos no leite; indo a justiça
para defender sua reportagem, os jornalistas foram
processados em US$ 20 milhões.

- O Ofice of Foreign Assets dos EUA contabilizou que
em 1 semana 87 empresas americanas realizaram
negociações com ditaduras, regimes terroristas e
inimigos declarados dos EUA. Entre os maiores
criminosos corporativos estão empresas como GE (9,5 m
por fraudar o governo), Kodac (1 m por violação
ambiental) e Roche (500 mil por violação anti-truste).
As multas sao irrisórias, o que incentiva a violação.


- O marketing direcionado para as crianças (em livros,
nas escola etc.), feito por psicólogos que conhecem as
suas vulnerabilidades, as ensina como pedir aos pais;
40% das compras em lojas de alimentação e parques são
determinadas pelas crianças; alimentos com muito
açúcar, gordura e calóricos tem criado um sério
problema de saúde nas crianças norte-americanas.

- A 14 emenda da Constituição Americana feita para
proteger os direitos dos afro-americanos libertos foi
apropriada pelas corporações, que são "pessoa
jurídica"; portanto têm direito a "livre expressão",
"livre associação" e liberdade quanto a
regulamentações estatais.

- +- 25 mil pequenos agricultores da Índia se
suicidaram desde 1997; uma média de 280 por mês; a
imposibilidade de sustentar suas famílias, o preço dos
insumos, a privatização genética das sementes, entre
outros fatores, os levam ao desespero.

- Entre muitos outros casos, o Canadá foi processado
por uma empresa que despejava MMT na água (uma gota do
produto destrói a vida de todo um arroio) por perdas
de investimento, no valor de US$ 20 milhões. Agora as
empresas processam os governos na OMC por defender o
bem público.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Sindicato compra briga com Marcelinho Carioca
Enviada por Ricardo Tavares03/08/2006 - 16:46

O jogador Marcelinho Carioca, do Corinthians, está na mira do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O jogador disse em entrevista, cobrando os companheiros de time, que "quem não quer pressão que vá trabalhar em banco". A declaração não agradou a categoria. O sindicato mandou uma carta a Marcelinho, publicada em seu site, convidando o jogador a conhecer o dia-a-dia dos bancários.
A seguir, veja a íntegra da carta:

Veja a carta:

Prezado Marcelinho

A direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região vem por meio desta convidá-lo para conhecer nossa entidade, visitar nossa sede (Rua São Bento, 413, edifício Martinelli, no centro da capital) e saber um pouco mais sobre a realidade e o dia-a-dia da categoria bancária.

Sua frase, sobre "quem não quer pressão", apesar de totalmente equivocada, foi oportuna no sentido de colocar em pauta o debate sobre as condições de trabalho a que estão expostos os funcionários de bancos.Somos apreciadores de futebol, muitos entre nós, corintianos.

Independente do time para que torcem, a pressão sofrida pelos trabalhadores nas agências e departamentos dos bancos é muitas vezes maior que aquela a que estão expostas muitas outras categorias de trabalhadores. Os postos de trabalho bancário foram reduzidos pela metade nas duas últimas décadas. O trabalho, no entanto, triplicou.

Não bastasse isso, os empregados de banco sofrem em níveis epidêmicos com doenças como lesões por esforços repetitivos, depressão e síndrome do pânico,
relacionada ao grau de exposição desses trabalhadores e suas famílias a assaltos e seqüestros.

Por isso, reforçamos nosso convite para que você conheça melhor as dificuldades da nossa categoria e torne-se um parceiro na luta desses trabalhadores contra o fantástico poder econômico dos banqueiros.

Saudações Luiz Cláudio MarcolinoPresidenteSindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
http://minhanoticia.ig.com.br/materias/382001-382500/382335/382335_1.html

quarta-feira, agosto 02, 2006

Árabes culpam Ocidente por avanço de extremistas

Paulo Cabral, Cairo, BBC Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/02/060224_islamismoocidenters.shtml

(...)

Muitos analistas e políticos no Oriente Médio dizem que os Estados Unidos, e também potências européias, são os grandes responsáveis pelo crescimento dos movimentos islâmicos na região.

A lógica desses críticos é que os americanos primeiro incentivaram governos ditatoriais seculares, que por sua vez sufocaram a oposição. Agora que os americanos começam a forçar essas mesmas nações a promover uma abertura política, o único movimento que sobreviveu com força para reagir foi o religioso.

"No Iraque, os americanos erraram muito ao fazer alianças com líderes tribais e com grupos religiosos e limitar a ação dos seculares. Pareceu a coisa mais fácil a fazer na hora, mas os problemas que isso criou são enormes e difíceis de ser revertidos", crítica o editor do jornal iraquiano Al-Sabah Al-Jadid, Ismail Zaier, que apoiou a derrubada de Saddam Hussein, mas diz que os Estados Unidos estão fazendo tudo errado no país.
(...)

Mas, na oposição árabe, a palavra de ordem ainda é criticar os Estados Unidos.
"As populações do Oriente Médio é que estão se revoltando contra essa situação que lhes foi imposta por tantas décadas. E, como todas as outras opções foram destruídas nesse tempo, eles acabam se voltando para os religiosos", diz o presidente do partido marxista egípcio Tagamoa, Rifat Al-Said.

"Há 20 anos eu trabalho por democracia no Egito e não aceito agora que o sr. George W. Bush venha dizer que os Estados Unidos é que estão conseguindo fazer com que as coisas mudem", reclama o esquerdista.

Al-Said diz que os americanos continuam trabalhando apenas em interesse próprio e sem levar em consideração problemas futuros que possam ser criados pelas atuais políticas.
"Na Turquia, os americanos estão apoiando um governo islâmico porque é esse o grupo que interessa a eles que esteja no poder, acusa, numa referência ao partido governista turco Justiça e Liberdade, que se auto-classifica "secular conservador", mas que a maioria dos analistas coloca no campo "islâmico moderado".

domingo, julho 23, 2006

Israel fere direitos humanos, diz enviado da ONU

Os bombardeios israelenses ao Líbano são "uma violação das leis humanitárias", disse neste domingo o coordenador de ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland.

"É um uso excessivo de força em uma área com muitos civis", disse.

O enviado da ONU, que chegou no sábado à região do conflito, visitou o sul da capital libanesa, Beirute, área que Israel vem bombardeando pesadamente sob alegação de que ali funcionam instalações do Hezbollah.

Ele descreveu as operações israelenses como "terríveis". Os libaneses mortos desde que a crise começou já chegam a 368.

Egeland disse que quarteirões inteiros de Beirute foram destruídos pelos bombardeios.
O coordenador da ONU vem pedindo a Israel que abra um corredor de ajuda humanitária para que sua equipe possa ajudar as vítimas, a maioria civis, dos bombardeios.

Israel disse que pode relaxar seu bloqueio naval, e permitir que navios com suprimentos aportem em Beirute.

Mas a medida, segundo Egeland, é ineficaz. Com rodovias e pontes danificadas no Líbano, a ONU não pode sequer distribuir a ajuda que já chegou ao país.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/07/060723_libano_ddhh.shtml
A Guerra-Fria está de volta... de novo! Agora a NASA só serve como propaganda...


"Nasa decide não entender nem proteger a TerraEnviada por Assunção Barbosa22/07/2006 - 19:37A Nasa alterou sua "missão" e nela não consta mais que a agência espacial precisa "entender e proteger nosso planeta casa".

A frase foi capada da declaração oficial da estatal espacial americana. O corte aconteceu em fevereiro, conforme denúncia do jornal The New York Times na sua edição de sábado.A missão da agência agora ficou assim: "ser a pioneira na exploração do espaço, na descoberta científica e na pesquisa aeroespacial".


O porta-voz David E. Steitz declarou que a mudança foi feita para enquadrar os objetivos da Nasa com a meta do presidente George W. Bush de prosseguir com os vôos espaciais que pretendem levar o homem à Lua e Marte.A mudança pegou de surpresa cientistas da Nasa que disseram ao jornal que a frase "entender e proteger nosso planeta casa" não era mera retórica.

Com essa mudança, reclamam, haverá menos incentivos para prosseguir com projetos para entender problemas que afetam a Terra como, por exemplo, o da mudança climática causada pelo efeito estufa. "

http://minhanoticia.ig.com.br/materias/380001-380500/380319/380319_1.html

Quem precisa de atmosfera, afinal?
Adivinha que o candidato do PFL está fazendo propaganda da privatizaçãodo sistema prisional!

Por que o Estado não pode custear prisões humanitárias? Os ricos não pagam impostos, com isenções e desvios, e o imposto dos pobres vai para a dívida externa, afinal...

Parte-se do velho argumento que o que é público é ruim... sim, se for feito por uma ditadura tecnicista, ou por mauricinhos economicistas sabe-tudo, mas pode ser bom se a democracia nos der meios de ingerência, e cobrar dos especialistas, claro...

O chato disso é que o óbvio tem de ser dito! O privado, sabemos pela Enron, significa isso, corrupção na veia, tentar impor um lucro extra a custa do serviço, pois quando David e Golias brigam, a lei ama Golias, claro...

Se tudo corresse mal e o Estado -o que significa apenas, que a maioria do povo, aqueles que são afetados- pudesse intervir, mas o caso das telefonias e das rodovias mostra: depois de dada a concessão, um conjunto de interesses impede grandes reflexões...

Vê-se essa velha lógica no argumento de Edmundo OliveiraProfessor da Universidade Federal do Pará-Amazônia e da Universidade de Miami (EUA):

"o custo de uma prisão sob a responsabilidade de uma instituição privada é menor do que os gastos em estabelecimentos prisionais administrados pelo serviço público: nas prisões públicas, o preso custa em média US$ 48 ao dia; nas privadas, US$ 25 ao dia."

-se isso for em detrimento da qualidade de vida do preso, de que adianta? já não tá ruim o bastante?

"A segunda – embora o lucro faça parte da resposta –, é que a iniciativa privada tem mais interesse em otimizar os serviços, reduzindo despesas desnecessárias para não terem prejuízo. "

- O próprio autor apresenta sua antítese.

Outras opiniões:

Sérgio Mazina Martins
Vice-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim):


"E, de fato, nos países em que a privatização vem sendo praticada, assistiu-se o nascimento de uma verdadeira indústria da prisão, fomentando, inclusive, veículos midiáticos e representações políticas que propagam, abertamente, a expansão da fórmula prisional. Como sabemos, é nesses países que nasceu e se agigantou o movimento da law and order, propondo a aplicação da intervenção prisional em cenas e espaços os mais corriqueiros da vida social."

http://www2.oabsp.org.br/asp/jornal/materias.asp?edicao=101&pagina=2664&tds=7&sub=0&sub2=0&pgNovo=67

‘‘O objetivo único do lucro é tão claro, que as empresas administradoras de presídios privados estão dando aos detentos comida de baixa qualidade e reduzindo os sistemas de atendimento de saúde. Nesse modelo, prevalece a lei de Wall Street, onde as companhias privadas têm suas ações negociadas’’, ressalta o sociólogo Benoni Belli, que trabalha junto à Organização das Nações Unidas (ONU).
http://www2.correioweb.com.br/cw/2001-05-13/mat_38088.htm

quinta-feira, julho 13, 2006

Rio perde parte de seu arquivo histórico - Folha de São Paulo - 22/06/2006O

Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro sofreu, durante o feriado de Corpus Christi, o maior ataque a acervos documentais do país. Depois de passar por sete portas trancadas a cadeado, sem arrombá-las, ladrões furtaram cerca de 2.000 fotografias, cartões-postais, gravuras, coleções inteiras de revistas, livros raros e mapas. A instituição foi criada em 1567 e detém todos os documentos oficiais sobre o Rio.

O crime foi descoberto na segunda-feira, quando um visitante solicitou uma foto de Augusto Malta (1864-1957) e ela não foi encontrada. Só de Malta, fotógrafo oficial da prefeitura entre 1903 e 1936, foram levados 19 álbuns e várias fotos avulsas. Os álbuns contêm entre 50 e cem fotos cada um. As avulsas foram retiradas das jaquetas (capas protetoras), pois os ladrões não quiseram levar as pastas inteiras.

Das 15 mil fotos de Malta que pertencem ao Arquivo, apenas 2.200 foram digitalizadas. Impedidos pelos peritos da Polícia Federal de entrar nos depósitos, funcionários temiam ontem que negativos em vidro também tivessem sido furtados, o que inviabilizaria a produção de novas cópias.Ainda foram levados cerca de 2.000 cartões-postais com imagens de várias épocas do Rio.

Eles ficavam no segundo andar, no depósito de iconografia, o mais dilapidado.Do setor ainda levaram fotos de Marc Ferrez (1843-1923); uma coleção de 87 gravuras de Debret (1768-1848); todas as 38 imagens feitas com estereoscópios -instrumentos semelhantes a binóculos; e mapas que registram as mudanças na fisionomia do Rio.

No terceiro andar, onde fica a biblioteca, os ladrões furtaram coleções da "Revista Ilustrada", editada entre 1876 e 1898, e da "Revista da Semana" (1900-1962). Entre outros livros, levaram um raro "Almanaque Laemmert", do século 19.Para a polícia, os criminosos sabiam o que queriam e fizeram o serviço com calma. Eles deverão revender as peças furtadas a colecionadores. Escolheram o feriado, quando o Arquivo ficou fechado por quatro dias. Como as chaves ficam na sala da diretoria, devem ter conseguido cópias.

http://www.cbl.org.br/news.php?recid=3880

sábado, julho 08, 2006

Vale a pena lembrar que o executivo aprovou aumento para os funcionários públicos e que o Senado estendeu aos aposentados, sabendo da impossibilidade, para transformar o ganho eleitoral em perda... e o povo...


PREVIDÊNCIA OS APOSENTADOS COMO MUNIÇÃO
Mino Carta
http://www.cartacapital.com.br/

O Senado aprova um aumento de 16% para os inativos. O ônus do veto caberá ao presidente Lula. O ano, sabe-se, é de eleições O Senado Federal aprovou, na terça-feira 4, um aumento de 16,67% para os aposentados e pensionistas que recebem acima de um salário mínimo.

O presidente Lula já comunicou que vetará o reajuste. Tal reposição, se sancionada, significaria 7 bilhões de reais adicionais no rombo da Previdência, que ultrapassaria 50 bilhões de reais neste ano. É a irresponsabilidade de sempre, acentuada pelo clima que já se respira em Brasília: os senadores da oposição vão explorar a valer o veto presidencial nas campanhas eleitorais.

O Executivo vai tentar obter o apoio da Câmara para aprovar a Medida Provisória 291, que fixa em 5% o reajuste dos inativos. É de bom-tom ressaltar ainda que, pela atual legislação, a reposição seria menor, de 3,14%, referente ao acumulado do INPC desde o último aumento. Estes são os fatos. Não deixa de ser curioso notar que os mesmos jornais que deram manchete para o provável veto de Lula abrigam editorialistas e articulistas que continuarão a martelar que é preciso dar um basta nos gastos do governo.

Que a Previdência é um poço sem fundo, uma conta que não fecha. Se não fecha, se é mesmo um suicídio fiscal, as primeiras páginas deveriam refletir os motivos do Executivo para o veto. Quanto aos políticos, poderiam apresentar propostas claras sobre o que fazer com o atual sistema previdenciário, como solucionar seu desequilíbrio. Como buscar um Estado, ainda que mínimo, de bem-estar social.
Trechos de um Dossiê Russia, de Mikhail Gorbachev...


Outubro como um marco na história contemporânea

Mas o que havia de vicioso no modelo bolchevique de socialismo? Em primeiro lugar, o fato de ele ser precisamente um modelo-esquema, com princípios e normas ideológicas rígidas que deviam ser impostas de cima para baixo. Em segundo, que o princípio capital e sintetizante desse esquema era a ditadura do proletariado.

Antes da revolução, Lênin escreveu que o proletariado não conseguiria conquistar o poder de outra forma que não fosse a democracia, e não conseguiria construir uma nova sociedade se não o fizesse democraticamente. Na prática, porém, desde o início, a ditadura do proletariado foi um rompimento completo com a democracia.

O que ocorreu não foi uma ditadura do proletariado, de uma camada massiva da sociedade, mas uma ditadura da cúpula dirigente e suas nomenklaturas hierárquicas. (...)


Tal esperança e tal crença eram fortalecidas por determinadas realidades. Seria futilidade pintar todos os guias e chefes soviéticos de demônios, de malfeitores e patifes acabados, de infames inescrupulosos e cúpidos, nem um pouco preocupados com os interesses e as necessidades da gente comum. Sim, houve pessoas desse tipo entre eles, e não poucas.

Mas, o que é mais provável, a maioria foi ao poder para servir honesta e até abnegadamente às massas trabalhadoras. O fato de que o sistema desvalorizava o seu afã e anulava os seus esforços é outra questão. Mas, é preciso que seja dito, se não na lógica objetiva do próprio sistema, então na sua concepção estavam inseridos os interesses do povo trabalhador, dos operários e dos camponeses.

Daí, a liquidação do analfabetismo, a acessibilidade do cinema e do teatro, as grandes tiragens dos livros, a construção de escolas em todas as regiões do país, o direito real à instrução e ao aprendizado de um ofício, o esporte de massa, a organização do descanso, a assistência médica e a previdência social – boas ou más, mas garantidas –, a moradia e os serviços comunitários por preços simbólicos.

Foi eliminado o desemprego, cuidou-se dos menores abandonados, e estabeleceu-se uma ordem social, que deu conta satisfatoriamente da criminalidade. Isso gerou confiança no dia de amanhã etc. – enfim, tudo o que agora constitui a fonte dos ânimos nostálgicos de milhões de cidadãos russos.

Tais direitos sociais, de que gozavam os cidadãos soviéticos e, hoje, por causa das reformas de choque dos anos 1992-1996 foram praticamente extintos ou arrochados até o mínimo, constituem parte inalienável dos direitos do homem. E eles devem ser e serão restabelecidos, se a Rússia pretende ser um Estado democrático moderno.
(...)

Eis a demonstração por absurdo: hoje, quando o exemplo social da Rússia se exauriu, em muitos países ocidentais entra em moda a política de arrrocho dos direitos sociais das pessoas, a tendência a resolver as questões da concorrência internacional no quadro da economia globalizada por meio de cortes na esfera social. No fim de contas, tal procedimento também pode se revelar perigoso. Mas, por ora, isso tem sido feito e com muita energia. Tal é, fundamentalmente, o lugar histórico da Revolução de Outubro e da União Soviética no contexto mundial. (...)

Em conseqüência, criou-se o problema global Norte-Sul, que paira como uma ameaça terrível sobre toda a comunidade mundial. A eficácia do mercado gerou uma crise ecológica global, que também representa ameaça à vida na Terra (...)

Estou convencido de que a nova civilização inevitavelmente assimilará alguns traços peculiares ao ideal socialista, pois esse ideal existe há séculos e reflete as recônditas aspirações e os sonhos do homem. (...)

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141998000100002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo
Ontem acabou a novela Belíssima. Inovadora sem ser desconexa (como América), baseada em idéia (e não sucessão de episódios cômicos, como Senhora do Destino).

Em 2002, Sílvio de Abreu teve uma novela encerrada por baixa audiência. Naquela época a Globo se propôs a fazer um workshop sobre “como aumentar a audiência sem apelar para a baixaria”. Silvio de Abreu disse que o público que é audiência, a classe D,não entendia nem o que era Oscar, Hollywood ou transexual.

Nesta novela ele soube fazer uma novela para cada público do Brasil: um humor mais simples para a classe D e um suspense intelectual para as classes A, B e C.

Apesar do personagem inacreditável de Tony ramos (dizem que a novela foi feita para ele contracenar com a Glória Pires), que foi sempre um personagem de sotaque insuportável e que só repetia o que já se havia dito, o elenco estava ótimo, principalmente porque não sabia, ao representar, se o personagem era bom ou mau. (Ficou apenas meio chato esse final com os dois, já que a personagem de Glória pires parecia estar se encaminhando para voltar a André).

Agora se verá o desfile das hiper-realidades, das fofoquinhas do leblon, da baixaria eu-te-amo-mas-te-espanco do Manuel carlos; ele preende o público por pura e simples apelação: no primeiro capítulo o paibate na filha, no segundo a filha bate no pai...
Não gosto das novelas de Manuel Carlos, nem mesmo dos seus títulos, “Páginas da Vida”, sempre banais.

Já as propagandas começam com: “eu não sou feliz tenho direito de ser”, “em nome dessa paixão”, etc. O que sempre me incomoda um pouco é a impressão de que o Leblon é o Brasil, todos são classe média que vão à praia de óculos Channel; o naturalismo da novela, faz parecer ainda que as coisas mais ambíguas são normais; se no folhetim de Silvio de Abreu os personagens são bons-e-maus, aparecem a ambição, o cinismo e a relatividade dos valores, mas o motor da trama é o vilão, em Manoel Carlos sempre ambos estão certos. Helena é traída pelo marido? A amante está correta, o marido está correto e Helena também.

Essa novela oferece algo novo, um passeio pela África, e um incentivo às artes, através de personagens que defendem a cultura. Espero que isso enriqueça o debate, e não seja mais uma forma de mostrar glamour e “filantropia”.
Ah, espero que um dia a maioria dos brasileiros saiba onde é Hollywood.

domingo, julho 02, 2006

Para variar, Carta Capital, matando a pau!


QUEM VIGIA OS VIGIAS?
Por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

"Na sexta-feira 23 de junho, o jornal The New York Times publicou uma matéria sobre a violação do sigilo bancário por parte do governo dos EUA. Com o alegado objetivo de rastrear o financiamento do terrorismo, um programa do Departamento do Tesouro monitorava, desde 2001, transferências de dinheiro por todo o mundo.

A Casa Branca confirmou a informação, obtida junto a cerca de 20 fontes relacionadas ao governo, na maioria preocupadas com os aspectos legais e de privacidade dessa política. Já em dezembro, o mesmo jornal revelara que a Agência de Segurança Nacional (NSA) colocava sob escuta telefônica milhares de cidadãos dos EUA, também em nome da “guerra ao terror”.

Mistério.Por que interessa tanto bisbilhotar o Swift, se os terroristas usam outros meios?No caso em pauta, Washington recorreu a um mecanismo obscuro conhecido como “intimação administrativa”, livre de controle externo, para acompanhar os 12,7 milhões de mensagens da rede internacional Swift (iniciais da Sociedade para Telecomunicação Financeira Bancária Mundial, em inglês), que abrange 7.800 bancos em 200 países e movimenta 6 trilhões de dólares por dia.

Outros jornais – incluindo The Washington Post, The Wall Street Journal e Los Angeles Times – publicaram matérias semelhantes no mesmo dia. O editor deste último justificou a reportagem como de interesse público, relevante para que os leitores possam avaliar a condução da “guerra ao terror”. Mas todos se decidiram depois de saber que o diário nova-iorquino iria em frente. Talvez a notícia tenha sido vazada pelo próprio governo, para privá-lo do “furo”.
(...)
A ONG Privacy International, de Londres, reuniu queixas formais provenientes de 32 países – incluindo todos os membros da União Européia, Canadá, Hong Kong e Austrália – contra o Swift, por violar as leis européias e asiáticas de proteção do sigilo bancário, pois não houve aprovação por parte de autoridades desses países, que têm leis que proíbem suas empresas de transferir dados pessoais confidenciais a países sem uma proteção adequada à privacidade – o que hoje é o caso dos EUA.
(...)
Quando do atentado em Nova York, a própria Casa Branca anunciou de imediato que rastrearia as finanças do terrorismo. O Swift, bem conhecido do mundo financeiro, com site e revista, é um alvo óbvio. Só um amador o usaria: qualquer terrorista sério logo adotaria procedimentos mais seguros, como a chamada hawala (“transferência”, no jargão bancário árabe):

entrega-se uma quantia a um intermediário (hawaladar), que liga a um hawaladar em outro país para entregar, mediante um pequeno spread, o valor equivalente à pessoa que lhe apresentar certa senha, de maneira a contornar o sistema bancário formal e driblar qualquer controle estatal.
(...)
monitoramento do Swift parece um caso de “medida de emergência” transformada em rotina permanente, com objetivos muito mais amplos que os declarados, a saber a ampliação do poder de vigilância do governo estadunidense sobre nações, negócios e cidadãos de todo o mundo, sem controle internacional – ou nem sequer o do Congresso e do Judiciário do próprio país.

É parte da generalização do Estado de Exceção denunciado pelo jurista Giorgio Agamben no livro homônimo: desativação de determinações jurídicas, exclusão dos atos do governo do campo do direito e instauração de uma guerra civil legal. ""

http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=4932

sábado, julho 01, 2006

Mudos.

Os Brasileiros estão mudos.
No primeiro e no segundo jogos a torcida estava muda de medo, sem saber o que estava acontecendo.

Depois, ganhamos, mas levamos uma meia hora até tocar businas, cantar e dizer “Brasil!”. Foi um gostinho de susto. Já nem me lembro quantos jogos a torcida ficou quieta... Não houve samba, nem batuque, houve alguma comemoração autumática, papai-mamãe.

Agora estamos mudos mesmo. Como compreender isso? Estavam escalando por “glórias do passado”, “recordes”, “carisma”? Deixar 15 minutos para as mudanças!

Nossos jogadores não pareciam animados. Treinaram pouco?
Estavam engessados numa tática artificial?

Não eram um time?
Jogo é assim: quem tem competência que se estabeleça.
(Ou quase)

Os franceses mereceram. São os melhores que os melhores do mundo, não?

sexta-feira, junho 30, 2006

Piazza e o celular

Hoje o músico Piazza fez o pré-lançamento de seu álbum "Percepção Oculta” no Foyer Nobre do Theatro São Pedro. Foi acompanhado por Luis Palma, no violão e Fabian Ciardelllo na percussão. A alma espanhola, mesmo tocando Mozart ou Luiz Gonzaga, é um misto de sedução, melancolia e ritmo violento. Para não dizer que não falei das flores, de Vandré, foi um momento alto. O músico parecia cavalgando sobre as notas, trazendo uma deliciosa brisa árabe e tribal, ainda mais com a percussão ousada, feita de tambor, leque e (sim) uma espécie de tanque de plástico. Muito bem colocado!

Mas além disso, um triste aspecto saltou aos olhos. Um celular tocou, com as músicas moderninhas de agora. E pior não foi isso: a pessoa atendeu e seguiu fazendo seu negócio. Logo depois, outro celular. Tudo bem que a pessoa esqueça, mas falar! O mesmo aconteceu comigo quando fui ver Brokeback Montain. Um respeitável senhor falava sobre o escritório enquanto os cowboys decidiam seu destino!

Essa me parece uma arrogância muito mais perigosa do que aquela que fala Thackeray a respeito dos ingleses vitorianos, seus contemporâneos. Eles, pelo menos, tinham a consciência de estar em grupo, e precisavam manter as aparências, e, em função das hierarquias, dadas pela existência da nobreza, tentar atingir o status que muitas vezes não lhes pertencia.

Agora as pessoas acham normal falar no meio do filme. Acho que em parte isso tem a ver com a permissividade de nossa cultura, com a idéia bem popular de que é ruim e até mal educado se pronunciar contra algo, tomar partido, censurar. Faz parte de nosso secular, se não pode vencer...

No Brasil há tanta educação, que o mal floresce solto! É mal educado mandar seu filho lavar a louça. Ou cortar a mesada. É mal educado gritar com alguém que dobra sem dar o sinal. É mal educado falar com quem fura a fila. E, é claro, é mal educado falar mal de qualquer empresário, que afinal, está trabalhando para salvar o Brasil. Ou seja, é mal educado exigir igualdade. A boa educação atrapalha a boa música!
Propaganda 18 Brumário

Imagine se um médico fosse presidente do Brasil. Médico! MÉDICO!
Imagine se, chegando a Paris, pois afinal é aonde a maioria dos Brasileiros vão no Natal, você puder dizer: O meu país não é governado por um simples cidadão, não, não, não, é governado por um MÉDICO! Não precisaremos mais ouvir, como hoje eu ouvi na padaria, “no Brasil até analfabeto é presidente!” Além disso, um homem que conhece cada bairro desse imenso país, que esteve ao lado dos trabalhadores toda sua vida!

Que até as pobres senhoras sem dentes aprenderam a chamar pelo prenome! Um MÉDICO! (Havia um outro que dizia, antes de tudo, eu sou economista, mas não tinha essa simpatia toda, esse jeito de falar com favelados, essa franqueza, esse ataque, esse sorriso!)

E além disso ... vê o cidadão como consumidor! Sim, o mais básico dos direitos humanos, o mais importante dos códigos, o único, mas fundamental projeto de uma vida que começa aos 23 anos, um gênio da política! Um doutor, afinal. Até comida de salsicha e arroz ele fez, tudo isso por 1 real! Ah, que país maravilhoso, onde até um médico, essa figura dourada, tem o direito de servir!
Sabão em pó, eu te amo

Uma coisa que sempre me impressionou foi a facilidade com que os cantores ex-sertajenos, os pop-sertanejos e os românticos-pop-sertanejos, trocam o palco pelas propagandas “cantadas”. O que é chocante é que o ritmo, a entonação, tudo é igual, às vezes até a letra.

Tanto faz se você está cantando, “compre essa pílula para resfriado” ou “o luar é o momento que mais te quero”, tudo soa como o mesmo ar de dramalhão. Isso deve ter algo a dizer sobre nossa música.
Isso não tem nada a ver com a poética e melancólica música sertaneja cantada no interior.

É uma pausterização que começou a explodir na década de 90, junto com o axé e o funk. É a sãopaulização chique do sertanejo apaixonado, de terno de linho e rancho fundo, trocado em miúdos para a classe D que agora é a maioria, que define as novelas e o padrão da TV.

É uma aliança perigosa entre a elite e a pobreza. Não é a democracia como ideal, que leva peças ao povo para alimentar o debate. Há o lado positivo de que é entendido pela maioria, mas não me parece um enriquecimento da vida, nem uma reflexão sobre nada. Vende-se o amor, como se vende um sabão em pó.

quarta-feira, junho 28, 2006

Paulo Autran 1

A peça "O Quadrante" diz em seu programa que "o teatro, em essência, se faz com uma idéia, um intérprete e alguém para ver e ouvir". Pode parecer óbvio, mas quem tem o prazer de ver esse alguém falando pensa mesmo sério sobre a capacidade de muitos atores de dizerem um texto.

Para mim o que caracteriza o ator é inteligência, capacidade de peceber os nuances do humano e reproduzí-los. Um bom ator entende o que está sendo contado. Parece fácil, mas a maioria dos atores apenas repete, até fala palavras das quais desconhece o significado.

Paulo está com 83. É diversão pura, como velhinha, como mocinha, como narrador e até como onça. Aliás, ele realmente se transforma. Cada gesto, cada som, uma mão que significa isso, um som que desconstrói o que é a palavra, ele vai levando o público com suavidade até o riso. Como onça simplemente dá medo.

Eu o assisti em Rei Lear há muitos anos. Lembro-me que era comovente, mas lembro-me também das cenas de batalha com bastão, indas e vindas...

Claro, o teatro hoje pode e tem de ter movimento e cor, pois o público da tv...
Mas Paulo me lembrou que queremos é mesmo ouvir uma estória, e para isso o ator tem de entender, ser gentil e transmitir vontade de viver. Entender significa: saber mais do que foi dito, dizer mais do que foi falado; ser gentil significa estar aberto para comunicar, interessar-se por e querer atingir um ser humano; e o resto vocês sabem.

Uma senhora atrás de mim bocejava um monte, e uma hora disse "não acaba, que coisa chata". Foi tão fora de circunstância que me fez pensar porque certas pessoas vão ao teatro.
Acho que o teatro também mexe com a coisa de que podemos ter prazer, momentos de pura contemplação de nada, o que não é fácil para certas pessoas...
Paulo, Paulo, que grande amigo és, de todos nós.
Cidade Alta

Caminhando com um amigo do interior pela Cidade Baixa, ficou claro mais uma vez... ela vai ficar escura... O que a caracteriza, pequenas casas de estilo art-nouveau, casas dos anos 50, será tomado por altos e estreitos prédios com janelas de boneca, colados uns nos outros... O que vai acontecer com esse bairro quando só tiver espigões? A perimetral, ampla e arejada, já vai se acostumando aos planos fechados do cimento... Foi um bairro de pobres, em contraste com o “centro” político da Duque e econômico da Andradas... Que medo. A Lomba do Pinheiro também já foi toda vendida, os morros serão asfalto... Não quero viver nesse mundo sem sol... Por favor, evitem a cidade alta!
Falta Gana pro Brasil?

Quem viu o jogo pode estar ainda com o silêncio do medo. A torcida estava muda. O jornal Hoje recebeu uma ordem para ser um jornal “de meio-dia”, animado, corriqueiro, para pessoas que estão passando... Quantos sorrisos, e não apenas felizes, felicíssimos... Tem coisas incríveis: “a vitória emocionante do Brasil”, “ a festa da torcida”, “grande vitória”... sinceramente...

Sobrevoando Sp, centro de BH, recife, Olodum... cantando o hino da Globo. Natural... Bem, a Copa agora é um produto, tem dono, e tem de funcionar... tem um jornal todo para isso, daí vem “o mundo em 1 minuto”...

Eu tb não entendo porque tanta ovação dos comentaristas... "Nós brasileiros cobramos demais" diz o chefe.. praticamente não pegamos na bola, tomamos mais chutes á gol, víamos os branquelas correndo pra lá e pra cá e noso time (o mesmo da Croácia, pode!) só levando... Tem sempre de vir um convidado para falar a verdade! O Bial até que se esforça, mas vendo pelo otimismo do Galvão, parece que foi 6 X 0...

Se Pareira diz que show é ganhar, então vou trabalhar, pelo menos ganho dinheiro...

quarta-feira, junho 21, 2006

Ideologia do Luxo

Na novela “Cobras e Lagartos” a personagem de Thaís Araújo chama um pretendente de “baixa renda”. Não é a troco de nada que o nome da loja é “Luxus”. Lembro de um diálogo que ouvi certa vez no ônibus entre duas meninas com aproximadamente 13 anos, moradoras de um baixo distante. Uma delas dizia:

- Eu vou fingir que vou dormir na tua casa e fico com ele. Ele vai me levar na lanchonete e comprar um hambúrguer e batatas fritas grandes. Ele ganha 70 reais por semana e vou fazer ele gastar uns 30 reais comigo. Depois faço ele comprar uma bolsa que eu vi.

Eu fiquei pensando: é assim que se fazem bebês na adolescência. Uma prostituta sairia mais barato. O que estamos fazendo com nossos pobres, encharcados da ideologia do luxo? Antigamente as pessoas tinham a ideologia da Igreja, e mesmo tendo terras muitas vezes viviam uma vida de miséria e resignação. Hoje mesmo sendo ricos, jogadores de futebol, músicos famosos e novos ricos pensam em consumo estéril e infinito.

Na novela aparece um personagem chamado Foguinho pede dez pratos de jantar, correntes de prata e compra lojas inteiras de videogame.
O consumo agora é infinito. Um carro pode custar 1 milhão de dólares, um quarto de hotel, como o da seleção, 4 mil dólares. (Não há nada de errado em termos conforto, claro, mas o que se vê é uma ideologia do "rale-se os outros", uma cultura da solidão).

Estamos criando o mundo dos VIPS e o mundo dos “invisíveis”. A idéia é de que existem pessoas bem diferentes, com possibilidades bem diferentes, como aparece no seriado A Diarista quando a avó da família onde a protagonista trabalha lhe dá um relógio quebrado e diz: “eu sei que vocês pobres dão uso pra tudo, né?”

Quem trabalha com serviço voluntário já assistiu essa cena muitas vezes, até de órgãos governamentais. É um ciclo que se fecha desde quando o cristianismo criou a idéia de igualdade, opondo-se a hierarquia patriarcal da antiguidade. (Enquanto isso, nessa era do político-ator, uma mistura de Maquiavel com McLuham, como Reagan e Schwarzenegger os políticos conservadores, a cada dia, retornam com as mesmas idéias de “agora faremos melhor” sendo que nunca fizeram...)

As pessoas sem acesso a informações mais ricas acabam aceitando como normal esse mundo onde o “baixa renda” é desnecessário, e tentando adquirir o “símbolo” do alta renda individualmente. É a guerra de todos contra todos?
Ana Maria Braga pra presidente

A televisão precisa de otimismo.

Levantar questões polêmicas pode levar a uma reflexão entediante, e pior: pessimismo não vende produtos. Há uma diferença entre otimismo e idiotice: o otimismo significa que, apesar dos problemas, podemos vencer, e é essencial; a idiotice significa que não há problemas.
Alguém já disse que o Brasil é um país de “tapar o sol com a peneira”; é falta de educação ser direto, falar a verdade ou propor uma solução realista. É melhor fingir que se resolve, fingir que se governa, salvar as aparências. Afinal, quem quer se incomodar, quem quer ter de arcar com o peso da confrontação...

Claro, isso significa que nada será resolvido nunca. Significa que os conflitos reais serão aumentados porque ficaram ocultos, e explodirão mais adiante, num presídio qualquer, numa revolta pelas ruas de São Paulo, em um Rio de Janeiro-velho-oeste.

Então, valeu Ana Maria Braga Cassandra:
“O time todo melhora quando sai o Ronaldo, por que continuar insistindo?”
ela, que não trabalha com futebol,teve coragem de dizer o que estamos pensando, morando de medo de uma Argentina apaixonada e até de um Japão samurai. Esporte é força física e clareza mental, e o que significa um título, um passado ou medo de desagradar os torcedores. (Ainda: falcão é o mais sincero, graças a Deus, mas sinceridade parece até antipatia em algumas circunstâncias.)

O medo de “ferir os sentimentos” de Ronaldo, acaba deixando que as coisas sejam feitas por outros motivos que ao o jogo em si. Ele errou até um chute na bola, errou passes, não está bem. Cuidar dos sentimentos dos outros é fundamental para a vida em grupo, mas no Brasil temos a tendência de valorizar não a competência e sim a nobreza, o título, o nome, o poder, e isso impede que haja mudanças positivas e renovação.

Que possamos ser otimistas porque vencemos a nós mesmos, porque não nos acomodamos com a felicidade incompleta.

Ana Maria pra Presidente.
Do Leão Lobo:


A péssima TV Cultura é o reflexo cultural do Governo Alckmin

Entre as muitas promessas não cumpridas deste Governo Alckmin, uma delas foi a revitalização da TV Cultura. E nesses 10 anos em que o governador esteve à frente do Governo de São Paulo, a emissora da Fundação Padre Anchieta, que é atrelada a esse Governo, acabou virando praticamente uma emissora comercial, com os tais dos “apoios culturais” que nada mais são do que os comerciais iguaizinhos aos das outras emissoras, sem que a Cultura perdesse os privilégios de Estação Pública e nada, ou pouquíssimo, mudou na emissora com todos esses ganhos que ela teve.

Contratações milionárias foram feitas como a de Silvia Poppovic, mas não há como a apresentadora brilhar no esquema restrito da emissora. O próprio bom programa de Rolando Boldrin, “Senhor Brasil”, não tem divulgação, por isso não repercute e em função dele, o bom e popular programa “Viola, minha viola”, da queridíssima Inezita Barroso, que já tinha um público cativo, foi esvaziado, está sendo desprestigiado dentro da própria casa. Está acontecendo com o “Viola”, na Cultura, o mesmo o que está acontecendo com o “Hebe”, no SBT.

Mas o caso da Cultura é ainda mais grave porque a Cultura é pública, é nossa, e agora ainda tem dinheiro de anunciante. Fica a pergunta: para onde está indo todo esse dinheiro se ele não tem revertido em bons programas infantis, por exemplo? A programação continua a mesma, com pouquíssimas novidades. E, na teledramaturgia, só existe o “Senta que lá vem comédia”, cabide de empregos para os familiares e amigos da atriz, autora e diretora desconhecida Analy Alvarez. Mas, para um Governo que prometeu resolver o problema da Febem do Estado e só o agravou, não cuidar de uma tevê pública é o mínimo.

http://www.portaldoleaolobo.com.br/

quarta-feira, junho 14, 2006

O Código Ignorado


Ouvi uma história ótima: uma amiga de minha mãe disse que o filho pré-adolescente foi ver o Código da Vinci e, chegando em casa, lhe disse “porque você não contou que Jesus casou com Maria Madalena?” O mais interessante a respeito do livro é justamente o quanto as pessoas estão mal preparadas para lê-lo. Fica-se com a impressão que as hordas de americanos atravessando o oceano para irem procurar pistas em Paris estão aliando a descrença que caiu sobre a instituição da Igreja, a loucura por novidades que os noticiosos criaram e uma grassa ignorância sobre história. Como a Igreja teria escondido que Jesus casou e João era Maria Madalena?

Deve dizer algo sobre nossa democracia-entre-aspas o fato de as pessoas tomarem ficção por realidade. O que me parece mais assustador é que a educação das massas tornou-se uma política antiquada, já que é considerada gasto e não investimento pelos gerentes internacionais.
O fato de Maria Madalena, mulher rica que acompanhou Jesus “com seus bens”, ter se tornado um símbolo, a mesma prostituta arrependida e –até- a adúltera salva do apedrejamento, fica bem no século XI, quando a onda de mosteiros e peregrinações precisava criar túmulos de santos e patronos, mas não no século XXI.

Maria Madalena era simbólica porque representava o pecador arrependido, a fim com a onda de puritanismo que invadia o cristianismo reformador. Hoje ela representa a insatisfação com as instituições, a vontade de buscar um cristianismo menos rigoroso; em parte porque a Igreja tem dado muita ênfase a uma tradição de dogmas em detrimento de uma atuação mais eficaz no mundo. O fato de os bispos franceses lançarem a determinação de que os seguidores do Papa não precisam usar a camisinha, mas os não seguidores devem, mostra que há insatisfação dentro do próprio catolicismo.

Por outro lado, demonstra a vontade que as pessoas demonstram em relação a história, a sua própria identidade. Um mundo em que cada dia temos um produto novo e uma notícia nova, em que o saber se encastelou em universidades, ao povo sobrou a fé e a insegurança. Muito medieval.
Nós, croatas


Nós, croatas nascemos ouvindo dizer que nosso país é o país do futebol. Nós croatas, ouvimos dizer que em cada esquina desse imenso país há um craque mirim pronto a se tornar o melhor do mundo.

Nós, croatas pensamos que merecíamos um técnico que pensasse que se o quadrado mágico obviamente será oprimido, seria importante jogadas laterais e com “elementos surpresa” de meio de campo. Nós chegamos a pensar que nosso técnico croata não falava muito, mas pensava.
Chegamos a pensar que nosso Fenômeno ex-iugoslavo queria jogar bola: pelo jeito parece exausto, continuando em virtude de algum contrato, de alguma vontade de mãe; fala e joga como um aposentado.

Depois de meses ouvindo que somos extraordinários e que devíamos esquecer nossa vida para viver a vida de 22 homens (são 22?)- afinal, há patrocínios governamentais e de cartão de crédito pagando os minutos sobre a cor do cabelo desse ou daquele jogador- achamos que merecíamos ver nas manchetes: “Melhores jogadores do mundo levam a Croácia à vitória!”

Nós, croatas imaginamos que se nossos políticos são aristocratas, nossos empresários de direita, nossa esquerda de centro e nossa mídia de si mesma, sobraria uma seleção capaz de atacar.
Imaginamos que, se nossa educação pública estacionou nos 8 alunos por sala, e nossa educação privada nos 800 por mês, haveria esperança no time croata de futebol.

Nós croatas imaginamos que, se há a lei do silêncio na nossa mídia, se ninguém pode dar direito de resposta, pelo menos éramos capazes de ganhar de outros times.
Ai, ai, vou morar na Croácia.

terça-feira, junho 13, 2006

Usando tua toalha


Uma amiga minha comenta sobre o namoro-casamento de seu filho- a menina acorda e lhe diz: tia, tem uma escova de dentes que eu possa usar? Eles se conhecem a menos de um ano. Outra pediu-lhe uma toalha. Uma vez o ex-namorado de minha irmã pediu pizza em nossa casa e meu irmão comentou “talvez não seja educado nós comermos”. Eu fiquei chocado: se alguém pede pizza na sua casa na hora da janta, pressupõe-se que seja para todos. Eu será que estamos vivendo uma república de federações coligadas. Parece que é isso mesmo: com Tv no quarto e Internet, os filhos só lembram dos pais para pedir dinheiro.

Mas, ah, ainda tem o namorado (a): aquela pessoa totalmente estranha que sai contigo de férias, toma café com você e lhe leva (se for mesmo bonzinho) para fazer as compras de supermercado. E que muda a cada dois anos. Esse é o lado mais estranho: sem nenhuma tolerância pela frustração, a nova geração, bebendo propaganda em seu leite de colo, brinca de casar como quem brinca de vídeo-game; já ouvi vários especialistas dizendo que o amor agora dura até a primeira briga. Eliminar o tempo de aproximação com a família é outra forma de “atropelar” em direção ao instantâneo; para que gerar intimidade, se pode acabar amanhã?

A família também se protege: tento não me tornar amiga das namoradas de meu filho, disse minha amiga, pois sofro cada vez que se separa. Se o namorado(a) é bom saberá levar esse fardo antigo que significa olhar com paciência as feridas abertas que todos temos, saber incentivar, superar e guardar os momentos de carinho. Se não, viva o amor-consumo: satisfaça seu desejo ao máximo até quando quiser, depois jogue fora.
Copa, copa, copa

Meus amigos devem estar com um sorrisinho sarcástico. Mas até eu tenho de falar de futebol. (Acho interessantes os comentários de Casagrande, Falcão e Arnaldo Coelho, o aspecto técnico; como diria Mário Quintana, “quem não se contradiz não pode estar falando a verdade”). Acho que vou me oferecer para jogar na Copa do Mundo; até agora só vi pelada, o mais emocionante foi Itália e Gana, mais por Gana. A Itália fez um servicinho burocrático, um jogador bom.

A Suécia parecia que nunca tinha visto bola, quase empata com Trinidad e Tobago, essa Seleção sem técnica, mas com violência de sobra. Pode parecer estereótipo, mas a Alemanha não conseguia sair do plano de jogo, e talvez, por chavão que seja, os brasileiros saibam transgredir e, portanto, criar, mais. Não vi um jogo até agora que merecesse ser visto, parece que nada vai além do 1x0. Fiquei decepcionado, pelo menos nessas partidas até terça, com os “melhores do mundo”.
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Afinal parece que a “quebradeira” no Congresso não foi planejada, digo, o próprio Bruno Sergipe disse que não esperava, foi um “estouro da manada”. Afinal, porque o povo estaria brabo com seus “representantes”?
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Alguns números nesta democracia aristocrática não fecham.

- Dizem que se Susane for condenada com o máximo da pena pegará 7 anos, 4 dos quais já foram cumpridos. Dá pra acreditar? Duplo homicídio, pai e mãe, triplamente qualificado, e aquele idiota dos namorado que fica na cara foi levado por ela. Dizem a boca pequena que cada brasileiro tem “direito de matar um”, porque as defesas da lei para aqueles que eram perseguidos pela ditadura nos envergonham e acabam liberando os Malufs para voarem para a Europa.

- Os jogadores Atualmente jogam 75 a 80 jogos por ano, disse Ronaldo em entrevista. Cada jogo de eliminatória, 12 horas e vôo e jogam um dia depois. A única coisa que sei de futebol é que quando eu era pequeno ficava-se um mês todo esperando para ver o Grêmio jogar; hoje envolve tanto dinheiro, publicidade, TV, que os atletas são queimados logo, sua saúde sendo vendida mais caro.
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Agora nos Etázuni um senador maluco propôs a segregação racial nas escolas porque aos seis anos uma professora não o protegeu de coleguinhas cruéis.Umberto eco tem uma Expressão que é “superinterpretação”. É quando um crítico força a barra, usa as técnicas da semiótica para profetizar o fim do mundo. Da mesma força existe e “hiperdemocratismo”: é quando, por exemplo, assédio sexual se torna mais importante que a questão do emprego de qualidade como defesa feminista.

Existe uma tendência atual para esse uso dos direitos humanos contra os princípios da justiça: uma elite de intelectuais, jornalistas e madames esquerdistas se distanciou tanto do comum cidadão que as leis, muita coisa da imprensa e debates acadêmicos vivem no “Brasil 1” enquanto o fogo consome o “Brasil 2”. Nos EUA, ao que parece, também a elite negra chegou a um grau tão grande de requinte que pode se dar ao luxo de ter uma “proteção a priori” contra os confrontos de uma educação na tolerância feita de indas e vindas, mas a única coisa que pode nos fazer criar uma comunicação comum. Eta mundinho dividido!
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Uma maluca da colônia “italiana” no Brasil: se Brasil jogar contra Itália no final, para quem a senhora torce? Itália, respondeu ao repórter. Uma amiga minha disse: o problema do Brasil é que ninguém aqui é brasileiro. Estranho. Alguns amigos alemães que eu tenho, e moram em Porto Alegre, toda vez que ouvem alguém dizer “sou italiano” ou “sou alemão” fazem questão de dizer: o senhor tem descendentes alemães, ou italianos, mas é desta terra. É o velho espírito vitoriano colonialista; aliás, nosso amigo Thackeray diria que um irlandês é muito mais esnobe que um inglês, simplesmente por lamber-lhe as botas.
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Minha fórmula para ver jogo da seleção; finjo que não estou assistindo, e deixo os caras fazerem sua parte. Fiz isso em 1994 e... bem, não me lembro mais se funcionou, mas funcionou em 1998 (ou não?) quando eu e uma amiga ficamos fazendo um vídeo no cemitério. Tudo pela arte! Na dúvida, insisto.

sexta-feira, junho 09, 2006

O que podemos aprender dos vitorianos?
Lendo o livro de Thackeray sobre esnobes, fica claro que por trás de tudo está uma idéia de igualdade. Quando clero, universitários e lordes se sentem mais importantes por serem quem são, são ridículos. Pelo menos para os “cidadãos” da Europa, no período do liberalismo, clímax do secularismo, todos os cidadãos deveriam ser iguais.

É triste pensar que, depois de mais de vinte anos de pseudo-liberalismo corporativo, o esnobe volta a ser um personagem central. Toda a publicidade funciona criando a idéia de que há uma elite – pessoas que se vestem bem, sabem mais e são mais bonitas. Já vi inúmeras propagandas que, claramente dizem “para poucos”, “não é para qualquer um”, “exclusivo”, “alguns vão ter, outros não”.

No seu belo livro “A rebelião das elites”, Christopher Lasch fala dessa nova “ruptura” entre pobres e ricos: os 20% do topo, as classes privilegiadas, se tornaram completamente independentes tanto das cidades industriais decadentes como dos serviços públicos. Cria-se assim uma “aristocracia do talento”; as pessoas que, seguindo o lema anti-estatal de J.F. Kennedy- “não pergunte o que seu país possa fazer com você, mas o que você pode fazer pelo seu país”, não tem instrução ou talento especial, vão sofrer calados ou dar origem ao PCC e ao tráfico do Rio.

É esse incentivo ao esnobismo que se nota por boa parte dos programas. É quase cômico se tentarmos achar esnobes nos dias de hoje: quem está em Caras mostrando o drink a beira do mar; nossa linda Débora Seco falando do lugar que mais gosta em Nova York; conheço filhos de senhoras faxineiras que são esnobes contando para seus colegas que foram ao cinema e comeram pipoca; universitários iletrados e esnobes que falam a toda hora “você leu isso?”; tinha mesmo uma colega que a cada duas palavras falava da superioridade econômica do seu marido e usava a palavra “Paris”. (Anti-esnobes são, por exemplo, Cafu e Falcão. O primeiro, assim como Ronaldinho Gaúcho, estão na galeria dos célebres conscientes.

O segundo, além do papo simpático, simplesmente deu um quarto de hotel a Mario Quintana, quando foi preciso. Ronaldo Fenômeno, oelo contrário, segue dando mostras de estrelismo; já disse que não é negro, depois traiu, ao que tudo indica, sua noiva três meses depois do casamento, e agora, respondendo ao presidente Lula que, emvideo-conferencia teve a infeliz idéia de comentar sobre seu peso, pareceu agredir desproporcionalmente um cargo oficial; o presidente disse que tem se encontrado várias vezes com Ronaldo e sabe que ele está magro, mas lê sempre na imprensa que ele está gordo; afinal, perguntou ao treinador, ele está magro ou gordo?
Ronaldo simplesmente disse que “ele me chamou de gordo, mas muita gente diz que ele bebe pra caramba”, mostrando claramente que se considera acima da figura do próprio presidente).
Foi nisso que deu a revolta secular contra o idealismo cristão- que motivou o ateísmo humanista, de solidariedade pela precariedade, de Russel e tantos outros; parece que, sem alma, o homem não tem um valor intrínseco.

Se a América ofereceu uma fuga das sufocantes classes feudais européias, ela gera a insegurança e a complexa ansiedade para se sobressair como elite, que o jornalista Neal Gabler comenta como típica da sociedade norte-americana; o importante passa a ser a aparência.
Então, o que podemos aprender dos vitorianos? Depois de confundi-los com carolas moralistas, homens rígidos e mulheres submissas, teremos de dar o braço a torcer; de igualdade, parece que eles entendiam mais.
“Apague a luz”. Essa frase banal dita no meio do filme "Caché” (2005. 117 mins. Direção: Michael Haneke)

me pareceu sintomática de uma série de coisas. Mas antes, um a parte que faz parte.
Não acho nem um pouco engraçado quando a empregada da casa em Belíssima é destratada com o bordão “Rezina da Glória, cuzina”, ou o personagem jamanta é tratado como cachorro, por ser feio e pobre.

O filme Cachê, voltando a ele, me diz exatamente isso: primeiro, a sociedade burguesa, mesmo depois da demolição dos valores religiosos, continua firme: agora significa trabalhar, cada vez mais, e não ter tempo. Depois, é melhor esquecer que não demos a “eles” a oportunidade de ter instrução decente.

A primeira cena do filme é uma longuíssima visão da frente de uma casa.
Me lembro sempre (já devo ter dito isso) que quando Bijork e Juliette binoche foram de ganso e melindrosa na festa do Oscar, as revistas simplesmente acharam ridículo e fora do tom. E como também sempre digo, isso representa bem a visão da arte na Europa como “vanguarda”, e a arte nos EUA, pelo menos no main-stream, como “gozo” no sentido Lacaniano, alívio sem evolução.
Outra cena boa do filme é quando, após uma tragédia, ficamos assistindo o protagonista sentado, sem nada ocorrer.

Isso significou pra mim: bem, precisamos de um tempo para REFLETIR.
(esse Caps Lock saiu sozinho, mas é interessante mantê-lo).

“Apague a luz” pode significar: que sobra desse eu ocupado se fico entre a atenção e a espera?
Enfim, sem querer chover no molhado falsamente cult de que tudo que é francês é bom, ou obrigatório de ver e gostar, o filme trabalha naquela vibração sutil que deixa espaço para as coisas serem descobertas, abertas; é um suspense que se cria com detalhes, com uma tensão suave: um “medo” real, porque nada está pronto; “que vai acontecer agora” não significa, ele vai explodir ou levar um tiro (a morte, por sinal, é a síntese do “pode ser assim”) mas “pode ocorrer algo, pode mesmo”.

Bela forma de falar do abismo social entre “franceses” e “argelinos” na sociedade; e daquilo que sempre pode voltar, porque foi esquecido.

quarta-feira, junho 07, 2006

Será que eu ouvi direito? Arnaldo Jabor (uma espécie de ventríloquo que manipula “todos-dizem”) falou mesmo que “a esquerda invadiu com 40 mil cargos o governo?” Não será isso que chamam democracia? Ele falou mesmo que a culpa da depredação do Congresso é do Lula, emendou impropérios sobre a “culpa” por “não saber de nada” sobre o mensalão até a “culpa” por estar “tratando a pão de ló o MST”.

(Só agora ficou claro para mim quem é o Alcaemmim, que disse “falta autoridade a este governo!” Ele já havia dito no caso da Bolívia que o governo deveria ter sido “duro”- assim como as aves exóticas do PSDB, todas botando fogo no que já é explosivo- quem sabe, criando uma crise bem grande, descumprir até o que disse uma vez a consulesa de Bush no Brasil: a diplomacia serve para evitar a guerra; mas só agora percebi que se cair um meteoro no Brasil a culpa é do Lula e que “autoridade” significa algo bem sombrio como por exemplo, prever e reprimir um fato antes que aconteça; quero virar empresário!)

A própria abertura do telejornal dizia que o governo estava “autorizando movimentos fora da lei como o MST”.
Ora, faz anos que estamos assistindo o Jabor achar que é esquerda - pois é de uma época que mostrar mulher pelada era ser revolucionário - e falar senso comum que agrada a elite, mas com ar radical (houve um momento que criticar o Lula gratuitamente era algo como estar na crista da onda do radicalismo, da “oposição”- todos faziam isso); mas poucas vezes vi um editorial mais feroz, só equiparado ao problema envolvendo a Aracruzcredo. O que o MST tem a ver com o MLST, não fiquei sabendo.

É claro que qualquer movimento que se ache no direito de invadir o Congresso e machucar pessoas deve ser punido, mas seria bom pensar :
por que o povo estaria brabo? Em culturas mais antigas, que já cortaram a cabeça do rei, as vezes até estudantes são levados a sério...

até que ponto essas pessoas (alguns rostos de agricultores humildes) não estão a mercê de uma ocupação ideológica alienígena (o famoso não-vácuo do poder, se o Estado não provê educação e inserção na economia, algum poder o fará, seja o líder oportunista e desmiolado, seja o tráfico), que pode ser intelectualmente justificável perante a violência da pobreza, e pode mesmo ser baseada na visão democrática de direito a livre expressão, mas que não se pode saber de fato onde acaba, na execução.

(O próprio líder do movimento, senhor Bruno B. Bruno, disse que era para ser uma manifestação pacífica, mas, ao entrarem no Congresso, “a coisa pegou fogo”; imagina-se o preparo ideológico prévio, tipo “esses burgueses vão ver só”, aliado ao natural desespero da pobreza e a recente onda de repulsa que o Brasil sentiu diante da imoralidade e impunidade no Congresso).

Como, quando o problema é violência- violência do povo- surge na TV tempo; inúmeras personalidades se manifestam chocadas, inúmeros minutos de imagens, imagens, imagens, justo na Tv que nos fez crer que tudo tem de ser dito em 1 minuto, e comentarista é o Jabor...
Muito estranho...
Direto do país do rugby...

As bolhas de Ronaldo mereceram mais espaço na mídia que todas as emendas (que deverão ser votadas hoje n)do Congresso (se a aristocracia decidir comparecer).
Sorte minha que não participo desse tipo de competição de machos primitivos (Grêêmio! Grêêmio! Nós somos campeões do Muuundo!).

É importante que o Universo saiba que existe pelo menos UM brasileiro que não é fanático por futebol (só resta saber onde está...)
Mas cá entre nós, eu nunca gostei de futebol, nunca gostei de ver futebol, e sinceramente fico pensando sempre o porque metade da programação da TV é futebol: deve ser para fazer a esporticracia, como nos EUA.
*
Caso Von Rischthzswyxssstopirilimpimpim
Hoje no Hoje em Dia da Record, o advogado de defesa foi explicar por que levantou o dedo na cara do Juiz ontem, chamou-o de traidor e se retirou do recinto, tentando impedir o julgamento. (Com certeza ficou com inveja dos advogados dos Cravejados, que pensaram em não ir antes dele...)

Síndrome da elite-nobre:
Minha cara Ana Ricaman, linda, simpática e inteligente; meu caro Edu Guedes, que peguei quando criança, sou amigos dos seus pais, lembra?; sensato promotor e maravilhosos ouvintes...
As mulheres... fazem tudo por amor! (nesse ponto está com os gregos e Justiniano! Valeu a resposta de Ana Ricaman: matar pai e mãe já é demais, né?!)

Eu disse que a testemunha insubstituível poderia ser substituída, mas o juiz me traiu pedindo que seguisse o julgamento já que não era insubstituível...

Claro, como sabemos, o Direito tem lá seus teatros e é uma briga de tigres, todos tentando achar a forma de colocar na boca da lei aquilo que quer dizer, de modo mais natural possível; por outro lado, todos tem direito de defesa, a ainda, se espera que a defesa defenda; mas esse senhor, que quase mandou Ana Ricaman calar a boca, mostrou mais do que isso: os poderosos não estão acostumados a perder no Brasil.

OS: (Observação suspeita) olha um anexo do Jornal Global reclamando sobre
A não transmissão ao vivo do julgamento: Nos Estados Unidos isso fez com que os americanos tomassem consciência dos seus direitos! Que argumento heim? Nada a ver com transformar o crime em show, não mesmo...

segunda-feira, junho 05, 2006

Perdas e ganhos, Lya Luft, Record, 2003


Ainda não acabei o Livro, mas acho que posso ir falando as primeiras impressões...

Já ouvi sobre ele as mais diversas teorias: “é auto-ajuda com grife!”, Lya Luft é uma escritora burguesa”, “é um livro fascinante!”, “agora que ela começou a escrever mal...”

Bem, para começar, precisa-se de muita coragem para sair do confortável mundo da ficção para o mundo das idéias e opiniões, já que na ficção temos a proteção do simbólico e do obscuro, muitas vezes nem o próprio autor tem a dimensão do que está falando.

Representar através de metáforas a vida parece mais simples de algum modo: tendemos a aceitar mais prontamente uma sugestão, que nos dá espaço de reflexão, do que uma observação, que parece afirmativa.

Ao mesmo tempo, este mundo apresenta tantas teorias, tanta complexidade, que a velha função do filósofo, ensaiar discursos sobre a vida, dar linhas de percepção, parece fazer falta. Falta a figura do intelectual capaz de absorver e devolver com formas de julgamento e possibilidades; a auto-ajuda pareceu transformar tudo na livre vontade do sujeito liberal, a velha e boa consciência clara e distinta, ao poder do super-homem indivíduo. Sem voluntarismo barato e sem pessimismo intelectualista.

O que esse livro tem de bom é, de um lado, um otimismo generoso com a vida, sugerindo que podemos trazer alegria para ela, e por outro lado, a percepção de nossos jogos de auto-destruição, nossa conivência com o tempo da morte diário. Sua visão sobre a velhice criativa parece também deliciosa. (Acho que falta um pouso falar do grande silêncio de um mundo que está além da classe média, de fato, já que quase um terço dos brasileiros está em situação de miséria; mas não se possa resolver tudo agora).

E Lya Luft narra suas percepções com a autoridade de quem fez mudanças drásticas após os 40 anos. (O melhor que eu poso falar dela é que conheço seu filho, e é uma pessoa que trata a todos com respeito e delicadeza). Acima de tudo Lya é uma ótima observadora. Ela me ensinou que o autor não é alguém que vive nas nuvens, mas uma pessoa que vê o que muitos deixaram de ver. Um profeta do mínimo.

Afinal as coisas mais profundas são absolutamente simples, e dizê-las poda parecer muitas vezes ridículo: não se trata de “saber” que a rosa precisa de sol, mas de colocar a rosa no sol. O livro fala disso, tendemos a nos contentar com pouco: Lya abre uma janela para nosso coração, agora, saiamos para o sol.

Rent, Chris Columbus, 133 min., 2006

(Antes de mais nada vale lembrar que, mesmo na baeado ópera do século XIX, "La Bohème", de Puccini, há quem diga ainda na Internet: O elenco é formado basicamente por homossexuais, drag queens, dependentes químicos e sem-tetos.” Nazi!)

Quando o filme começa dá aquela dor no peito: será que vou agüentar ver as pessoas cantando ao colocar lixo na rua, ao dar comida ao cachorro e cruzando o sinal?
De imediato a gente se pergunta: vou agüentar a esse otimismo que canta “conte o ano em amor” logo de cara?

Mas aí a história vai entrando. Nada fácil colocar um musical, feito para o palco, que portanto pressupõe o artificioso, na tele muito mais naturalista do cinema. Entretanto os personagens estão bens construídos, são variados e interessantes, e lá pelos 30 minutos você já está cantando: “Tango Maureen” (a mulher louca da trama).

O mais importante de tudo: a historia não fantasia um mundo de plástico e luzes, mostra a Nova York da virada para os noventa, com o fim do estado de bem-estar, as pessoas nas ruas, o clima de era da catástrofe e a “exploração” do empresariado corrupto.

Percebemos porque também é tão difícil fazer política nos EUA: as pessoas consomem! O mercado engole o sujeito, que se satisfaz em comprar uma TV nova, mesmo que sinta que,no global, está perdendo seus direitos e daqui há vinte anos não haverá mais água.

Mas o grupo segue vivendo, e a cena em que dançam “La vie Bohémien” é sensacional. Maureen mostra a bunda para os engravatados corporativos: queremos ter tempo e dinheiro para transgredir. E os chatos neoliberais que gritam “façam por vocês mesmos” deveriam lembrar que os magnatas ganham isenção de imposto, e eles não.

Principalmente o filme não se enquadra em chavões. É preciso ter fé na vida, mas ali se diz “morrendo na América, na virada do milênio”. Não se tira conclusões fáceis, mas fica um desejo de viver. Nosso os EUA (underground) e o Brasil tem algo em comum: a transformação do caos em arte.
Copa, copa, copa!

É inevitável: o que Pedro Bial está fazendo na Alemanha? Parece que há 180 profissionais da Globo na Alemanha. O Fantástico foi um desfile de transmissões ao vivo da terra da lingüiça, com informações nem tanto relevantes: o que me interessa que Débora Kocher ajudou na computação gráfica (por sinal, sem graça) da rede pra Copa?

Que a transmissão terá uma qualidade X e Y mais avançada que o padrão? Uma fala dos jogadores ao descer do avião – em que Fátima Bernardes se transforma numa novata aos berros “pelo amor de deus, uma palavrinha!”- e os simpáticos atletas dizem, mais uma vez, “estamos preparados e achamos que tudo vai correr bem!”

Depois de ver o quarto dos jogadores- se tem geladeira e piscina- e de ver as áreas do hotel, além do cozinheiro, de saber o que os telespectadores pensam do jogo contra o time senhor dos anéis, de ver o documento de identidade de uma brasileira na Alemanha, de ouvir a opinião do especialista Bial sobre qual jogo será o pior, vejo uma pergunta: “Fátima, como você está se sentindo trabalhando nessa Copa?” “Me sinto ótima!”

Adoraria que pudéssemos pensar em algo como um campeonato mundial, onde seres humanos tentam ganhar, perdem ou ganham, e pudesse continuar levando minha vida nas outras 23hs.

É assim, quanto mais a mídia fala, mais a mídia acha que tem de falar. Mas, pelo jeito, com tanta cerveja precisando do meu interesse, terei de me acostumar com “O mundo em 1 minuto” e com transmissões ao vivo e dos “bastidores” doa caras tocando pandeiro (e, sim, tenho de ouvir o pai Nosso deles!) à 1h da madrugada (e a Copa nem começou).
Estou lendo com grande prazer O Livro dos esnobes, escrito por um deles, de William Thackeray (pela L&PM).
Que adorável é essa capacidade dos escritores ingleses de entrar na intimidade dos outros, nas pequenas coisas que significam muito, principalmente quando saímos daquilo que pode ser considerado bom senso. Isso me lembra muito o que um personagem meu (de origem francesa) diz, em uma novela, sobre o fato de, no país, prevalecer relações baseadas em hierarquias:

- Minha querida, esse país é maravilhoso e cheio de luz; mas não conheço outro lugar do planeta em que a haja mais esnobes que o Brasil! Ah, dizem sempre que os franceses são esnobes! Na França ir ao teatro é parte da cultura popular, aqui parece ser um teatro para mostrar-se “culto”.

A classe média se considera uma raça diversa e superior aos pobres; para um frances ir a Itália é um hábito, afinal apenas devemos dar alguns passos; para um brasileiro de classe média, é ser algo que assemelha-se a um Deus. A maioria das pessoas, entre os jovens mais ainda, parece não saber quem foi Tito Lívio; mas tem de fazer algo que lhe assemelhe aos novos ricos americanos! Oh, esnobes!